Com água do mar na descarga, Hong Kong dá exemplo de conservação hídrica

Fonte: UOL Notícias

De: BBC Brasil em SP

Por: Rafael Barifouse

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Hong Kong tem há mais de cinco décadas sistema para captar água do mar e usá-la em descargas

Uma enorme quantidade de água potável é hoje usada para dar descarga: o uso sanitário representa cerca de 30% do consumo doméstico, segundo a ONG britânica Waterwise, e até 70% do uso em edifícios comerciais.

Mas existe uma alternativa para evitar o desperdício, especialmente em um país com um litoral tão extenso quanto o do Brasil: utilizar a água do mar.

É o que faz Hong Kong, onde 80% dos 7,2 milhões de habitantes têm suas descargas abastecidas com água salgada.

A prática começou há mais de cinco décadas por causa da falta dágua crônica na ilha, que se tornou desde então uma referência mundial em conservação hídrica neste quesito.

“É uma solução que preserva a água tratada para uso mais nobres e ajuda a garantir a oferta para o consumo humano”, avalia Pedro Luiz Côrtes, especialista em gestão ambiental da Universidade de São Paulo (USP).

Glauco Kimura, coordenador do Programa Água para a Vida da ONG WWF-Brasil, acha que é “um absurdo ainda usarmos água limpa em descargas”.

“Isso provavelmente ainda não mudou porque não tínhamos enfrentado uma crise, mas deveríamos importar esta tecnologia de Hong Kong.”

Solução premiada

Em Hong Kong, a água do mar começou a ser usada em descargas em 1958, quando a ilha já se deparava com a perspectiva de falta dágua. Não existem em Hong Kong reservas hídricas subterrâneas expressivas em seu solo rochoso, e as chuvas atendem a apenas um quarto da demanda. O restante é importado da China por meio de dutos submarinos ou trazido do mar.

Segundo o órgão responsável pelo abastecimento da ilha, o “uso extensivo de água do mar tem ajudado a reduzir a demanda por água potável em descargas”.

Em 2014, uma média de 762,5 mil metros cúbicos por dia foram usados com este propósito, o suficiente para encher 305 piscinas olímpicas.

Cerca de 5,75 milhões de pessoas usam atualmente água do mar na descarga, com a ajuda de uma infraestrutura composta por 35 estações de transmissão e 1,5 mil km de tubulações. A intenção do governo é atender 85% da população deste forma ainda em 2015.

A água potável é subsidiada pelo governo de Hong Kong, e seus preços estão congelados desde 1995. A água do mar é fornecida gratuitamente.

Uso de água do mar em descarga poupa não apenas o recurso hídrico, mas também energia, apontam especialistas

O Departamento de Fornecimento de Água de Hong Kong esclarece que a água do mar não recebe o mesmo padrão de tratamento da agua doce. Mas a empresa diz que ainda assim “cumpre diretrizes” para evitar eventos adversos.

Primeiro, a água é filtrada para retirar grandes partículas de impurezas. Depois, é desinfetada com cloro ou hipoclorito de sódio antes de ser levada a reservatórios, de onde é distribuída à população.

A ilha tem dois sistemas de encanamento, um para água doce e outro para a salgada.

Mas, depois de usada, a agua salgada é descartada na rede de esgoto usada para a água doce e recebe o mesmo tratamento. Cerca de 25% do esgoto em Hong Kong é composto por água do mar.

O programa da ilha foi premiado em 2001 pelo Chartered Institution of Water and Environmental Management, entidade britânica que reúne profissionais, cientistas e empresários dedicados a questões ambientais.

“Usar água do mar em descargas economiza não só água, mas também energia. Requer a metade da energia usada na produção de água potável, dez vezes menos do que no tratamento de água de esgoto e cem vezes menos do que o processo de dessalinização”, disse Chen Guanghao, professor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, em um artigo sobre este sistema para o The Standard, diário em inglês de Hong Kong.

