Prédios tortos de Santos: como eles estão hoje?

Eu tive a oportunidade de conviver um pouco com esta situação em alguns prédios, durante a minha infância e adolescência passadas em Santos, de onde tenho muitas saudades….

Vejam a reportagem abaixo e o espetacular trabalho de engenharia para recuperar os edifícios “tortos”.

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Fonte: Engenharia Compartilhada

Por: Altair Santos MTB 2330

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Erro conceitual sobre construção de fundações em terreno mole fez com que 65 prédios saíssem do prumo no litoral paulista. Todos foram recuperados

Edifícios construídos entre os anos 1950 e 1960 passaram a afundar na orla de Santos a partir dos anos 1970. Ao todo, 65 prédios ficaram com suas estruturas comprometidas, por causa de fundações rasas. Elas foram fincadas a menos de dez metros, para sustentar os empreendimentos em um terreno instável, onde os fragmentos mais sólidos de rocha estão a mais de 50 metros de profundidade. Resultado: com o passar do tempo, foram geradas inclinações de 50 cm a 1,80 m entre a base e o topo. Somente em 2004, com a participação do poder público, e com estudos técnicos de universidades como USP e Unisanta, pensou-se em soluções para os prédios, que continuaram habitados.

Os estudos levaram 8 anos, e em 2012 se deu um longo trabalho de recuperação que terminou em 2014. Os prédios, enfim, foram salvos. O engenheiro civil Carlos Maffei, professor-titular da USP, que atuou na recuperação de alguns edifícios – entre eles, os blocos A e B do Núncio Malzoni -, avaliou o problema como “um erro conceitual de fundação”. A cidade de Santos tem solo considerado de má qualidade para a construção de edifícios e, nesse aspecto, só perde para a Cidade do México, capital do México. Isso exige que os prédios tenham fundações profundas, ainda que o custo seja mais elevado. “Imagino que na época os construtores e incorporadores se convenceram que poderiam fazer fundações rasas. Eles sabiam que iam recalcar, mas imaginavam que ia recalcar uniformemente, o que não ocorreu”, diz Maffei.

Macacos hidráulicos

A solução para realinhar os edifícios foi usar macacos hidráulicos. No caso do conjunto Núncio Malzoni, cada prédio pesava em torno de 6.500 toneladas. Foram necessários catorze equipamentos hidráulicos para levantar as estruturas. A cada dia, elas subiam cinco milímetros. Os vãos eram preenchidos com chapas de aço, que serviram de suporte quando se alcançava o prumo e os macacos eram retirados. Em seguida, foram construídas estrutura de concreto que ligaram as vigas antigas às novas estacas – essas, apoiadas em uma camada de solo rochoso a 55 metros de profundidade. “O grande desafio era movê-los sem abalar a estrutura. Usamos também sete vigas de concreto abraçando os pilares, para que todo o bloco fosse deslocado, sem trincar”, explica Carlos Maffei.

A recuperação de cada prédio teve o custo de R$ 1,5 milhão. Antes de serem reaprumados, os edifícios se tornaram “atração turística” na orla de Santos. Alguns moradores pensaram em colocar à venda seus imóveis, mas eles chegaram a desvalorizar até 75%, o que inviabilizou a possibilidade de venda. Por serem edificações antigas, construídas há mais de 50 anos, e ocupadas em sua maioria por idosos, a melhor solução – sob o aspecto econômico e social – foi realinhá-los. “A operação foi relativamente simples, mas porque houve coordenação. Sem isso, poderia ter o superespecialista em estruturas, o superespecialista em macaqueamento e o superespecialista em solos que não iria dar certo”, estima o professorCarlos Maffei, que também já atuou em obras semelhantes em Novo Hamburgo-RS e Recife-PE.

Confira aqui como foi a operação para realinhar os prédios.

