Cisterna de bioconcreto revoluciona reuso da água

Fonte: Engenharia Compartilhada

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Invenção armazena chuva e faz tratamento à base de nanopartículas de prata, ajustando pH e tornando-a potável, sem usar produtos químicos

Massa Cinzenta

Conhecida internacionalmente por produzir design através do concreto, a empresa húngara Ivanka decidiu atuar na área de sustentabilidade e desenvolveu um projeto inovador para captação e tratamento de água: construiu uma cisterna que recolhe a chuva e a torna adequada para o consumo humano. O protótipo da invenção, batizada de RainHouse, foi apresentado em abril de 2014 no Salão de Design de Milão, na Itália. “É um projeto visionário que capta a essência da água, que é a chuva. É uma fonte melhor que lagos, rios ou águas minerais do subsolo. A tecnologia que desenvolvemos fornece acesso à água potável com baixo custo e deixa a menor pegada ecológica possível no processo”, diz o casal Andras e Katalin Ivanka.

Os inventores denominaram o concreto usado na RainHouse de bioconcreto. No entanto, trata-se de um material distinto do bioconcreto desenvolvido por pesquisadores da Universidade Técnica de Delft, na Holanda, e que utiliza bactérias em sua composição para promover a regeneração do material. No caso do concreto usado para fabricar a cisterna, foram injetadas nanopartículas de prata coloidal entre seus agregados. Os agentes microscópicos, junto com a tubulação de aço inoxidável que capta a chuva, são os responsáveis por ajustar o pH da água para consumo humano. Além disso, a prata coloidal age contra uma ampla faixa de microorganismos, como bactérias (Gram-positivas/negativas), fungos e vírus. Por fim, filtros instalados na cisterna concluem o processo de purificação da água.

 Viável no Brasil

Após o encerramento da feira em Milão, o protótipo foi levado para a região do Lago Balaton, na Hungria, onde será testado durante um ano. Depois desse período, os inventores planejam produzir novas unidades e instalá-las em regiões pobres, principalmente na África. “A limitação do sistema é que ele precisa de certa quantidade de chuva, o que significa que locais mais secos não poderão usá-lo. Mesmo assim, segundo calculam seus criadores, metade dos países do planeta terá condições de adotar a cisterna de bioconcreto”, avalia José Rossa Júnior, coordenador de STI (Soluções em Tecnologia e Inovação) do SENAI de Ponta Grossa – unidade especializada em construção civil.

Engenheiro José Rossa Júnior: tecnicamente, nada impede que sistema seja usado no Brasil

Engenheiro civil e mestre em ciência dos materiais, José Rossa Júnior considera que não há nenhum impedimento técnico para que a RainHouse possa, futuramente, ser agregada ao sistema de tratamento de água do Brasil, por exemplo. “Precisa apenas ser realizado um estudo de viabilidade, a fim de comparar o modelo tradicional de captação com esse novo modelo. Mas a tecnologia da cisterna de bioconcreto permite que ela seja instalada mesmo em casas já existentes, variando apenas seu design de acordo com a arquitetura. O tamanho também é adaptável. Significa que ela pode abastecer desde uma habitação até uma fábrica”, analisa.

Segundo a Ivanka, o protótipo da cisterna custou 23 mil euros – o equivalente a 69 mil reais. Deste valor, o tratamento do concreto com nanopartículas consumiu aproximadamente 2/3 dos recursos. A empresa, no entanto, considera que a produção em larga escala pode baratear o equipamento em, no mínimo, 40%, já incluídos os sistemas de captação, tratamento e distribuição da água.

 Foto: Protótipo da cisterna que capta e trata a água da chuva, apresentado no Salão de design de Milão 

Entrevistados

Engenheiro civil José Rossa Júnior, coordenador de STI (Soluções em Tecnologia e Inovação) do SENAI de Ponta Grossa – unidade especializada em construção civil

Ivanka Design (via assessoria de imprensa, por email)

Contatos

jose.rossa@pr.senai.br

info@ivankaconcrete.com

 

 

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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