“Além disso, a água salgada requer de 35% a 50% menos energia para ser resfriada, o que permite ainda mais economia se a usarmos em sistemas de ar condicionado.”

É viável no Brasil?

Hong Kong é até hoje a única cidade do mundo a usar água do mar nesta escala. Há outros exemplos menores, como o de Avalon, cidade na ilha de Catalina, no Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, com 3,5 mil habitantes, e as ilhas Marshall, também no oceano Pacífico.

Côrtes, da USP, acredita que esta alternativa poderia ser aplicada em cidades na costa brasileira.

“Poderia começar em áreas urbanas que estão se expandindo, com a criação de novos bairros já com esta infraestrutura“, afirma Côrtes.

“Seria necessário que os novos edifícios tivessem duas linhas de transmissão de água. No entanto, se isso já estiver previsto no projeto, não gera quase nenhum custo a mais para a construtora.”

Mas, para abastecer estes edifícios, primeiro seria preciso criar uma nova infraestrutura de tubulação, como a de Hong Kong.

E o custo de construção e manutenção de uma segunda tubulação é um dos desafios deste tipo de abastecimento, de acordo com Daniel Cheng, vice-presidente de conselho da Federação de Indústrias de Hong Kong. Isso inclui usar dutos mais resistentes à corrosão provocada pelo sal presente na água.

“O custo não é tão alto. Bastaria haver um incentivo governamental, por meio de incentivos fiscais à infraestrutura necessária”, afirma Kimura, da WWF.

Outra forma de viabilizar a nova infraestrutura seria por meio de parcerias, defende Côrtes: “Grandes consumidores, como shoppings e universidades, poderiam compartilhar o custo da construção destas novas linhas de distribuição”.

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Norte desperdiça energia de duas usinas de Tucuruí

Fonte: O Liberal

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No momento em que o País discute uma nova realidade de escassez de energia e que os preços das tarifas não param de ser reajustados, pressionando cada vez mais o bolso dos consumidores, sobretudo do Pará, que pagam as contas de luz mais caras dentre todos os Estados brasileiros, um estudo sobre eficiência energética no Brasil acirra esse momento de crise, mostrando o impacto do crescente aumento do desperdício desse insumo nas regiões. Só na região Norte, por exemplo, o levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco) aponta um desperdício em torno de quase 9,5% de tudo o que foi produzido em 2014. Em números, essa proporção equivale a perda de 3,2 mil giga-watt-hora (GWh), que em valores corresponde a cerca de um bilhão de reais jogados fora.

O dado é ainda mais alarmante na análise dos últimos seis anos. Os Estados nortistas respondem pelo desperdício de 18,5 mil GWh, o equivalente a 2,2 usinas hidrelétricas de Tucurí. Em custos, são exatos R$ 5,3 bilhões desperdiçados desde 2008. “Apesar dos dados serem regionalizados e mostrarem esses números do Norte, é claro que o Estado do Pará tem um certo protagonismo nesses resultados, por toda a importância que ele representa para a região, quanto ao número de residentes e indústrias”, analisa Alexandre Moana, diretor-técnico da Abesco. Em todo o País, nesse mesmo período, o estudo da Abesco detectou a ineficiência energética de 298,7 mil GWh, com valor de desperdício na casa dos R$ 80 bilhões, citada no estudo como “o dobro do que está sendo investido na usina de Belo Monte”.

Alexandre Moana destaca que a sangria é ainda mais evidente na análise específica do consumo de energia nas residências, na indústrias e no comércio. “Nós analisamos qual era a potencia necessária para alimentar o consumo desses segmentos e qual era a categoria do desperdício típico de cada um deles. Apesar da consolidação desses dados nacionalmente, constatamos que os números por segmento foram praticamente iguais em todas as regiões. O maior diferencial é o fator climático. Por exemplo, no Pará usa-se mais o ar-condicionado do que em São Paulo, mas isso não é considerado desperdício por estar se gerando trabalho com esse equipamento. É apenas um consumo diferenciado, que, no geral se equipara”, disse.