 

Entrevistado

Engenheiro civil Carlos Eduardo Moreira Maffei, professor-titular da USP (Universidade de São Paulo) e responsável técnico da Carlos E M Maffei Engenharia S C Ltda

 Contatos

maffei@maffeiengenharia.com.br

http://www.maffeiengenharia.com.br

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

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MRV Engenharia lança selo ambiental para certificação de empreendimentos e canteiros de obras

Fonte: Engenharia Compartilhada

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Serão mais de 26 recomendações obrigatórias para obtenção da certificação

A MRV Engenharia lançou no último dia 22 de junho dois selos ambientais que certificarão os empreendimentos habitacionais e os canteiros de obras da construtora. Intitulados “Lar Verde Lar” e “Obra Viva”, os selos são uma iniciativa pioneira da companhia para incentivar a adoção de práticas sustentáveis, a melhoria contínua da qualidade dos residenciais e da comunidade no entorno.

Para obtenção do selo “Lar Verde Lar” que certifica o empreendimento, o residencial deverá atender a 16 recomendações obrigatórias, como a realização de melhorias no entorno, instalação de coleta seletiva e dispositivos de economia de água e energia como medidores individualizados, sensores de presença e descargas com sistema dual flush. Já o selo “Obra Viva” que certifica o canteiro, prevê que a obra apresente 11 critérios obrigatórios, como sistema de aquecimento solar, gestão de resíduos, utilização de madeira certificada e reaproveitamento de água, entre outros.

Segundo Flávio Vidal, gestor executivo de Inovação e Qualidade da MRV, os selos serão concedidos para as obras iniciadas a partir do próximo mês. “Já estão sendo realizados treinamentos com os engenheiros para prepará-los para o atendimento as especificidades do selos e faremos, ao início de cada obra, uma palestra para sensibilização dos colaboradores. Serão ministrados também, na entrega dos empreendimentos certificados, treinamentos para os síndicos para orientação sobre os sistemas implantados no residencial”, afirmou o gestor. Para garantir que os itens sejam cumpridos, auditorias periódicas serão realizadas pela equipe de Qualidade da MRV.

O gestor informa que a economia de água é uma das prioridades da certificação e que além dos ganhos ambientais, o resultado financeiro para o condomínio é muito significativo. A previsão é que os empreendimentos que possuírem o selo ambiental da MRV tenham uma economia na conta de água, somente com a utilização do sistema dual flush, por exemplo, de 48,5%. “Os selos são motivo de grande orgulho para nós, especialmente por atuarmos no segmento de imóveis econômicos, que normalmente não são contemplados por iniciativas como essa. Nossa expectativa é de que 100% dos empreendimentos e canteiros sejam certificados, a partir da implantação”, afirmou o gestor.

As obras certificadas serão identificadas por meio de placas sinalizadoras no local, e os clientes poderão reconhecer os empreendimentos que possuírem o selo por meio do memorial descritivo do imóvel.

A MRV Engenharia

Fundada em outubro de 1979, em Belo Horizonte, a MRV Engenharia é líder nacional no mercado de imóveis econômicos. Em 35 anos de atividades, vendeu mais de 250 mil unidades. É a única construtora brasileira presente em mais de 130 cidades de 19 Estados e no Distrito Federal. No primeiro trimestre ano de 2015 a companhia vendeu 9.040 unidades e lançou 6.282 imóveis.

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Costa Rica passou 1º semestre com quase 100% de energias renováveis

Fonte: Portal G1

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A Costa Rica completou a primeira metade do ano com 98,55% de sua energia elétrica gerada a partir de fontes renováveis, uma marca histórica para o país, informou o Instituto Costa-riquenho de Eletricidade (ICE).

Dados do Centro Nacional de Controle de Energia do ICE revelaram que a matriz energética do país se abasteceu de água, sol, vento, geotérmica e biomassa e apenas 1,45% foi gerada com a queima de combustíveis fósseis.

“Contar com uma matriz elétrica diversa permite aproveitar com a maior eficiência às condições atmosféricas, ao mesmo tempo em que se reduz as emissões de gases nocivos e se propicia um impacto positivo da estabilidade das tarifas”, comentou Carlos Obregón, presidente executivo do ICE.

