Brasil ainda gasta pouco com infraestrutura, e qualidade cai

Fonte: Folha de São Paulo Online

Divulgação: SINAENCO

Acesse aqui a matéria em sua fonte.

O desempenho do Brasil na área de infraestrutura nos últimos anos foi pífio em comparação ao de países emergentes e desenvolvidos.

Dados levantados pelos economistas João Manoel Pinho de Mello, do Insper, e Vinícius Carrasco, da PUC-Rio, mostram que a qualidade da infraestrutura piorou em vários aspectos em anos recentes e que o volume de investimento ainda é baixo sob a perspectiva internacional.

Estatísticas do relatório de competitividade do Fórum Econômico Mundial indicam que a qualidade geral da infraestrutura brasileira teve recuo de 2,1% entre 2010 e 2014.

A pequena queda recente seguiu um período de alta a partir de meados da década passada, mas contrasta com o processo de melhoria contínua de outros países.

Para a média dos países emergentes acompanhados pelo Fórum, a qualidade geral da infraestrutura aumentou 10,2% entre 2010 e 2014, embora já partisse de um patamar acima do brasileiro. Tendências semelhantes aparecem em setores específicos (veja gráficos nesta página).

A percepção negativa em relação à situação da infraestrutura no país pode indicar que o aumento dos investimentos nos últimos anos não tem sido capaz nem de recuperar o desgaste sofrido pelas estruturas já existentes, como estradas e ferrovias.

“A piora na qualidade sugere que os investimentos não estão nem compensando a depreciação, o que é preocupante, já que precisamos ir muito além disso”, diz Mello.

Estimativa dos economistas Cláudio Frischtak e Katharina Davies indica que os investimentos do Brasil em infraestrutura atingiram o equivalente a 2,45% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2013.
Segundo os especialistas, o valor é, de fato, menor do que o mínimo necessário para compensar a depreciação, que seria de 3% do PIB.

COMPARAÇÃO

Apesar de ter aumentado nos últimos anos, os dispêndios com infraestrutura no Brasil são muito inferiores ainda ao de outros países, inclusive da América Latina.

No Peru, por exemplo, os investimentos em infraestrutura representavam cerca de 1,5% do PIB entre o início e meados da década passada. Entre 2008 e 2011, atingiram pouco mais de 4% do PIB, segundo dados levantados por Frischtak e Davies.

O Chile, embora já tivesse patamar mais elevado de gastos no setor, conseguiu aumentar mais seus investimentos de cerca de 4,5% para aproximadamente 5% do PIB no mesmo período.

Até mesmo as nações desenvolvidas -que possuem um estoque grande de infraestrutura construída em comparação a países emergentes- gastam mais do que o Brasil de forma geral.

Os dados analisados por Mello e Carrasco mostram que, até 2011, os países da OCDE (grupo que reúne principalmente países ricos) investiam mais do que o Brasil em áreas como rodovias, aeroportos e ferrovias.
“Os países da OCDE não precisam de investimentos altos pois já têm infraestrutura pronta. Nós deveríamos estar gastando muito mais do que eles”, afirma Mello.

CAUSAS

Para Carrasco, o nível ainda baixo de investimentos em infraestrutura no Brasil tem duas causas principais.

A primeira foi o grande foco no estímulo à demanda por bens e serviços em detrimento de incentivos ao aumento da oferta quando o país foi beneficiado pelo contexto internacional favorável antes da crise de 2008.

“Consumimos todo o maná externo que recebemos, em vez de aproveitar para também melhorar a infraestrutura que ficou sobrecarregada”, afirma o economista.

Outro problema, segundo Carrasco, foi a percepção de aumento do risco regulatório e institucional em anos recentes, com mudanças constantes de regras e interferência excessiva do governo.

“O governo relutou em deixar o investidor cobrar o retorno compatível com o risco que assumiria. Isso afastou investimentos privados”, diz.

Mais recentemente, o governo conseguiu aprimorar alguns modelos de concessões ao setor privado na área de rodovias, por exemplo.

Mas, na opinião de especialistas, há muitas barreiras ainda para que os investimentos ganhem a escala necessária. Para que o país tenha um crescimento sustentado de 4% ao ano, os gastos com infraestrutura deveriam atingir 4,5% do PIB.

Frischtak aponta como dificuldade a piora nas contas do setor público, que precisarão passar por um ajuste, limitando ainda mais o espaço para investimentos. Isso poderá abrir a porta para investimentos privados em maior escala, criando oportunidades de negócios.

Para tanto, porém, afirmam especialistas, são necessárias medidas para aumentar a confiança dos empresários no governo e para aprimorar os modelos de leilões.

Publicado em Cidades | Com a tag , | Deixe um comentário

Empresa combina eficiência energética com iniciativa social

Fonte: Fernanda Viviani para o PROCEL Info

Acesse aqui a matéria em sua fonte.

Rio de Janeiro – Sistemas fotovoltaicos atuam no âmbito da eficiência energética e possuem um futuro promissor no Brasil

Fernanda Viviani, para o Procel Info

Rio de Janeiro – Um relatório publicado pela Agência Internacional de Energia (IEA) mostrou que até 2050 o Sol será a maior fonte de eletricidade do mundo. Os sistemas fotovoltaicos terão capacidade de gerar até 16% da eletricidade. As placas fotovoltaicas devem ser instaladas em locais com boa incidência solar, o que favorece o Brasil para atuar neste setor. Quando utilizadas, a redução na conta de luz pode ser significativa, dependendo do tamanho do sistema instalado.