Pelo estudo, as residências concentram um percentual de 15% de energia desperdiçada. No último ano essa proporção indicou o desperdiço de cerca de 20 GWh, proporcional a R$ 5,51 bilhões indo pelo ralo. Na apreciação dos últimos seis anos, esses números foram: 119,1 GWh e R$ 32,95 bilhões. O setor indústrial responde pela segunda maior ineficiência energética, com margem de 6,20%. Em números são 11 GWh desperdiçados em 2014, e 77,3 GWh, desde 2008. Já em valores são R$ R$ 2,61 bilhões e R$ 18,27 bilhões, respectivamente. O comércio, por sua vez, chegou a desperdiçar 9,8 GWh em 2014, com prejuízos calculados em R$ 2,8 bilhões. Em seis anos, esse desperdiço saltou para R$ 16,22 bilhões, referente a marca de 57,4 GWh sem uso.

A fonte desses desperdícios, indica o estudo, são os equipamentos obsoletos e processos inadequados nas empresas, além de geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e ferros de passar roupa obsoletos nas residências. O executivo da Abesco chama a atenção da necessidade do governo federal lançar campanhas pelo consumo consciente de energia e, principalmente, incentivar os grandes empreendimentos industriais e comerciais a modernizarem seus sistemas de utilização de energia para reduzir os desperdícios estruturais. Moana avalia que o momento crítico que o Brasil vive atualmente, ocorre, justamente, pelos equívocos e falta de sensibilidade do governo.

“Quando foi reduzido o valor da energia para o consumidor final, por decreto da presidente Dilma Rousseff, muitos projetos de ciência energética passaram a ter um benefício menor. Como isso acontece? Se você estava esperando uma redução do seu custo com energia, baseada em uma alteração técnica, como em troca de motor, lâmpadas, ou de uma linha de produção mais eficiente, e você calcula um retorno desse investimento em cinco anos, você se baseia em valores presentes. Porém, se este valor é reduzido, como aconteceu, o investimento afunda, porque o seu retorno pode vir somente após dez anos, justamente, porque o preço da energia ficou menor. Ou seja, não adianta apenas medidas técnicas. É uma questão de criação de mecanismos e contexto”, avalia.

“Eu sugiro que para essa sintetização ocorrer, tem que haver um sistema de premiação, como houve na época do apagão, em que exista a saída de algumas cargas nesse segundo horário de ponta. Quando fui à Belém, em 2009, lá já se tinha um consumo que saltava aos olhos no horário de 14h às 15h30, que é o segundo horário de ponta, de gargalo. Então, se considerar esse segundo horário de ponta, assim como é das 18h às 21h, você cria um mecanismo de sintetização automático. Ou seja, as soluções começam a vir de forma mais espontânea. São esses os mecanismos que fazem com que haja eficiência energética e não soluções pontuais, que todos conhecem. Todo mundo sabe, que tem desligar o interruptor quando sair do quarto para economizar energia, todo mundo sabe que se você trocar um motor de alta eficiência por um de baixa cai o consumo. Qualquer criança sabe a solução pontual técnica. A questão é o mecanismo que faze isso acontecer, que infelizmente não estamos vendo nesse momento”, completa.

Essa proposta do segundo horário de ponta, das 14h às 16h, principalmente para as regiões Norte e Nordeste, foram apresentadas ao Governo Federal, junto a uma lista de sugestões da Abesco. Na descrição, explica o diretor da Abesco, foi salientado que “trata-se de um mecanismo para não onerar o crescimento da indústria local, que já extremamente prejudicada”. “Essa proposta, eu trouxe para Aneel no ano passado e ainda sugeri um mecanismo para ter um ‘horário compensar’, ou seja, ficava mais caro nesse horário de 14h às 15:30h e barateava das 21h às 6h da manhã. Então, isso, com certeza, impulsionaria um crescimento regional, estagnado hoje, por falta de incentivos. Para se ter uma ideia, de 2004 pra cá, tivemos um crescimento no consumo energético comercial de 80%, no residencial de 60% e na indústria, um vergonhoso, 14%. Por que? O plano de crescimento do governo funcionou, de incentivo ao consumo, teve um crescimento nos serviços e do consumo residencial, mas não teve produção para sustentar o País assim. Essa situação só não está mais caótica, porque a indústria não cresceu. A energia é um termômetro muito claro, te informa o que produziu e o que não. Temo muito hoje pelos meus filhos e netos, porque vê-se que o caminho não está bom”, concluiu.