Em 2014, o país centro-americano usou fontes térmicas (combustíveis) para gerar 10,34% de sua eletricidade e o ICE espera reduzi-lo a 2,9% no fim deste ano, informou a instituição em um comunicado.

Do total da energia elétrica usada nos primeiros seis meses do ano, 73,26% provêm de fontes hídricas, 13,05% de geotérmica (calor da terra), 10,86% eólica, 1,36% de biomassa e 0,02% solar, todas elas renováveis. O 1,45% restante é a geração térmica, que não é renovável.

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Conta de luz na Grande São Paulo aumenta 113% em 13 meses

Fonte: PROCEL Info

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Dados da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco) revelam que com os novos aumentos aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta terça-feira (30) na tarifa da Eletropaulo – de 17,04% para consumidores de baixa tensão (residências) e de 11,73% para os consumidores de alta tensão (indústrias) – a conta de luz das residências mais do que dobrou em apenas 13 meses (113%) e as indústrias pagarão em média 95% a mais pela energia.

“Esse é um momento decisivo para o setor energético brasileiro, apenas em 2015 foram quatro reajustes: em janeiro com a revisão do reajuste tarifário e com a implementação da bandeira tarifária, que afetou todo o País, em março com o aumento “emergencial” da mesma bandeira tarifária e agora por conta da revisão tarifária anual. É inaceitável que o consumidor tenha um custo deste em um país que deveria ter abundância de energia. O Brasil tem um potencial de economia de R$ 13,6 bilhões nos consumidores finais (indústria, comércio, serviço e residencial) a partir da implantação de projetos de eficiência energética. O desperdício atual alcança a marca 52 mil GWh (Gigawatts-hora) ou 60% de tudo que é gerado na hidrelétrica de Itaipu”, explica o presidente da Abesco, Rodrigo Aguiar.

O novo aumento da Eletropaulo passa a valer a partir do dia 4 de julho de afetará 6,7 milhões de unidades consumidoras na região metropolitana da capital paulista.

* Com informações da assessoria de imprensa da Abesco

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Dispositivo criado pela USP aquece água com o calor da geladeira

Fonte: Procel Info

Por: Lara Martinho

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Cada vez mais preocupados com o esgotamento de recursos naturais devido a sua utilização inadequada ou excessiva e pensando em alternativas para aumentar a eficiência energética de aparelhos domésticos e comerciais, pessoas preocupadas com o futuro energético procuram novas soluções e tecnologias para o nosso consumo. Pensando nisso, um aluno da Escola Politécnica da USP, com ajuda de seu professor, desenvolveu uma geladeira que resfria alimentos, esquenta água do chuveiro e das torneiras e ainda gasta menos energia em seu funcionamento.

O projeto foi desenvolvido como trabalho de conclusão de curso do aluno da USP, Lucas Zuzarte, sob orientação do professor José Roberto Simões Moreira, que é o coordenador do Laboratório de Sistemas Energéticos Alternativos (Sisea) do Departamento de Engenharia Mecânica da Poli-USP. Zuzarte realizou um estudo dentro do projeto de Pesquisa & Desenvolvimento de eficiência energética em postos de combustíveis de São Paulo. Nessa pesquisa, descobriu-se que parte da energia elétrica dos aparelhos de ar condicionado das lojas de conveniências era consumida em função do calor lançado pelas geladeiras comerciais, conhecidos como balcões frigoríficos.

Com essa informação, o objetivo foi de criar uma forma para aproveitar o calor rejeitado pelas geladeiras de uma forma eficiente e que reduzisse a carga do sistema de ar condicionado. Segundo o professor José Simões, o objetivo foi plenamente alcançado e acabou gerando um produto com mais funcionalidades e com vantagens técnicas e econômicas.

O projeto deu tão certo que a Poli-USP patenteou a tecnologia e pretende apresentar a inovação para os fabricantes de geladeiras que poderiam oferecer essa tecnologia como opcional na compra do eletrodoméstico. Potencial de mercado é o que não falta. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), só no Brasil existem mais de 50 milhões de refrigeradores em uso.

