Eficiência energética: um grande desafio na construção civil

Fonte: Procel Info

Por: Lara Martinho

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Brasil-Um dos setores com maior demanda de energia do mundo tem o desafio de aumentar a eficiência energética durante e após as construções

Mais de uma década depois de sofrer um grande racionamento de energia, o fantasma da escassez volta a assombrar o país. O setor da construção civil é um dos setores que mais demandam o uso de energia no país, utilizando quase a metade do total da energia produzida no Brasil. Seu principal desafio é aumentar a eficiência energética durante e após as obras.

No Brasil, de acordo com dados da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), as edificações consomem 42% de toda a energia gerada. O uso residencial corresponde por 23% do total produzido no país, enquanto os setores comercial e público respondem por 11% e 8%, respectivamente.

A utilização de tecnologias energeticamente eficientes, no entanto, ajuda a melhorar o gasto de energia em edificações e, em muitos casos, é possível verificar uma economia de mais de 50% do consumo. Um exemplo disso é a CasaE, Casa de Eficiência Energética da BASF, que agrupa inovações em construção sustentável e energeticamente eficiente. É o primeiro projeto em clima tropical, e já foi executado em outros lugares do mundo. A ideia é mostrar como a indústria pode contribuir com pesquisa e tecnologia para a sustentabilidade nas construções.

Em 2003, o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), lançou o Procel Edifica, com o objetivo de promover condições para o uso eficiente da eletricidade em edificações, reduzindo assim desperdício de energia e materiais e, consequentemente, o impacto ao meio ambiente. “A etiquetagem é voluntária e e por isso apenas as empresas mais preocupadas com o tema tem buscado a certificação para suas obras”, explica o professor e pesquisador, Roberto Lamberts, da UFSC.

“Acredito que a crise que passamos é um ótimo momento para ampliar a informação sobre a etiquetagem e buscar a compulsoriedade a médio prazo. O Governo aprovou a IN02 de 2014 que tornou a etiquetagem obrigatória para edifícios públicos federais (em nivel A) e deveria fazer o mesmo para os novos edifícios comerciais para que quem compra ou aluga uma sala saiba o potencial de eficiência que o edifício tem”, declara o professor Lamberts.

Segundo Marcos Novaes, presidente da Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon), o tema eficiência energética está diretamente conectado a sustentabilidade, que mantém três pilares: o ambiental; o econômico e o social. “A construção civil vem se moldando ao longo dos anos para cada vez mais agredir menos o meio ambiente, trazer empreendimentos cada vez mais agradáveis para a sociedade, assim como contextualizados no ambiente no qual estão envoltos e, o que pesa bastante, que seja economicamente viável para o construtor e cliente”, explica.

A energia, pondera Novaes, tem um impacto direto nestes três pilares. Na sua avaliação, o usuário deve sentir-se bem dentro do imóvel que ocupa, porém, o ambiente deve favorecer ao menor consumo possível de energia, proporcionando contas mais baratas e menos impacto ao meio ambiente.

O conceito de construção sustentável está amadurecendo e se consolidando no mercado. Diante do panorama, a indústria investe em novas medidas e tecnologias para trabalhar com o conceito de eficiência energética. Para Roberto Lamberts a pouca divulgação gera pouco interesse da população. Mas espera-se que a crise e a gestão da mesma pelo governo deixe a etiquetagem mais conhecida pelo publico e compulsória para muitos.

“Somos um país em desenvolvimento que precisa construir edificações para enfrentar os próximos 50 anos de forma eficiente”, pondera Lamberts.

As mudanças climáticas estão demonstrando que veremos extremos bem mais fortes e não podemos depender tanto de energia para garantir conforto e sobrevivência dentro dos nossos edifícios. Nosso clima é bastante ameno na maioria do Brasil e na maior parte do tempo, mas estamos vendo alguns edifícios projetados que não funcionam sem o consumo de grandes quantidades de energia e desprezam o clima ameno externo para se beneficiar na economia de energia e na sustentabilidade.

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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