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ENFOQUE-Governo dá primeiros sinais de preocupação com abastecimento de energia

Fonte: Reuters Brasil

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Embora o governo não admita a necessidade de racionamento de energia enquanto espera o comportamento das chuvas até abril, medidas adotadas recentemente para economizar energia sinalizam preocupação com o risco de faltar eletricidade, num cenário similar ao ocorrido antes do racionamento de 2001.

A diferença principal, na avaliação de especialistas, é que o governo está demorando para iniciar uma ampla campanha de redução do consumo, o que deveria ter ocorrido já no ano passado.

O baixíssimo nível das represas em pleno período úmido é ainda pior que o registrado antes do racionamento de 2001. Por outro lado, naquela época não havia tantas termelétricas disponíveis para reforçar a geração de energia e o intercâmbio de eletricidade entre as regiões do país, por meio do sistema de transmissão, era menor.

Especialistas avaliam, porém, que as térmicas estão acionadas por um período muito maior que o planejado inicialmente e podem não dar conta de suprir a demanda ao longo do ano sem racionamento, na falta das hidrelétricas, caso as chuvas não fiquem muito acima da média até abril.

O ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia na época do racionamento, Afonso Henriques Moreira Santos, considera inclusive que deveriam ter sido construídas mais térmicas além do que foi construído após o racionamento de 2001.

PRIMEIROS PASSOS

Apenas recentemente o governo federal começou a falar em ações de eficiência energética para economizar energia.

Na semana passada, foi publicada portaria estabelecendo medidas para monitorar o uso de energia elétrica e água em órgãos da administração pública federal.

O setor público federal terá que reduzir consumo por meio de uso consciente do ar condicionado, desligamento de computadores e outros equipamentos quando não estiverem sendo utilizados, entre outras ações.

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse que a intenção é reduzir em até 30% o consumo de energia em prédios públicos federais.

O governo federal também promete disponibilizar na Internet uma cartilha com dicas para redução do consumo de energia a todos os consumidores do país, mas a adesão será voluntária.

Além das medidas já anunciadas para reduzir o desperdício de energia, o governo federal prepara outras ações para aumentar a oferta, como o estímulo a grandes empresas (indústrias e shoppings, por exemplo) para aumentarem sua geração própria de eletricidade por meio de geradores.

O governo também já autorizou a retomada da geração na usina termelétrica de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, processo complexo que demanda acordo para uso de gasoduto da Argentina e importação de combustível.

Questionado se essas medidas buscam justamente evitar ações mais extremas, como um racionamento, o Ministério de Minas e Energia disse que somente no final de abril poderão ser feitas avaliações mais conclusivas.

“Devido à grande variabilidade das afluências aos reservatórios das usinas hidrelétricas no chamado período úmido, que vai de dezembro a abril, análises e avaliações mais conclusivas sobre as condições energéticas do sistema elétrico brasileiro serão obtidas ao final deste período, ou seja, ao final do mês de abril”, disse o ministério, em nota.

Para a ex-diretora da Aneel Joísa Campanher Dutra, além das incertezas em relação ao clima não se sabe qual será a reação dos consumidores ao forte aumento previsto para as tarifas neste ano.

“A crise não tem um momento dado, depende de um conjunto de fatores, como a atividade econômica, o aumento dos preços e o clima”, disse Joísa.