O professor Simões vai além e diz que esse sistema poderia ser empregado não só nas geladeiras da linha branca e balcões frigoríficos comerciais, como inclusive no ar condicionado.

Simões diz que até o momento apenas um fabricante de balcões frigoríficos procurou mais informações sobre a nova tecnologia, mas os entendimentos ainda não avançaram. “Estamos aguardando o fabricante interessado em adquir a patente para utilização”, explica Simões.

“Basicamente, o sistema que desenvolvemos capta o calor que é naturalmente produzido no processo de refrigeração”, resume Simões. Na prática, funciona assim: no processo de circulação do gás refrigerante da geladeira, o gás é aspirado pelo compressor e comprimido, o que resulta em aumento da pressão e temperatura do gás. Daí ele prossegue para um condensador — uma espécie de serpentina que fica na parte posterior da geladeira doméstica, onde o calor é dissipado.

“O que fizemos foi aproveitar a energia térmica gerada no processo de compressão, que atinge cerca de 60 °C”, explica. “Inserimos um tanque de água entre o compressor e o condensador permitindo, assim, que o calor do gás quente fosse transferido para a água em vez de ser dissipado para o ambiente em que se encontra a geladeira”, acrescenta.

Segundo os testes realizados com uma geladeira comercial de 565 litros e um tanque de 25 litros acoplado ao sistema, a economia seria superior a R$35 ao mês em comparação ao uso de aquecedores elétricos. Além de aumentar a eficiência energética de performance do refrigerador em mais de 13% e o consumo de energia do compressor ser reduzido de 7 a 18%, segundo os testes realizados em laboratório.

A capacidade de aquecimento do equipamento, no entanto, depende de algumas variáveis. “Da potência da geladeira e do regime de uso do refrigerador”, resume Simões.

Por outro lado, o custo de todos os equipamentos do sistema não é alto. No caso de um sistema com tanque de 25 litros, o retorno do investimento ocorreria em cerca de um ano. Simões pondera que o processo é mais eficiente em refrigeradores comerciais por causa da potência dos aparelhos. No caso de utilização de energia para aquecimento de água em residências a redução no valor da conta de luz ficaria entre 15 e 20%. Caso alguém se interesse em implantar o sistema em sua residência, que segundo o professor é muito prático e fácil, esta não gastaria mais de R$ 400, contratando um técnico em refrigeração e incluindo material e mão de obra.

Simões reconhece que sistemas similares existam em outros país, mas desconhece o uso desse equipamento, especificamente lá fora, e é otimista em dizer que essa nova tecnologia poderia ser empregada em todo o país.

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Uma nova Paris

Fonte: Valor Online

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Projeto do escritório franco-brasileiro Triptyque, integrante do consórcio formado pelo Instituto Urbem, para o prédio Morland: imóvel de 40 mil m2 está entre as áreas mais cobiçadas Prédios totalmente construídos com materiais reciclados, o que inclui o cimento, ou que integram o conceito de “agricultura urbana”, com estufas, que permitirão aos moradores terem sua horta.

Esses são apenas alguns exemplos dos inúmeros projetos apresentados por arquitetos do mundo todo, inclusive do Brasil, na concorrência lançada pela prefeitura da capital francesa para “reinventar Paris”, como é chamada a nova operação de urbanismo, na qual a palavra de ordem é “inovação”, o principal critério na escolha dos vencedores. “Os projetos serão selecionados em virtude da inovação e de sua utilidade e não em relação ao preço oferecido. É a primeira vez que é lançada uma concorrência desse tipo, em que as novas ideias são mais importantes do que quem vai pagar mais”, afirma Jean-Louis Missika, adjunto da Prefeitura de Paris – equivalente a secretário municipal -, responsável pelo urbanismoarquitetura e desenvolvimento econômico da capital francesa.