Dentro deste contexto, a Insolar é um negócio social dedicado à promoção e democratização do acesso à energia solar no Brasil através da instalação de painéis solares fotovoltaicos (FV) em comunidades de baixa renda e almeja contribuir com o desenvolvimento sustentável da tecnologia no país. Outra empresa que atua no setor é a Solarize, parceira da Insolar e promove capacitação e treinamento de mão-de-obra para o mercado de energia solar no Brasil.

O trabalho da Insolar é feito a partir da seleção das comunidades e beneficiários, estudo de viabilidade até a instalação dos sistemas fotovoltaicos, contando sempre com o engajamento comunitário. Assim, entre os possíveis beneficiários estão escolas, comerciantes, moradores, associações e cooperativas. Os indicadores que serão acompanhados pelo negócio social são energia limpa gerada pelos painéis solares, economia na conta de luz, economia com eficiência energética, grau de satisfação e capacitações de jovens.

Henrique Drumond é sócio da Insolar e administrador de empresas com experiência no mercado de energias alternativas e em negócios sociais. Com interesse em energias alternativas, preocupa-se em gerar valor para a sociedade e se empenha no empreendedorismo. Em entrevista para o Procel Info, destaca os benefícios dos sistemas fotovoltaicos e fala sobre a Insolar dentro do contexto de eficiência energética.

Procel Info – Qual o atual panorama de energia solar no Brasil e quais as perspectivas para o futuro?

Henrique Drumond: É interessante fazer paralelo com a Alemanha que é líder no mercado internacional. O Brasil, que possui território maior que Alemanha e quando comparada a ela possui incidência solar 40 vezes maior. Para fomentar a energia fotovoltaica são necessários novos incentivos como já ocorrem em outros países, além do aspecto tributário.

Procel Info – Qual a relação dos painéis solares fotovoltaicos com a eficiência energética?

A Insolar surgiu com ideia de promover a energia solar
e todos os benefícios relacionados com essa
geração de energia limpa

Henrique Drumond: Atualmente o investimento ainda é bastante significativo e para que seja otimizado é fundamental garantir a otimização correta de equipamentos eficientes. Não faz sentido investir alto com equipamentos que consomem muita energia para garantir o maior beneficio possível.

Procel Info: Como se dá o processo de democratização do acesso à energia solar no Brasil e quais os principais desafios encontrados no setor?

Henrique Drumond: A tecnologia é muito cara, a nossa proposta é utilizar recursos financeiros de diferentes fontes como co-funding, PIE , patrocinadores, entre outros. Uma solução encontrada foi utilizar recursos de diversas fontes para o custo dos beneficiários ser reduzido de tal forma que a economia mensal na sua conta de energia seja suficiente para pagar sua parcela do investimento.

Procel Info: Como surgiu a ideia de fundar a Insolar e quais os seus principais benefícios para a comunidade?

Henrique Drumond: A Insolar surgiu com ideia de promover a energia solar e todos os benefícios relacionados com essa geração de energia limpa. Além de fomentar eficiência energética e a redução da conta de luz, propomos que esta tecnologia seja implementada em parceria com as comunidades, promovendo conscientização ambiental e capacitação de mão de obra para o mercado em ascensão de energias limpas

Procel Info: Sobre os seus sistemas fotovoltaicos, como eles funcionam?

Henrique Drumond: Trata-se de sistemas customizados de micro inversor que oferecem vantagens por serem pequenas instalações que otimizam a geração de energia de cada painel, mesmo que um deles esteja com defeito.

Procel Info: Uma vez instalados nas residências, quem faz o acompanhamento ou de quem é a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos (painel fotovoltaico, inversores e baterias) em caso de mau funcionamento?

Henrique Drumond: A intenção é qualificar mão de obra de forma a gerar renda dentro da comunidade e contribuir para a autonomia dela, permitindo que a própria comunidade possa realizar a manutenção dos equipamentos.

Procel Info: Há preocupação em utilizar painéis com Selo Procel ?

Henrique Drumond: Com certeza. Buscamos em todos os nossos equipamentos os de maior índices de eficiência energética, no caso, aqueles com Selo Procel.

Publicado em Eficiência Energética, Sustentabilidade | Com a tag , | Deixe um comentário

Grandes centros urbanos do Sudeste poderão ter corte de luz no Verão

Fonte: O Tempo – BH

Divulgação: SINAENCO

Acesse aqui a matéria em sua fonte.

Na última quinta-feira (30), o Operador Nacional do Sistema (ONS) avisou a distribuidores e geradores de energia elétrica que há risco de serem necessários cortes seletivos de energia para garantir funcionamento em horários de pico, entre janeiro e fevereiro. As informações são do jornal “Folha de São Paulo”.

A adoção da medida seria necessária para manter os reservatórios em nível seguro e evitar os apagões durante os horários de maior movimento nos grandes centros urbanos. Para isto, as usinas deixariam de fornecer energia durante a madrugada. Os cortes afetariam as capitais do sudeste e a cidade de Campinas, em São Paulo.

Tal medida só será necessária caso as chuvas não sejam suficientes para abastecer os reservatórios ao nível de 30% em janeiro. Atualmente eles operam em 18,27%. Neste mesmo período no ano passado, eles estavam com 41,62% da capacidade.

O corte de parte do fornecimento de energia durante a madrugada permitiria o aumento do volume de águas nas represas.

O diretor de Planejamento e Programação da Operação do ONS, Francisco José Arteiro de Oliveira, afirmou durante reunião no Programa Mensal de Operação (PMO), que o órgão precisaria operar as usinas hidrelétricas de forma a prepará-las para os horários de pico.