A energia mais cara é uma das apostas dentro do governo para que os consumidores optem, voluntariamente, pela redução do consumo – segundo projeções do setor, os reajustes totais no ano podem chegar, em alguns casos, a até 60%. Mas a ex-diretora alerta que os fortes aumentos das tarifas podem levar a um aumento da inadimplência.

NA PRÁTICA

O ex-secretário do Ministério de Minas e Energia Moreira Santos avalia que a gravidade da situação atual é similar a vivida antes do racionamento de 2001.

Segundo Moreira Santos, as discussões sobre o racionamento em 2001 começaram no fim de março, quando também foi discutida a redução do consumo nos prédios públicos, e também o corte de carga programado – mas essa última sofreu forte oposição e não foi acatada na época, segundo ele.

Posteriormente, o governo lançou uma campanha para que houvesse economia de energia e em julho daquele ano começou o racionamento com meta de redução de 20 por cento do consumo.

Para o físico, professor e ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP), José Goldemberg, que participou das discussões na época do racionamento de 2001, a atual situação já é de racionamento de energia.

Goldemberg vê o apagão orquestrado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em 19 de janeiro deste ano como um racionamento, já que o ONS teve que escolher onde seria cortada a oferta de eletricidade por não conseguir atender toda a demanda naquele momento.

“O que o ONS fez foi um racionamento seletivo, porque senão haveria um apagão geral”, disse o ex-reitor da USP.

Dados atualizados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgados nesta sexta-feira mostram que o cenário não mudou mesmo com as chuvas mais intensas nesta semana.

O Sudeste, principal centro de consumo do país e que concentra 70% dos reservatórios das hidrelétricas, terá chuvas equivalentes a apenas 58% da média em fevereiro, quando seriam necessárias afluências muito acima da média para recuperar as represas a um nível confortável antes do início do período seco.

Apesar de o discurso oficial do governo ser de negar a necessidade de racionamento, técnicos que estavam no governo em 2001 e que continuam trabalhando no governo federal dizem que, se houver o comando político, é possível lançar rapidamente um plano de racionamento, graças à experiência adquirida no episódio anterior.

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Eficiência energética: um grande desafio na construção civil

Fonte: Procel Info

Por: Lara Martinho

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Brasil-Um dos setores com maior demanda de energia do mundo tem o desafio de aumentar a eficiência energética durante e após as construções

Mais de uma década depois de sofrer um grande racionamento de energia, o fantasma da escassez volta a assombrar o país. O setor da construção civil é um dos setores que mais demandam o uso de energia no país, utilizando quase a metade do total da energia produzida no Brasil. Seu principal desafio é aumentar a eficiência energética durante e após as obras.

No Brasil, de acordo com dados da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), as edificações consomem 42% de toda a energia gerada. O uso residencial corresponde por 23% do total produzido no país, enquanto os setores comercial e público respondem por 11% e 8%, respectivamente.

A utilização de tecnologias energeticamente eficientes, no entanto, ajuda a melhorar o gasto de energia em edificações e, em muitos casos, é possível verificar uma economia de mais de 50% do consumo. Um exemplo disso é a CasaE, Casa de Eficiência Energética da BASF, que agrupa inovações em construção sustentável e energeticamente eficiente. É o primeiro projeto em clima tropical, e já foi executado em outros lugares do mundo. A ideia é mostrar como a indústria pode contribuir com pesquisa e tecnologia para a sustentabilidade nas construções.

Em 2003, o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), lançou o Procel Edifica, com o objetivo de promover condições para o uso eficiente da eletricidade em edificações, reduzindo assim desperdício de energia e materiais e, consequentemente, o impacto ao meio ambiente. “A etiquetagem é voluntária e e por isso apenas as empresas mais preocupadas com o tema tem buscado a certificação para suas obras”, explica o professor e pesquisador, Roberto Lamberts, da UFSC.