Na prática, foi dada carta branca aos interessados para “inventar o urbanismo do século XXI” na cidade. “Os modos de vida mudam em grande velocidade e os prédios devem se adaptar a isso”, diz Missika. O Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole (Urbem), organização não governamental sediada em São Paulo, é um dos concorrentes do projeto. Com parceiros da iniciativa privada, o Urbem é o único competidor brasileiro no evento, entre grupos de 15 países, como Alemanha, Japão e Holanda (leia mais na pág. 20). A concorrência foi lançada em 23 áreas em Paris, localizadas em nove distritos, os “arrondissements”. A oferta de áreas, que totalizam cerca de 150 mil m2 de construção, é bastante variada: subestação de energia, estação ferroviária abandonada, prédios históricos que eram antigas residências de nobres (os chamados “hôtels particuliers”) e também terrenos vazios, que ainda existem em zonas mais periféricas da cidade.

O consórcio brasileiro coordenado pelo Urbem apresentou propostas para 12 áreas. “Não há uma cidade no mundo que tenha ousado o que estamos fazendo agora. Estamos vivendo um momento histórico”, declarou a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, ao apresentar o projetoRéinventer Paris a cerca de 200 arquitetos e empreendedores imobiliários em novembro. Na primeira fase, em janeiro, foram apresentadas 815 candidaturas e 650 foram aceitas. O Morland visto de outro ângulo: às margens do rio Sena, esse edifício com ares soviéticos entre a Île Saint-Louis e o Marais oferece um panorama excepcional da cidade Desse total, 372 passaram à ação, em maio, com propostas oficiais. Em meados de julho serão divulgados os nomes dos três ou quatro candidatos, no máximo, para cada uma das 23 áreas da concorrência, escolhidos por um júri formado por representantes da prefeitura, de grupos políticos da assembleia municipal e de especialistas.

A seleção final será feita por um júri internacional, que anunciará os vencedores em janeiro. As obras poderão começar em seguida, segundo a prefeitura. Críticos costumam dizer que diferentemente de cidades como Londres, por exemplo, Paris se tornou ultrapassada, congelada no tempo, com muitos prédios históricos e monumentos emblemáticos, sem grandes inovações arquitetônicas desde a Torre Eiffel, há mais de um século. No ano passado, foi inaugurada a Fundação Louis Vuitton de arte contemporânea, realizada pelo arquiteto Frank Gehry. O prédio é considerado o mais revolucionário construído na capital nas últimas décadas, depois da pirâmide do Louvre. Com Reinventar Paris, a prefeitura quer criar “modelos da cidade do futuro” em termos de arquitetura, de novas utilizações do espaço urbano e de inovação ambiental. “Esse projeto se baseia na ideia de que é necessário transformar Paris, uma cidade de patrimônio histórico.

É preciso dar uma segunda vida a certos prédios e para isso é preciso inovar do início ao fim do processo de construção ou de renovação do local”, afirma Missika. Na visão da prefeitura, o campo da inovação é “imenso” e vai desde as formas para levantar recursos, como o financiamento coletivo (“crowdfunding”), aos materiais e uso de espaços como telhados e subsolos e inclui, claro, o desempenho energético, com prédios que consomem pouca energia, e ambiental. A utilização dos prédios também requer inovação, observa Missika. “Hoje existem novas maneiras de trabalhar, a distância ou em espaços de coworking [escritório compartilhado]. Também na área comercial há mudanças, como os showrooms compartilhados por diferentes empresas”, afirma. Isso se aplica ainda a novas formas de moradia, onde jardins, hortas e dependências da casa podem ser divididos entre os residentes ou ainda a “habitação participativa”, onde os moradores definem com os arquitetos o futuro projeto do prédio, acrescenta. Por isso, a prefeitura privilegia projetos que sigam as mudanças do modo de vida urbano, com prédios inteligentes que possam ser compartilhados, ter sua utilização transformada e vários tipos de uso ao mesmo tempo – moradia, comércio, escritórios e atividades culturais.