Publicado em Cidades | Com a tag , | Deixe um comentário

Prédios verdes já atingem 10% do total do PIB de edificações no brasil

Fonte: SINDUSCON-RN

Estudo realizado pela EY (antiga Ernst & Young) revela que o valor das construções com projetos registrados para receber certificações de obra sustentável, os chamados “prédios verdes”, já atinge 10% do total do PIB de edificações. Em 2010, os “prédios verdes” não ultrapassavam 3% do PIB setorial. O valor total dos imóveis que reivindicam o selo sustentável atingiu R$ 16,6 bilhões no ano passado, em comparação com um PIB de edificações de R$ 163 bilhões no mesmo período.

O levantamento compreende dados sobre a movimentação econômica da construção verde no Brasil, evidenciando um aumento substancial da participação de empreendimentos sustentáveis na composição do PIB de Edificações ao longo dos últimos três anos.

Para Luiz Iamamoto, gerente sênior da EY, a busca pela certificação está presente em cada vez mais segmentos (como escolas, hospitais, estádios e edificações comerciais, entre outros), e até fundos imobiliários têm incluído a certificação como exigência para receber investimentos, o que vem impulsionando o mercado de construções verdes.

Publicado em Cidades, Eficiência Energética, Sustentabilidade | Com a tag , , | Deixe um comentário

Governo recusa pedido para uso de termoelétrica

Fonte: O Estado de SP / O Povo Online – Economia

Divulgação: SINAENCO

Acesse aqui a matéria em sua fonte.

O governo tem rejeitado pedidos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para acionar a última grande termoelétrica disponível no País, a usina de Uruguaiana, geradora de 639 megawatts (MW) de capacidade, instalada no Rio Grande do Sul, na fronteira do Brasil com a Argentina.

Perguntado sobre a necessidade de acionamento imediato de Uruguaiana, o presidente do ONS, Hermes Chipp, disse ontem que a geração da térmica seria importante para aliviar a pressão sobre os reservatórios das hidrelétricas. “Hoje, seria necessária. Qualquer geração térmica que tenha disponível no sistema é bem-vinda”, disse, em evento do setor elétrico.

“O sistema está precisando. Os governos (do Brasil e da Argentina) estão transacionando. É um pedido do ONS, que sempre solicita a geração térmica, qualquer que seja.” Para o Ministério de Minas e Energia, no entanto, o acionamento de Uruguaiana não seria tão relevante quanto o apontado pelo presidente do ONS, órgão técnico que é o responsável por garantir a segurança do abastecimento de energia em todo o País.

Duas semanas atrás, ao ser questionado sobre a usina, o ministério informou ao Estado que, “no momento, não há necessidade de acionamento da usina de Uruguaiana, tendo em vista que o submercado sul está vivenciando um período hidrológico bastante favorável”. Segundo o ministério, a geração de energia pelas usinas hidrelétricas da Região Sul – como Itaipu, que tem gerado 13% da energia de todo o País – dispensaria a necessidade de ligação da térmica.

Acordo

A ligação de Uruguaiana depende de um acordo entre os governo do Brasil e Argentina, para que o gás que alimenta suas turbinas entre pelo País vizinho. Em março e abril deste ano, a usina que pertence ao grupo AES Brasil foi acionada em caráter excepcional.

Em 2013, o governo também autorizou a ligação de Uruguaiana por dois meses, também por causa do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas. Fazia quatro anos que a usina não era ligada.

Uruguaiana tem sido abastecida por gás natural que entra no País pela Argentina. O insumo é importado pela Petrobrás no mercado internacional e enviado até o terminal de regaseificação de Bahía Blanca, no sul da Argentina. Dali, é levado por dutos instalados no país vizinho até a fronteira com o Brasil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Publicado em Cidades | Com a tag , , | Deixe um comentário

Conheça soluções para a crise da água em 6 cidades do mundo

Fonte: G1 Rondônia

Por: Paula Adamo Idoeta e Rafael Barifouse da BBC Brasil em SP

Acesse aqui a matéria em sua fonte.

A crise da água no Sudeste brasileiro, que afeta milhões de pessoas, desperta discussões sobre mudanças climáticas, consumo, investimentos e alternativas de abastecimento.

Diversas cidades do mundo também enfrentam ou enfrentaram desafios semelhantes, envolvendo seca, desperdício e excesso de consumo. A experiência delas pode servir de lição para São Paulo e as demais cidades brasileiras que sofrem com a falta dágua?

A BBC Brasil identificou seis cidades que tentam solucionar suas crises de abastecimento e perguntou ao Instituto Socioambiental (ISA) até que ponto as medidas se aplicariam à realidade paulista:

Pequim: transposição de água

A China está entre os 13 países listados pela ONU com grave falta dágua: com 21% da população mundial, o país tem apenas 6% da água potável do planeta.

Cerca de 400 cidades do país enfrentam obstáculos de abastecimento, e Pequim é uma delas: com uma população crescente, a capital já consome mais água do que tem disponível em seus reservatórios.

Além disso, diversos rios chineses secaram recentemente em decorrência de secas prolongadas, crescimento populacional, poluição e expansão industrial.

Para enfrentar a questão, a companhia de água de Pequim está apostando em um projeto multibilionário para redirecionar rios, o Projeto de Desvio de Água Sul-Norte, cuja primeira etapa deve ser concluída neste ano.