“Acredito que a crise que passamos é um ótimo momento para ampliar a informação sobre a etiquetagem e buscar a compulsoriedade a médio prazo. O Governo aprovou a IN02 de 2014 que tornou a etiquetagem obrigatória para edifícios públicos federais (em nivel A) e deveria fazer o mesmo para os novos edifícios comerciais para que quem compra ou aluga uma sala saiba o potencial de eficiência que o edifício tem”, declara o professor Lamberts.

Segundo Marcos Novaes, presidente da Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon), o tema eficiência energética está diretamente conectado a sustentabilidade, que mantém três pilares: o ambiental; o econômico e o social. “A construção civil vem se moldando ao longo dos anos para cada vez mais agredir menos o meio ambiente, trazer empreendimentos cada vez mais agradáveis para a sociedade, assim como contextualizados no ambiente no qual estão envoltos e, o que pesa bastante, que seja economicamente viável para o construtor e cliente”, explica.

A energia, pondera Novaes, tem um impacto direto nestes três pilares. Na sua avaliação, o usuário deve sentir-se bem dentro do imóvel que ocupa, porém, o ambiente deve favorecer ao menor consumo possível de energia, proporcionando contas mais baratas e menos impacto ao meio ambiente.

O conceito de construção sustentável está amadurecendo e se consolidando no mercado. Diante do panorama, a indústria investe em novas medidas e tecnologias para trabalhar com o conceito de eficiência energética. Para Roberto Lamberts a pouca divulgação gera pouco interesse da população. Mas espera-se que a crise e a gestão da mesma pelo governo deixe a etiquetagem mais conhecida pelo publico e compulsória para muitos.

“Somos um país em desenvolvimento que precisa construir edificações para enfrentar os próximos 50 anos de forma eficiente”, pondera Lamberts.

As mudanças climáticas estão demonstrando que veremos extremos bem mais fortes e não podemos depender tanto de energia para garantir conforto e sobrevivência dentro dos nossos edifícios. Nosso clima é bastante ameno na maioria do Brasil e na maior parte do tempo, mas estamos vendo alguns edifícios projetados que não funcionam sem o consumo de grandes quantidades de energia e desprezam o clima ameno externo para se beneficiar na economia de energia e na sustentabilidade.

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Curso de Gestão em Operação & Manutenção em SP – Faltam apenas 38 dias!!

Conforme vem sendo divulgado, a A&F Partners Consulting realizará neste 2015 a sua turma do curso de Gestão em Operação & Manutenção na cidade de SP.

Faltam apenas 38 dias para o Curso!!

Aos interessados, segue abaixo o folder com as informações e o link (basta clicar no folder / na imagem abaixo) para que sejam direcionados ao site de inscrições.

Nos veremos lá!!

Newsletter 1 AF 2015

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Economia de energia em um click

Fonte: SEGS

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Você já pensou em comparar seu consumo de energia elétrica com o de seus amigos das redes sociais? Ou saber como a substituição de certo aparelho poderia influenciar na sua conta de luz? Ou ainda qual seria o consumo diário de energia dos eletrodomésticos da sua casa? Em tempos onde economizar virou a palavra de ordem, uma empresa do Sul de Minas criou o Oráculuz, um aplicativo gratuito que detalha o perfil do gasto de energia elétrica do consumidor residencial e estimula a troca de experiências entre usuários para um consumo mais consciente.

Aplicativos web para simulação de consumo de energia elétrica podem ser facilmente encontrados nos sites das distribuidoras de energia elétrica. A diferença do Oráculuz, desenvolvido pela empresa TR Soluções, de Itajubá, é a possibilidade que dá ao usuário de interagir com seus amigos e ao mesmo tempo estimar despesas futuras e ter conhecimento sobre a previsão das tarifas reais de energia, além de saber da economia gerada na substituição de equipamentos.

“As pessoas compram novos eletrodomésticos, mas não sabem identificar como esses aparelhos influenciam sua conta mensal de luz. Atualmente, não existe no Brasil uma ferramenta que o consumidor possa avaliar o impacto financeiro que a substituição de um eletrodoméstico pode ocasionar no seu bolso, nem tampouco comparar a sua eficiência relativa quanto ao seu consumo de energia em relação aos seus amigos”, explica Joana Marins, sócia e diretora da empresa.

