Por Alexandre M F Lara

Antes de se avançar para o momento de seleção da estratégia mais indicada para um ativo em uma organização, torna-se importante e necessário compreender o conceito de estratégia em manutenção, destacando também os diversos elementos que as compõem.
De uma forma bastante objetiva, Estratégia de Manutenção é a própria tomada de decisão que define quando, como, por e em qual intensidade cada ativo deverá ser mantido, de forma a entregar o desempenho / a sua função projetada durante todo o seu ciclo de vida, com o menor risco e dentro do melhor custo global possível.
Ou seja, sob a ótica da Engenharia de Manutenção, uma estratégia não representa apenas a escolha do tipo de manutenção, como alguns possam imaginar, mas sim, resulta da combinação de diversos elementos, entre eles:
- A criticidade funcional do ativo
- As consequências da falha sobre este ativo (segurança, operação, meio ambiente, qualidade, custos e imagem)
- Modos e mecanismos com os quais a falha ocorrerá
- Nível de confiabilidade requerida ‘
- A disponibilidade operacional
- A existência de redundâncias / contingências
- A função do ativo e sua importância para o negócio
- Os objetivos estratégicos da organização
- A vida útil esperada
- Recomendações do fabricante
- Requisitos legais e/ou normativos
- Recursos humanos e tecnológicos existentes
- LCC – Custo do Ciclo de Vida
Ou seja, dependendo da combinação dos elementos acima, dois ativos idênticos podem ter estratégias completamente diferentes se estiverem inseridos em contextos operacionais distintos. Notem que apesar de aparentemente óbvio, este conceito se constitui em um dos mais desrespeitados em várias organizações, no momento em que planejamentos padrões são adotados sem uma análise pela área de engenharia, ou mesmo quando adotam formas ou modelos de estratégias “praticadas pelo mercado”.
Um outro fator importante é a evolução da área de Engenharia de Manutenção ao longo das últimas décadas, assim como a evolução das próprias estratégias aplicadas, dentro de um objetivo, foco e missão ajustados.
O texto está muito bom conceitualmente, mas acredito que podemos torná-lo mais fluido, técnico e elegante, eliminando algumas repetições e reforçando a lógica da construção da estratégia de manutenção. Além disso, faria pequenos ajustes para aproximá-lo da linguagem utilizada em normas como a ISO 55000 e em metodologias de Gestão de Ativos.
Dentro desse contexto e, conforme discutido nos artigos anteriores, a área de Planejamento, Programação e Controle da Manutenção (PPCM) deverá, em um primeiro momento, identificar e estruturar o conjunto de ativos que compõem o parque de manutenção da organização, conhecendo não apenas o seu estado ou condição operacional, mas também a sua importância para o negócio. Esse processo passa, necessariamente, pela classificação da criticidade funcional dos ativos, utilizando metodologias estruturadas e contando com a participação ativa dos especialistas e usuários internos, que detêm o conhecimento sobre os processos e as consequências decorrentes de eventuais falhas.
Não menos importante é o desenvolvimento de uma visão sistêmica das instalações, permitindo compreender não apenas os ativos principais, mas também todos os ativos secundários, subconjuntos e componentes que integram cada sistema. Em muitos casos, são justamente esses elementos, frequentemente negligenciados, que condicionam a confiabilidade e a disponibilidade operacional do sistema como um todo, uma vez que o desempenho esperado somente será alcançado quando todos os seus componentes estiverem aptos a cumprir suas respectivas funções.
Somente a partir desse entendimento abrangente será possível definir, de forma criteriosa, a estratégia de manutenção mais adequada para cada ativo ou sistema. Essa definição deverá considerar as diferentes metodologias e filosofias de manutenção atualmente disponíveis, selecionando a abordagem que melhor equilibre requisitos de confiabilidade, disponibilidade, segurança, conformidade legal, sustentabilidade e custo do ciclo de vida, sempre em consonância com os objetivos operacionais e estratégicos da organização.
Por fim, é importante lembrar que uma edificação e os sistemas que a compõem devem ser compreendidos como “elementos vivos”, sujeitos ao envelhecimento natural de suas infraestruturas, equipamentos e componentes, à degradação de seu desempenho ao longo do tempo e às constantes mudanças nas necessidades, expectativas e estratégias da própria organização.
Dessa forma, a estratégia de manutenção não deve ser encarada como uma decisão definitiva, mas sim como um processo dinâmico e evolutivo, que requer o monitoramento contínuo da condição dos ativos, da confiabilidade, da disponibilidade, dos custos e dos indicadores de desempenho, permitindo avaliar se os resultados obtidos permanecem aderentes aos objetivos inicialmente estabelecidos.
Cabe, portanto, à área de Planejamento, Programação e Controle da Manutenção (PPCM) acompanhar sistematicamente essas métricas, promover a revisão periódica das estratégias adotadas e liderar o redesenho dos modelos de manutenção sempre que mudanças tecnológicas, operacionais, regulatórias ou organizacionais assim o exigirem. Mais do que planejar e controlar atividades, o PPCM deve atuar como um agente permanente de melhoria contínua, assegurando que as estratégias de manutenção evoluam na mesma velocidade em que evoluem os ativos, os processos e o próprio negócio.
Um bom trabalho!