Um dos exemplos que se inserem nesse objetivo, entre as propostas recebidas, é o de criar uma residência para estudantes que se transformaria em hotel durante as férias escolares. “Há uma grande diversidade de propostas. Os resultados vão além das nossas expectativas”, ressalta Missika. “Há ideias arquitetônicas muito interessantes, mas nossa prioridade é o aspecto inovador dos projetos.” Apesar da liberdade total na elaboração das propostas, a prefeitura, em alguns casos, exige a criação de moradias no local. Estão previstas cerca de 500 a 600 habitações. Algumas das 23 áreas inspiraram mais os candidatos e receberam maior número de propostas. É o caso do prédio Morland, antiga sede da Secretaria de Segurança Pública de Paris com ares de imóvel soviético, às margens do rio Sena, entre a Île Saint-Louis e o bairro do Marais. Com 40 mil m2 (superfície disponível rara em Paris), ele oferece uma vista excepcional da cidade. Uma das áreas que mais atraíram candidaturas foi a subestação elétrica Voltaire, construída no início do século passado e tombada pelo patrimônio histórico, nas proximidades do Cemitério Père-Lachaise, visitado por turistas do mundo todo.

No local, a prefeitura deseja a criação de um cinema “popular e de qualidade”, baseado em reflexões sobre “novas modalidades de funcionamento de um cinema”. Três antigas residências de nobres e membros da grande burguesia (os “hôtels particuliers”) deverão ser transformadas seguindo regras da preservação do patrimônio. Um dos imóveis, construído entre os séculos XVII e XVIII, foi a casa da marquesa de Sévigné – cujas cartas se tornaram clássicos da literatura francesa – e fica na badalada rue des Francs-Bourgeois, no Marais. Outra, do século XV e tombada pelo patrimônio histórico, com 2 mil m2, no local da antiga faculdade de medicina, fica a poucos menos da Catedral Notre-Dame. Alguns projetos desafiam a imaginação, como é o caso da área na Porte des Ternes sobre a “marginal parisiense” (o “périphérique”), onde será construído um “prédio-ponte” sobre o sistema viário, de acordo com a prefeitura.

Os vencedores da concorrência poderão escolher se desejam comprar ou alugar os terrenos, informa Missika. Segundo ele, a participação do setor privado não resulta das atuais dificuldades financeiras da prefeitura, decorrentes da diminuição dos repasses efetuados pelo governo, que já provocam neste ano um rombo de € 300 milhões para fechar o orçamento de 2016. “Não é a primeira vez que lançamos projetos com fundos privados. A administração municipal tem um patrimônio enorme. Nós compramos mais do que vendemos.” A prefeitura anunciou, no fim do ano passado, que projeta vender anualmente € 200 milhões em bens imobiliários durante a gestão de Anne Hidalgo, que vai até 2020. É também até essa data, esperam as autoridades municipais, que deverão estar finalizadas as obras do Reinventar Paris.

A iniciativa se refere apenas a terrenos intramuros (no interior do sistema viário “périphérique”). Em 2016, a prefeitura prevê, segundo Missika, lançar uma nova concorrência desse tipo em áreas periféricas da cidade. Pelo visto, a “cidade patrimônio” vai ter muitas mudanças e inovações pela frente.

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Energia, crise e perspectivas

Fonte: Valor Online

Por: José Eduardo Moreira

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A crise no setor elétrico brasileiro e, principalmente, o aumento na conta de energia do consumidor, são assuntos que têm sido discutidos com frequência na mídia. O problema que enfrentamos hoje não pode ser creditado apenas à natureza. Decisões políticas desacertadas, atrasos na implantação de obras estruturantes e fragilidades no cumprimento do planejamento muito contribuíram para este momento de dificuldades.

Somente a pouca chuva precipitada no ano de 2014 não justifica os aumentos nas contas dos consumidores, em grande parte devidos ao uso quase ininterrupto das usinas térmicas a plena capacidade desde outubro de 2012. O maior motivo é a falta de implantação dos empreendimentos hidrelétricos conforme o planejado.