Para ter acesso ao programa basta entrar no site www.oraculuz.com.br ou acessar a página https://www.facebook.com/oraculuz?ref=ts&fref=ts. A partir daí, o usuário responde questões sobre seu perfil de consumo, os eletrodomésticos que possui na residência, qual região do país onde o imóvel está localizado. Assim, o sistema aponta qual a parcela de consumo de cada aparelho, compara o consumo com o de outras pessoas e até dá dicas para economizar energia com o uso correto dos aparelhos domésticos.

Além disso, o Oráculuz calcula o custo-benefício de se investir na implantação de um sistema de placas fotovoltaicas, na implantação de aquecimento solar para água, mede as emissões de carbono de acordo com o consumo de energia elétrica do usuário e estima a quantidade de árvores que ele poderá plantar para neutralizar essas emissões, e ainda dá informações sobre a Tarifa Branca, que entrará em vigor a partir de 2017, e irá estabelecer novas tarifas de acordo com o horário de consumo.

Hoje, o aplicativo já possui mais de mil usuários no Facebook. Neste ano, a empresa anunciou que já está em desenvolvimento a criação de uma versão do aplicativo para smartphones e uma nova funcionalidade para leitura de equipamentos de monitoramento de energia em tempo real.

Smart Grid

A empresa TR Soluções, criadora do Oráculuz, integra o projeto do Sebrae Minas, em Itajubá, “Smart Grid: Desenvolvimento de novas tecnologias para o setor de energia em Itajubá e Região”. O objetivo do projeto é apoiar o desenvolvimento e a competitividade dos pequenos negócios que produzem soluções o setor de energia, utilizando redes e dispositivos inteligentes, conhecidos como Smart Grid.

Além de participar de capacitações gerenciais e mercadológicas Rodadas de Negócios e missões técnicas, a TR Soluções foi atendida pelo Sebraetec, programa do Sebrae criado para incentivar as micro e pequenas empresas a investirem em inovação e tornarem-se mais competitivas. “Apoiamos empresas que estimulam novos negócios com o desenvolvimento de soluções inteligentes para o setor energético do país”, diz a analista do Sebrae Minas, Elaine Rezende.

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Disparada na conta de energia e água reforça o combate ao desperdício

Fonte: Correio Brasiliense

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A recessão vai obrigar o brasileiro a economizar nas contas do dia a dia. Neste ano, que já começou sob o risco de racionamento de energia, a conta de luz ficará, em média, 45,7% mais cara. Pior para quem, além de correr o risco de ficar no escuro, poderá também ficar sem tomar banho. Em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o risco de corte no abastecimento de água já é uma realidade para um número cada vez maior de pessoas.

Para fugir do aperto financeiro, o melhor é evitar desperdícios nos itens do dia a dia, como a conta de água. Um buraco de dois milímetros no encanamento consome, por exemplo, até três mil litros de água por mês. Já uma torneira mal fechada pode despejar 46 litros por dia, o que significa uma perda superior a uma caixa d’água com capacidade de mil litros por mês.

Medidas sustentáveis, como captar água da chuva ou do chuveiro, também podem garantir uma boa economia na conta de água. Diretor de Varejo da Aqualimp, Vinicius Ramos lembra que equipamentos fabricados ajudam a captar e armazenar a água pluvial ou do sistema público. Segundo seus cálculos, ao fim de um ano, a economia com o uso chega a R$ 1,2 mil. Outra forma de pagar menos é trocar lâmpadas antigas por outras com melhor consumo energético. A troca pode garantir economia de até 80% na conta de luz, todos os meses. Também é possível reduzir em até 12% com o gasto energético só desligando aparelhos eletrônicos da tomada, já que, mesmo em modo standby, ainda consomem bastante energia.