O objetivo é mover bilhões de metros cúbicos de água do sul ao norte (mais árido) anualmente ao longo de uma distância superior à que separa o Oiapoque do Chuí (extremos do Brasil), a um custo que deve superar os US$ 60 bilhões. Seria necessária a construção de 2,5 mil km de canais.

É viável em São Paulo? O governador paulista, Geraldo Alckmin, propôs uma obra de transposição para interligar o Sistema Cantareira à bacia do rio Paraíba do Sul – proposta polêmica, já que este último é a principal fonte de abastecimento do Estado do Rio de Janeiro, mas vista como “viável” pela Agência Nacional de Águas (ANA). O custo estimado é de R$ 500 milhões.

No entanto, para Marussia Whately, consultora em recurso hídricos do ISA (Instituto Socioambiental), São Paulo estaria avançando sobre outras fontes de água sem cuidar da água que tem disponível atualmente.

“Vamos investir em grandes obras antes de pensar na gestão das perdas de água, no consumo e na degradação das fontes de água atuais?”, questiona.

Perth (Austrália) – Dessalinização

Perth é a “cidade mais seca” entre as metrópoles da Austrália. Segundo a presidente da Western Australia Water Corporation, Sue Murphy, as mudanças climáticas ocorreram mais rápido e antes do que era esperado no oeste do país. “Nos últimos 15 anos, a água de nossos reservatórios foi reduzida para um sexto do que havia antes”, disse à BBC em junho.

A cidade construiu duas grandes estações para remover o sal da água coletada no Oceano Índico e torná-la potável.

Hoje, Perth obtém metade de sua água potável a partir do mar. Mas os ambientalistas criticam o processo por ser caro e demandar muita energia. Os moradores sentiram o impacto em suas contas de água, que dobraram de valor nos últimos anos.

A cidade também está fazendo experimentos com o sistema Gnangara, sua maior fonte hídrica subterrânea. Por uma década, Perth injetou nos aquíferos subterrâneos a água que foi usada pela população, já tratada. A água é filtrada naturalmente pelo solo arenoso e depois extraída para ser consumida pela população ou usada na irrigação agrícola. O teste foi considerado bem-sucedido, e um programa oficial foi estabelecido sua meta é obter desta forma 7 bilhões de litros por ano.

“Com um clima mais seco, precisamos ser menos dependentes de chuva, por isso apoiamos estes projetos”, disse Mia Davies, ministra de Água e Florestas do Leste da Austrália. Ao mesmo tempo, houve uma campanha pelo uso racional da água, o que fez com que a demanda por água hoje seja 8% menor do que em 2003, apesar de a população ter crescido mais de 30%.

É viável em São Paulo? A dessalinização não seria uma opção coerente, diz Whately, do ISA, já que São Paulo não é cidade costeira e o Brasil tem um enorme patrimônio de água doce. Ao mesmo tempo, já se fala em recorrer ao uso emergencial de água usada: o governo paulista anunciou nesta semana planos de construir uma Estação de Produção de Água de Reúso na zona sul de São Paulo.

Nova York – Proteção de mananciais
Uma das maiores cidades do mundo, Nova York iniciou nos anos 1990 um amplo programa de proteção aos mananciais de água, para prevenir a poluição nessas nascentes e, assim, evitar gastos volumosos com tratamento ou busca de novas fontes de abastecimento.

O projeto incluiu aquisição de terras pelo governo nas nascentes de água, com o objetivo de proteger sua vegetação e garantir que os lençóis freáticos continuassem a ser alimentados; assistência financeira a comunidades rurais nessa região em troca de cuidados com o meio ambiente; e mitigação da poluição nos mananciais. Com isso, a cidade conseguiu ampliar em décadas a vida útil de seus mananciais.

O programa também envolveu campanhas pela redução do consumo. Dados oficiais apontam que o consumo per capita da cidade era de 204,1 galões de água por dia em 1991 e caiu para 125,8 galões/dia em 2009.

É viável em São Paulo? Para Whately, trata-se da opção mais adequada para a realidade paulista: “A ideia (em Nova York) foi pensar o recurso que eles tinham disponíveis e cuidar deles, em vez de investir em obras”, diz.

Zaragoza (Espanha) – Conscientização e metas
Secas severas nos anos 1990 deixaram milhões de espanhóis temporariamente sem água. Mas um relatório da Comissão Europeia aponta que o maior problema no país não costuma ser a falta de chuvas, e sim “uma cultura de desperdício de água”.

A cidade de Zaragoza, no norte, encarou o problema com uma ampla campanha de conscientização em escolas, espaços públicos e imprensa pelo uso eficiente da água e o estabelecimento de metas de redução de consumo. Dos cerca de 700 mil habitantes, 30 mil se comprometeram formalmente a gastar menos água.

A estratégia incluiu incentivos para a compra de aparelhos domésticos econômicos (chuveiros, vasos sanitários, torneiras e máquinas de lavar louça eficientes, cujas vendas aumentaram em 15%); melhoria no uso da água em edifícios e espaços públicos, como parques e jardins; e cuidados para evitar vazamentos no sistema.

A meta estabelecida em 1997, de cortar o consumo doméstico de água em mais de 1 bilhão de litros água em um ano, foi atingida. Antes da campanha, diz a Comissão Europeia, apenas um terço das casas de Zaragoza praticava medidas de economia de água; ao final da campanha, eram dois terços. O consumo total caiu mesmo com o aumento no número de habitantes.

“O projeto mostrou que é possível lidar com a falta dágua em um ambiente urbano usando uma abordagem economicamente eficiente, rápida e ecológica”, diz o 2030 Water Resources Group, consórcio que reúne ONGs, governos, ONU e empresas em busca de soluções ao uso da água no mundo.