Em 2012 tivemos uma afluência de 90 % da média histórica e, em 2013, foi verificada uma afluência hidrológica compatível com essa média. Quanto ao ano de 2014, apesar da baixa pluviosidade, no período histórico já ocorreram outros oito anos com índices pluviométricos inferiores.

É preciso manter diversificada a matriz de energia, mantendo como base a hidrelétrica, por ser de menor custo 

As dificuldades que enfrentamos são, na verdade, consequência de algumas políticas equivocadas do governo federal e a conta dessas falhas ainda será cobrada ao longo dos próximos dois ou três anos. Podemos dizer que o não cumprimento dos Planos Decenais de Expansão da Geração e da Transmissão fez com que a situação chegasse a esse nível. Vejamos alguns pontos que nos levaram aos problemas que estamos enfrentando: 1- Atrasos nas licitações e nas implantações de usinas hidrelétricas, retardando o início da operação comercial destes empreendimentos; 2- descompasso entre os cronogramas de geração e transmissão de usinas hidrelétricas e de parques eólicos; 3- falta de incentivo à implantação de Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs (usinas de até 30 megawatts); 4- incertezas ambientais e socioambientais quando da licitação das usinas hidrelétricas e das linhas de transmissão; 5- baixas tarifas nos leilões de usinas hidrelétricas, que não consideram os elevados riscos na implantação desses empreendimentos, o que tem afugentando o investidor privado nacional e internacional; 6 – falta de um programa mais agressivo voltado para o uso eficiente e racional da energia elétrica; 7 – falta de incentivo à geração distribuída e, por fim, 8 – falta de leilões regionais para as usinas eólicas e PCHs. Ao analisar cada um desses pontos, conseguimos ter uma visão um pouco mais ampla da situação.

Os prazos reais para a conclusão dos estudos de viabilidade e respectivos estudos ambientais, necessários para a realização de leilões para as concessões de usinas hidrelétricas e sistemas de transmissão, não são considerados corretamente nos planos de expansão, gerando, deste modo, atrasos nos processos de licitações.

Se tivéssemos construído as usinas e os sistemas de transmissão estipulados nos planos decenais do setor elétrico, não ficaríamos tão dependentes da operação das usinas térmicas e seu uso seria em menor escala, reduzindo assim os custos de geração. O caso mais recente de atraso em linha de transmissão é o da Usina Hidrelétrica Teles Pires, com 1.820 MW de potência, com três unidades já concluídas, mas sem a linha de transmissão para escoar a energia.

Outro problema para a construção de novas hidrelétricas, conforme já abordado acima, é o baixo teto das tarifas estipuladas nos leilões. Ele afugenta investidores privados e a tendência, caso não se reverta este quadro, é a de somente empresas estatais, que atualmente não têm disponibilidade financeira para implantar todos os novos empreendimentos necessários para o atendimento da demanda futura, participarem da expansão do setor.

Josette Goulart/Valor

Outro aspecto importante é a geração de energia a partir de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), que poderia contribuir para a redução da crise, ainda que parcialmente, mas que o governo tem relegado a um plano secundário. As PCHs são próximas aos centros consumidores, com baixo impacto ambiental e menores prazos de construção. Há mais de 150 projetos prontos para serem construídos, dependendo apenas do governo colocar tarifas que viabilizem sua construção. Mas pouco tem sido feito.

Na questão das usinas eólicas, um problema a ser considerado é a localização dos novos parques geradores. O governo tem feito licitações privilegiando apenas áreas com melhores ventos, localizadas principalmente no Nordeste e no Rio Grande do Sul e, com isso, está concentrando a construção dessas unidades em poucos locais.

O Brasil tem dimensões continentais. Então, se pensarmos nos custos de transmissão e nas perdas de energia, desde as áreas de geração até o centro de consumo, localizado na região Sudeste, por exemplo, podemos dizer que seria mais econômico construir usinas em áreas com ventos um pouco inferiores, porém mais próximas aos grandes centros de carga.