O especialista em direito ambiental Alessandro Azzoni recomenda ainda trocar itens de consumo elevado de eletricidade por versões mais modernas, que tenham o selo Procel de eficiência energética. “Às vezes, a dona de casa se apegou àquele chuveiro velho, que nunca deu defeito. Mas a indústria já produz eletrodomésticos bem mais eficientes”, lembra. O uso sustentável do carro também garante mais dinheiro no bolso, sublinha Luiz Munhoz, diretor da Mix Telematics, especializada em telemetria, tecnologia que ajuda a reduzir o consumo de combustível e de custos operacionais. “Antes de sair, estude o caminho. Evite voltas desnecessárias, que esticam o tempo do percurso. Procure o roteiro fora de horários de pico, pois trânsito pesado aumenta o consumo”, frisa.

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Como dizem por aí, o ser humano só se mexe quando a água bate na …..

A frase pode ser rude, mas contem uma grande verdade….

Quem não lembra da mudança de cultura quanto ao quesito economia de energia, quando sofremos o famoso “apagão” em 2001?

E quem não lembra também do processo de aculturamento de motoristas em SP quando da “implantação da indústria de multas”?

Pois é… estamos novamente sendo rodeados por dois importantes “fantasmas”: a falta de água e o novo apagão

Não vamos discutir aqui que é ou não culpado pela falta de investimentos em infraestrutura, pois independentemente disto, estamos novamente precisando aculturar à nós brasileiros…

O meu pai dizia que um dos perigos da humanidade residia justamente na memória curta de seus habitantes. Na época em que me disse isto, ele fazia menção aos riscos de uma nova e futura guerra mundial, pois temia pelo esquecimento do povo em relação ao radicalismo político, a irracional perseguição de algumas raças, etc.

É bem verdade que já sentimos (infelizmente) o retorno de Neo Nazistas e de tantos outros que pelo jeito, admiram exemplos, sem notar toda a irracionalidade e maldade à eles relacionadas.

Mas voltando ao tema do momento no Brasil (água, energia ou falta de…), espero sinceramente que esta nova situação nos faça aprender; aprender como os nossos avós e bisavós aprenderam ao fugir de guerras e conflitos.

Precisamos incorporar a necessidade de racionar os recursos ainda disponíveis e principalmente, ensinar nossos filhos.

Os bens da natureza são finitos e a qualidade de vida ainda depende do ser humano e de sua contribuição e respeito para com a natureza.

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Afastamento involuntário… Retorno feliz!

Confesso que me assustei e surpreendi com a data de meu último post, que completa quase um mês….

Senti muito a falta deste meu espaço e me afastei apenas em função do trabalho, pois alguns projetos em curso demandaram viagens e com elas, a desorganização de minha parte (no que se refere ao Blog).

Estou retornando às minhas atividades normais a partir desta semana.

Bom estar de volta!!

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SP secando… será inevitável o êxodo urbano?

Avatar de Messenger*Comissionamento, Produtividade & Sustentabilidade

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A NATUREZA NÃO NEGOCIA: sem água, qualquer lugar se torna incompatível com a vida!

Não é de hoje que ambientalistas e visionários vêm alertando sobre as consequências do desmatamento irracional, especulação imobiliária e o desperdício do maior bem da vida depois do ar que respiramos.

Não é de hoje que profissionais sérios que atuam na indústria, vem se dedicando e aplicando soluções inovadoras para economizar água em seus processos – exemplo do 1º. Comissionamento Sustentável do mundo – aprovado e aplicado na construção da Refinaria Abreu Lima no Nordeste – onde 90% da água que seria utilizada pelos métodos tradicionais foi economizada.

Especialistas garantem que a verdadeira “guerra civil”que se aproxima em SP não está sendo tratada com realismo por parte do poder público nem pela mídia – apesar do nível dos reservatórios caírem drásticamente.

Desde o segundo semestre de 2013, a irregularidade de precipitação atrelada ao consumo excessivo, à péssima…

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