É viável em São Paulo? Não apenas viável como necessário, diz Whaterly, do ISA. “Se houvesse, por exemplo, um amplo programa de incentivos à aquisição de hidrômetros individuais (em vez de coletivos) nos edifícios de São Paulo, haveria uma economia brutal de água”, opina. “Também são necessários incentivos à construção de cisternas e sistemas individuais de reúso da água.”

Whately opina também que, ante a urgência da situação, a cidade precisa fixar metas e incentivos à redução do consumo mais duras do que as promovidas atualmente pela Sabesp – por exemplo, forçando consumidores maiores a cortar mais seu gasto de água e debatendo a imposição de multas a quem aumentou o consumo em plena estiagem.

Cidade do México – Novos aquíferos
Em junho, o presidente mexicano Enrique Peña Nieto afirmou que 35 milhões de habitantes do país têm pouca disponibilidade de água, tanto em qualidade como em quantidade.

Essa escassez é grave na própria capital, a Cidade do México, onde uma combinação de fatores como grande concentração populacional, esgotamento de rios e tratamento insuficiente da água devolvida ao solo causa extrema preocupação.

Em 2009, partes da cidade foram submetidas a racionamento de água após uma forte seca; e autoridades ouvidas pela imprensa local afirmam que, no ritmo atual, a cidade pode não ter água o suficiente em 2030.

Uma aposta da Cidade do México são aquíferos identificados no ano passado, cuja viabilidade está sendo estudada. Estão sendo perfurados poços para não apenas confirmar a existência das fontes subterrâneas de água, mas também avaliar sua qualidade para consumo humano.

Até 2016, as autoridades dizem que será possível saber se os aquíferos serão ou não uma alternativa de abastecimento para a megalópole. O problema, dizem, é que a perfuração, a 2 km de profundidade, deve sair muito mais cara do que perfurações de fontes mais próximas à superfície.

E muitos dizem que, além de buscar novas fontes, a cidade precisa aprender a evitar os desperdícios do sistema e a utilizar a água atual de forma mais eficiente.

É viável em São Paulo? Para Whately, o uso de água subterrânea já é uma realidade para diversas cidades brasileiras, mas, por serem importantes reservas de água para o futuro, seu uso deve ser racional. “Ainda temos pouco conhecimento a respeito de nossos aquíferos. Eles precisam ser melhor estudados e mais bem cuidados por exemplo, há locais em que o uso de agrotóxicos (no solo) pode prejudicá-los.”

Cidade do Cabo (África do Sul) – Guerra do desperdício

Khayelitsha, a 20 km da Cidade do Cabo, é uma das maiores “townships” (como são chamadas as comunidades carentes sul-africanas) do país, com 450 mil habitantes. No início dos anos 2000, uma investigação descobriu que cerca de uma piscina olímpica era perdida por hora por causa de vazamentos em sua rede de água.

A principal fonte de desperdício eram os encanamentos domésticos, muitos dos quais deficientes e incapazes de resistir alta à pressão de bombeamento da água.

Com isso, aumentavam o consumo de água e também a inadimplência, já que muitas pessoas não conseguiam pagar as contas mais caras. Além disso, a Cidade do Cabo vive sob constante ameaça de falta dágua.

Um projeto-piloto de US$ 700 mil, iniciado em 2001, funcionou em duas frentes: a reforma de encanamentos ruins e a redução da pressão da água fornecida ao bairro, para evitar os vazamentos.

Segundo um relatório do governo da Cidade do Cabo, o projeto custou menos de US$ 1 milhão e o investimento foi recuperado em menos de seis meses.

Com a iniciativa, aliada a uma campanha de conscientização para evitar desperdícios, Khayelitsha conseguiu economizar 9 milhões de metros cúbicos de água por ano, equivalente a US$ 5 milhões, segundo o consórcio 2030 Water Resources.

É viável em São Paulo? Para Whately, as perdas de água também são um “problema enorme” em São Paulo. “Quase um terço da água é perdida (no caminho ao consumidor), o que equivale a todo o volume do Guarapiranga e Alto Tietê juntos”, diz. “Em alguns casos, encanamentos antigos podem contribuir para isso. Seria necessário mapear, com a ajuda das prefeituras, áreas onde há grandes perdas de água e identificar os motivos.”

Publicado em Cidades | Com a tag , , , | Deixe um comentário

Edificações habitacionais são obrigadas a cumprir as normas de desempenho

Fonte: Equipe TARGET

Por: Maurício Ferraz de Paiva

Acesse aqui o artigo em sua fonte.

Normas estabelecem os requisitos obrigatórios das edificações

A NBR 15575 traduz tecnicamente as necessidades da sociedade brasileira no que se refere à aquisição de imóveis, levando em conta o estágio técnico e socioeconômico do Brasil. A norma também tem como característica estabelecer as responsabilidades de cada um dos responsáveis por uma edificação: construtores, incorporadores, projetistas, fabricantes de materiais, administradores condominiais e os próprios usuários.

Sendo uma norma de desempenho, estabelece os parâmetros técnicos para vários requisitos importantes de uma edificação, como desempenho acústico, desempenho térmico, durabilidade, garantia e vida útil, e determina um nível mínimo obrigatório para cada um deles. Seu maior diferencial é estabelecer como metodologia o conceito de desempenho da edificação, alinhado às tendências internacionais, em complemento às antigas normas prescritivas. A abordagem de desempenho está ligada ao comportamento que se espera de uma edificação quando em uso, dentro de determinadas condições, tendo como foco as necessidades de seus usuários ao longo do seu tempo de vida útil.

