A importante diferença e interdependência entre operar e manter um sistema

Se olharmos algumas literaturas ou mesmo artigos que tratam da área de manutenção (industrial, predial, hospitalar, missão crítica, etc), observaremos em vários deles o uso da expressão “Operação & Manutenção”, ou somente “O&M”, algumas vezes confundida com “Organizações e Métodos”.

Por outro lado, vê-se a utilização da expressão “Manutenção Predial ou Industrial” na grande maioria dos textos que lemos…

Mas…, o por que desta diferenciação? Ou melhor…, existe de fato uma diferença entre ambos?

Para que possamos esclarecer esta dúvida, torna-se inicialmente necessário compreender o que cada uma destas palavras quer dizer…

Operação

Dependendo de seu segmento e da dinâmica implementada em sua edificação ou site, seja ele industrial, predial, etc, entende-se como “Operação”o conjunto de atividades complementares à área de manutenção, que têm por objetivo assegurar com que os sistemas sob a sua responsabilidade “funcionem ou desempenhem”de forma adequada, assegurando o conforto e a produtividade de seus ocupantes e usuários.

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Figura Canstockphoto – Direito de divulgação adquirido pela A&F

Em outras palavras, uma “Operação” poderá englobar:

  • Ligar e desligar equipamentos e sistemas, ainda que através de um sistema central de automação
  • Monitorar esta operação de equipamentos e sistemas, através de rondas periódicas (monitoramento de parâmetros operacionais) que poderão envolver ou não intervenções pontuais de um operador para ajustar sua operação (funcionamento ou desempenho)
  • Manobrar sistemas ou equipamentos conforme a lógica operacional implementada em seu site
  • Abastecer equipamentos, seja com água, diesel, etc
  • Executar a manutenção autônoma (atividades sob a responsabilidade do operador)
  • Acompanhar terceiros e visitantes em áreas técnicas com acesso restrito
  • Acompanhar prestadores de serviço durante a sua atividade no site (que requeiram acompanhamento e supervisão)
  • Atender chamados e solicitações de usuários, solicitações estas que poderão ou não se converter em atividades de manutenção (corretivas não planejadas)

Vejam que, dependendo de seu site e de sua realidade, este conjunto de atividades demandará uma carga horária de trabalho significativa sobre a sua equipe, obrigando muitas vezes a existência e a contratação da atividade de um ou mais operadores.

Em outras palavras, será importantíssimo que você analise esta “volumetria de serviços” para entender a sua necessidade no que se refere a operação.

Manutenção

Já a manutenção, engloba o conjunto de atividades e rotinas que visam manter equipamentos e sistemas em adequadas condições, assegurando:

  • Sua condição operativa, ou seja, apto à cumprir toda a sua lógica operacional e funções previstas em projeto, o que demandará cuidados com comandos, sistemas de controles, etc..
  • Sua operação integrada com outros sistemas, a exemplo do que ocorre com a automação central ou local, ou mesmo com a atuação de um SDAI (Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio)
  • Seu desempenho, ou melhor, o seu cumprimento das metas e parâmetros previstos em projeto e pelos fabricantes. Como exemplo, entende-se como desempenho de um ventilador que atue na exaustão de banheiros a “manutenção” de sua vazão de exaustão em todos os pontos ou grelhas instaladas; isto quer dizer que o desempenho nem sempre se restringirá ao equipamento, mas também ao sistema no qual está inserido (dutos, tubulações, registros, válvulas, lógica operacional, etc). Entenda-se também que itens como níveis de ruído ou vibração (durante a sua operação) deverão atender aos parâmetros aceitáveis previstos em projeto ou em normas específicas.
  • Seu consumo de recursos ou insumos para a operação dentro dos parâmetros previstos em projeto (água, combustível, gás, etc)
  • Sua limpeza e organização, assim como de sua área técnica
  • Sua longevidade, assegurando-se obrigatoriamente o desempenho

Vejam também que a atividade de se “manter” um equipamento ou sistema jamais deverá se ater somente a sua aparência ou cumprimento de sua lógica funcional ou operacional!

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Figura Canstockphoto – Direito de divulgação adquirido pela A&F

Para que estas “metas” acima sejam atingidas, o profissional de manutenção se utilizará de estratégias e tipos de manutenção já conhecidos e que serão abordados oportunamente neste blog…

  • Manutenção Preventiva
  • Manutenção Preditiva
  • Manutenção Detectiva
  • Manutenção Autônoma
  • Manutenção Corretiva Não Planejada
  • Manutenção Corretiva Planejada

Assim como já apontamos para o item “Operação”, a atividade de “Manutenção” também demandará uma expressiva carga horária de trabalho e a utilização de profissionais de diversas modalidades (habilitações e capacitações), requerendo uma enorme atenção quanto a definição de atividades e rotinas, assim como os tempos e fatores envolvidos para o correto dimensionamento.

Portanto, observem que embora se trate de atividades distintas, ambas possuem uma forte interdependência, haja vista que um equipamento ou sistema poderá não desempenhar se for mal operado, assim como uma operação inadequada poderá induzi-lo a falha.

Observem também que o seu dimensionamento da equipe envolvida na O&M será tremendamente afetado se você desconsiderar a carga horária imposta e necessária para opera-lo.

Por mais óbvio que isto pareça, esta diferenciação entre operar e manter um sistema ou instalação acaba se tornando um fator determinante para o mau dimensionamento de equipes orgânicas ou inorgânicas (próprias ou terceirizadas), levando-o à maus resultados em relação ao seu custo operacional (OPEX) e a satisfação de seu usuário ou cliente.

Por Alexandre M F Lara

Diretor da A&F Partners Consulting

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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3 respostas para A importante diferença e interdependência entre operar e manter um sistema

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