Essa norma, sob o título geral “Edificações habitacionais – Desempenho”, contém as seguintes partes: Parte 1: Requisitos gerais; Parte 2: Requisitos para os sistemas estruturais; Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos; Parte 4: Requisitos para os sistemas de vedações verticais internas e externas – SVVIE; Parte 5: Requisitos para os sistemas de coberturas; e Parte 6: Requisitos para os sistemas hidrossanitários. Importante saber que as normas de desempenho são estabelecidas buscando atender aos requisitos dos usuários, que, no caso dessa norma, referem-se aos sistemas que compõem edificações habitacionais, independentemente dos seus materiais constituintes e do sistema construtivo utilizado. Seu foco está nos requisitos dos usuários para o edifício habitacional e seus sistemas, quanto ao seu comportamento em uso e não na prescrição de como os sistemas são construídos.

A forma de estabelecimento do desempenho é comum e internacionalmente pensada por meio da definição de requisitos (qualitativos), critérios (quantitativos ou premissas) e métodos de avaliação, os quais permitem a mensuração clara do seu atendimento. As normas prescritivas estabelecem os requisitos com base no uso consagrado de produtos ou procedimentos, buscando o atendimento aos requisitos dos usuários de forma indireta. Por sua vez, as normas de desempenho traduzem os requisitos dos usuários em requisitos e critérios, e são consideradas complementares às normas prescritivas, sem substituí-las.

A utilização simultânea delas visa atender aos requisitos do usuário com soluções tecnicamente adequadas. No caso de conflito ou diferença de critérios ou métodos entre as normas requeridas e essa norma, deve-se atender aos critérios mais exigentes. A abordagem dessa norma explora os conceitos que muitas vezes não são considerados em normas prescritivas específicas, por exemplo, a durabilidade dos sistemas, a manutenibilidade da edificação e o conforto tátil e antropodinâmico dos usuários.

Todas as disposições contidas nessa norma aplicam-se aos sistemas que compõem edificações habitacionais, projetados, construídos, operados e submetidos a intervenções de manutenção que atendam às instruções específicas do respectivo manual de uso, operação e manutenção. Os requisitos do usuário relativos à segurança são expressos pelos seguintes fatores: segurança estrutural; segurança contra fogo; segurança no uso e na operação.

Os requisitos do usuário relativos à habitabilidade são expressos pelos seguintes fatores: estanqueidade; desempenho térmico; desempenho acústico; desempenho lumínico; saúde, higiene e qualidade do ar; funcionalidade e acessibilidade; conforto tátil e antropodinâmico. Os requisitos do usuário relativos à sustentabilidade são expressos pelos seguintes fatores: durabilidade; manutenibilidade; impacto ambiental.

Além disso, a avaliação de desempenho busca analisar a adequação ao uso de um sistema ou de um processo construtivo destinado a atender a uma função, independentemente da solução técnica adotada. Para atingir esta finalidade, na avaliação do desempenho é realizada uma investigação sistemática baseada em métodos consistentes, capazes de produzir uma interpretação objetiva sobre o comportamento esperado do sistema nas condições de uso definidas. Em função disso, a avaliação do desempenho requer o domínio de uma ampla base de conhecimentos científicos sobre cada aspecto funcional de uma edificação, sobre materiais e técnicas de construção, bem como sobre os diferentes requisitos dos usuários nas mais diversas condições de uso.

Recomenda-se que os resultados desta investigação sistemática, que orientaram a realização do projeto, sejam documentados por meio de registro de imagens, memorial de cálculo, observações instrumentadas, catálogos técnicos dos produtos, registro de eventuais planos de expansão de serviços públicos ou outras formas, conforme conveniência. Os requisitos de desempenho derivados de todos os requisitos dos usuários podem resultar em uma lista muito extensa; neste sentido é conveniente limitar o número de requisitos a serem considerados em um contexto de uso definido. Dessa forma, nas Seções 7 a 17 são estabelecidos os requisitos e critérios que devem ser atendidos por edificações habitacionais.

Por exemplo, cabe ao fornecedor de sistemas caracterizar o desempenho de acordo com essa norma. Convém que fabricantes de produtos, sem normas brasileiras específicas ou que não tenham seus produtos com o desempenho caracterizado, forneçam resultados comprobatórios do desempenho de seus produtos com base nessa norma ou em normas específicas internacionais ou estrangeiras.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria – mauricio.paiva@target.com.br

Publicado em Artigos Tecnicos, Normas Técnicas | Com a tag , , | Deixe um comentário

A gestão do sistema de manutenção de edificações

Fonte: Equipe TARGET

Acesse aqui o artigo em sua fonte.

 

Os requisitos para a gestão de manutenção de edificações

A manutenção de edificações é um tema cuja importância tem crescido no setor da construção civil, superando, gradualmente, a cultura de se pensar o processo de construção limitado até o momento quando a edificação é entregue e entra em uso. As edificações são o suporte físico para a realização direta ou indireta de todas atividades produtivas, e possuem, portanto, um valor social fundamental.

Todavia, as edificações apresentam uma característica que as diferencia de outros produtos: elas são construídas para atender seus usuários durante muitos anos, e ao longo deste tempo de serviço devem apresentar condições adequadas ao uso que se destinam, resistindo aos agentes ambientais e de uso que alteram suas propriedades técnicas iniciais. É inviável sob o ponto de vista econômico e inaceitável sob o ponto de vista ambiental considerar as edificações como produtos descartáveis, passíveis da simples substituição por novas construções quando seu desempenho atinge níveis inferiores ao exigido pelos seus usuários.

Isto exige que se tenha em conta a manutenção das edificações existentes, e mesmo as novas edificações construídas, tão logo colocadas em uso, agregam-se ao estoque de edificações a ser mantido em condições adequadas para atender as exigências dos seus usuários. Estudos realizados em diversos países, para diferentes tipos de edificações, demonstram que os custos anuais envolvidos na operação e manutenção das edificações em uso variam entre 1% e 2% do seu custo inicial.

Este valor pode parecer pequeno, porém acumulado ao longo da vida útil das edificações chega a ser equivalente ou até superior ao seu custo de construção. A omissão em relação à necessária atenção para a manutenção das edificações pode ser constatada nos frequentes casos de edificações retiradas de serviço muito antes de cumprida a sua vida útil projetada (pontes, viadutos, escolas), causando muitos transtornos aos seus usuários e um sobrecusto em intensivos serviços de recuperação ou construção de novas edificações.

Seguramente, pior é a obrigatória tolerância, por falta de alternativas, ao uso de edificações cujo desempenho atingiu níveis inferiores ao mínimo recomendável para um uso saudável, higiênico ou seguro. Tudo isto possui um custo social que não é contabilizado, mas se reflete na qualidade de vida das pessoas. Economicamente relevante no custo global das edificações, a manutenção não pode ser feita de modo improvisado e casual.

Ela deve ser entendida como um serviço técnico, cuja responsabilidade exige capacitação apurada. Para se atingir maior eficiência na administração de uma edificação ou de um conjunto de edificações, é necessária uma abordagem fundamentada em procedimentos organizados em um sistema de manutenção, segundo uma lógica de controle de custos e maximização da satisfação dos usuários com as condições oferecidas pelas edificações.

A NBR 5674 de 07/2012 – Manutenção de edificações – Requisitos para o sistema de gestão de manutenção estabelece os requisitos para a gestão do sistema de manutenção de edificações. A gestão do sistema de manutenção inclui meios para: preservar as características originais da edificação; e prevenir a perda de desempenho decorrente da degradação dos seus sistemas, elementos ou componentes.

As edificações existentes antes da vigência desta norma devem se adequar ou criar os seus programas de manutenção atendendo ao apresentado nesta norma. Os anexos desta norma apresentam exemplos de modelos não restritivos ou exaustivos a serem adaptados em função das características específicas da edificação.

A organização do sistema de manutenção deve levar em consideração as características das edificações, tais como: tipo de uso das edificações; tamanho e complexidade funcional das edificações; número e dispersão topográfica das edificações; e as relações especiais de vizinhança e implicações de entorno. O sistema de manutenção deve ser orientado por um conjunto de diretrizes que estabeleçam: padrões de operação a fim de assegurar a preservação do desempenho previsto em projeto e do valor das edificações ao longo do tempo; fluxo de informações, entre os diversos intervenientes do sistema, incluindo formas de comunicação entre o proprietário e os usuários, ou entre os proprietários e os condôminos; e as incumbências e autonomia de decisão dos intervenientes.

Recomenda-se que os indicadores de eficiência da gestão do sistema da manutenção sejam periodicamente avaliados e estabelecidos de forma a contemplar, por exemplo, alguns dos seguintes parâmetros: atendimento ao desempenho mínimo das edificações mencionado nas NBR 15575-1 a NBR 15575-6; prazo acordado entre a observação da não conformidade e a conclusão de serviço de manutenção; tempo médio de resposta às solicitações dos usuários e intervenções de emergência; satisfação dos usuários da edificação; cumprimento dos preceitos legais, regulamentos e normas aplicáveis; periodicidade das verificações efetivas vis-a-vis com as estabelecidas no manual de operação, uso e manutenção; e balanço entre os recursos disponíveis e os recursos necessários para a realização dos serviços de manutenção. Dependendo do empreendimento outros parâmetros podem ser utilizados.

Na organização do sistema de manutenção deve ser prevista infraestrutura material, financeira e de recursos humanos, capaz de atender os diferentes tipos de manutenção necessários, a saber: manutenção rotineira, caracterizada por um fluxo constante de serviços simples e padronizados, para os quais somente são necessários equipamentos, materiais e pessoal.

Publicado em Artigos Tecnicos, Normas Técnicas | Com a tag , , , | Deixe um comentário

“Crise de água em São Paulo é a ponta do iceberg”, afirma especialista do WWF

Fonte: Engenharia Compartilhada

Por: Márcia Sousa – Redação CicloVivo

Acesse aqui a matéria diretamente no site da Engenharia Compartilhada.

Mesmo que muitos não percebam, o problema de gestão da água é nacional.

Marcia Sousa – Redação CicloVivo

Na última quarta-feira (29), diversas ONGs apresentaram as ações que têm sido implementadas em busca da segurança hídrica de São Paulo. Além disso, por meio do projeto “água@sp”, os grupos se uniram para formular um conjunto de propostas a serem colocadas em prática pela sociedade civil, instituições e governos, tanto no âmbito estadual quanto federal.

São 20 sugestões divididas para curto e médio/longo prazo, que podem ser vistas aqui. Durante o evento, Glauco Kimura, coordenador do programa Água para Vida da ONG WWF, salientou que o problema de gestão da água é nacional. “A crise de São Paulo é a ponta do iceberg que está por vir se a gente não agir rapidamente”, afirma.

Em seguida, relatou um dos problemas que atinge a capital do país. “Moro em Brasília e vou dizer para vocês, esse modelo de gestão que acontece em São Paulo, acontece nas metrópoles brasileiras. Em Brasília não está faltando água ainda, mas o reservatório do Descoberto, que abastece 70% do Distrito Federal, já está totalmente invadido, ocupado e poluído e a partir do ano que vem o governo vai começar a captar água do Lago Paranoá”, contou ele.

Kimura já defendeu diversas vezes que uma das questões preocupantes é a falta de conhecimento da população sobre o tema. Segundo uma pesquisa realizada pela organização WWF, em 2012, mais de 80% dos entrevistados nunca tinham ouvido falar da ANA (Agência Nacional de Águas), o órgão que regula os recursos hídricos.

O gerente técnico do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Carlos Thadeu, endossa essa ideia e salienta a restrição de informações a que alguns órgãos impõem aos consumidores. “Com base no código do consumidor, temos o direito de saber se falta ou não água. E, por isso, lançamos a campanha ‘Tô sem água’. Pedimos à Sabesp que informasse a população voluntariamente, embora legalmente seja um dever”.

Thadeu defende que para resolver qualquer crise é preciso primeiro reconhecer que ela existe. “Acho que a questão da informação é fundamental. A briga pela informação vai continuar”, garante.

 

Publicado em Cidades | Com a tag , | Deixe um comentário

Cisterna de bioconcreto revoluciona reuso da água

Fonte: Engenharia Compartilhada

Acesse aqui a matéria em sua fonte.

Invenção armazena chuva e faz tratamento à base de nanopartículas de prata, ajustando pH e tornando-a potável, sem usar produtos químicos

Massa Cinzenta

Conhecida internacionalmente por produzir design através do concreto, a empresa húngara Ivanka decidiu atuar na área de sustentabilidade e desenvolveu um projeto inovador para captação e tratamento de água: construiu uma cisterna que recolhe a chuva e a torna adequada para o consumo humano. O protótipo da invenção, batizada de RainHouse, foi apresentado em abril de 2014 no Salão de Design de Milão, na Itália. “É um projeto visionário que capta a essência da água, que é a chuva. É uma fonte melhor que lagos, rios ou águas minerais do subsolo. A tecnologia que desenvolvemos fornece acesso à água potável com baixo custo e deixa a menor pegada ecológica possível no processo”, diz o casal Andras e Katalin Ivanka.

Os inventores denominaram o concreto usado na RainHouse de bioconcreto. No entanto, trata-se de um material distinto do bioconcreto desenvolvido por pesquisadores da Universidade Técnica de Delft, na Holanda, e que utiliza bactérias em sua composição para promover a regeneração do material. No caso do concreto usado para fabricar a cisterna, foram injetadas nanopartículas de prata coloidal entre seus agregados. Os agentes microscópicos, junto com a tubulação de aço inoxidável que capta a chuva, são os responsáveis por ajustar o pH da água para consumo humano. Além disso, a prata coloidal age contra uma ampla faixa de microorganismos, como bactérias (Gram-positivas/negativas), fungos e vírus. Por fim, filtros instalados na cisterna concluem o processo de purificação da água.

 Viável no Brasil

Após o encerramento da feira em Milão, o protótipo foi levado para a região do Lago Balaton, na Hungria, onde será testado durante um ano. Depois desse período, os inventores planejam produzir novas unidades e instalá-las em regiões pobres, principalmente na África. “A limitação do sistema é que ele precisa de certa quantidade de chuva, o que significa que locais mais secos não poderão usá-lo. Mesmo assim, segundo calculam seus criadores, metade dos países do planeta terá condições de adotar a cisterna de bioconcreto”, avalia José Rossa Júnior, coordenador de STI (Soluções em Tecnologia e Inovação) do SENAI de Ponta Grossa – unidade especializada em construção civil.

Engenheiro José Rossa Júnior: tecnicamente, nada impede que sistema seja usado no Brasil

Engenheiro civil e mestre em ciência dos materiais, José Rossa Júnior considera que não há nenhum impedimento técnico para que a RainHouse possa, futuramente, ser agregada ao sistema de tratamento de água do Brasil, por exemplo. “Precisa apenas ser realizado um estudo de viabilidade, a fim de comparar o modelo tradicional de captação com esse novo modelo. Mas a tecnologia da cisterna de bioconcreto permite que ela seja instalada mesmo em casas já existentes, variando apenas seu design de acordo com a arquitetura. O tamanho também é adaptável. Significa que ela pode abastecer desde uma habitação até uma fábrica”, analisa.

Segundo a Ivanka, o protótipo da cisterna custou 23 mil euros – o equivalente a 69 mil reais. Deste valor, o tratamento do concreto com nanopartículas consumiu aproximadamente 2/3 dos recursos. A empresa, no entanto, considera que a produção em larga escala pode baratear o equipamento em, no mínimo, 40%, já incluídos os sistemas de captação, tratamento e distribuição da água.

 Foto: Protótipo da cisterna que capta e trata a água da chuva, apresentado no Salão de design de Milão 

Entrevistados

Engenheiro civil José Rossa Júnior, coordenador de STI (Soluções em Tecnologia e Inovação) do SENAI de Ponta Grossa – unidade especializada em construção civil

Ivanka Design (via assessoria de imprensa, por email)

Contatos

jose.rossa@pr.senai.br

info@ivankaconcrete.com

 

 

Publicado em Sustentabilidade | Com a tag , , | Deixe um comentário