Igual raciocínio se aplica à geração distribuída, em especial a produzida por fonte solar. Ou seja, produzir próximo ao ponto de consumo é mais econômico e causa menos impacto ambiental.

Não podemos esquecer também a precipitada Medida Provisória 579 – lei 12.873 – que além de não reduzir a tarifa em 20 % de forma sustentável, aumentou ainda mais a insegurança do investidor privado.

Soluções para a crise energética existem. É necessário que o governo reveja algumas de suas ações para dar atratividade e segurança ao investidor privado. É preciso manter diversificada a matriz de energia, continuando como base a energia hidrelétrica, por ser de menor custo, renovável, e devido ao grande potencial existente ainda não explorado. Completaria a matriz energética as energias eólicas e térmicas.

Além disso, é preciso reforçar e estimular a geração distribuída e os programas de eficiência energética. Assim poderemos ter um futuro sem susto e um país mais sustentável.

José Eduardo Moreira, engenheiro civil, é diretor da Academia Nacional de Engenharia (ANE), ex-professor da UnB e presidente da PCE Engenharia

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Grupas divulga o local de sua próxima reunião em SP

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Reunião Grupas: MASP – Museu de Artes de São Paulo
Data: 23 / 07 / 2015
Hora: 08:30 ás 12:00hs

Tema: RETROFIT do Sistema de Ar Condicionado,
viabilidade técnica e econômica.

Local: Av. Paulista, 1578
Próximo à estação Trianon MASP do Metrô ( Linha Verde )

Estacionamento(s): Convênio com Progress Park Estacionamento
Avenida Paulista, 1636 (R$15,00 por de 3 horas)

Palestra: RETROFIT DO SISTEMA DE AR CONDICIONADO –
 Viabilidade Ténica e Econômica.
Atmosfera, Energia, Certificação Leed, Vida Nova…..

Palestrantes: Ademir Barchetta
Diretor Geral – Air Conditioning

Carlos Alberto Durazzo
Gerente Comercial – Air Conditioning

                           Antonio Jimenez
Gerente de Marketing – Air Conditioning

                           Marcia P. Davis
Diretora Técnica da Empresa NOVVA SOLUTIONS

                           James E. Davis
LEED AP BD+C – Diretor Técnico da Empresa NOVVA
SOLUTIONS ( Acreditado LEED nos USA)

Venha participar dessa imperdível reunião do GRUPAS e saber mais sobre importantes assuntos relacionados ao tema.

Conheça o nosso anfitrião: www.acts.net.br

Ah, não se esqueça: “A RAZÃO DO GRUPAS É VOCÊ“.

Bernadino Costa
Presidente

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Expandir energia solar

Fonte: Diário do Nordeste

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A crise energética, provocada pela falta de chuvas nas regiões das usinas hidrelétricas, tem estimulado a busca de soluções para evitar situações vexatórias, com risco para o desabastecimento de áreas altamente povoadas. Os lagos artificiais, alimentadores de geração energética, estão se aproximando dos níveis mínimos tolerados para a água acumulada.

Como a recarga demora, em média, uma década de invernos regulares, o governo federal passou a adotar soluções práticas e de curto e médio prazos para a montagem de esquemas sucedâneos da energia gerada pela água. Uma das saídas, em avançada etapa de análise, se refere ao emprego da energia solar, com absorção de novas tecnologias disponíveis no mercado externo.

O Ministério das Minas e Energia confirma a realização de estudos nessa área visando a ampliar a capacidade de geração do setor elétrico. O plano objetiva transformar os maiores reservatórios das hidrelétricas do País em grandes “fazendas” de painéis solares. Para tanto, pretende-se espalhar milhares de metros quadrados de boias com painéis solares sobre o espelho dágua das usinas. Há também tecnologia internacional de painéis fotovoltaicos disponível no mercado e o governo estuda o sistema criado em parceria pela França e China.

Atualmente, as turbinas das hidrelétricas não podem produzir grande volume de energia em decorrência da escassez das água das chuvas. Com o emprego da alternativa da energia solar, haveria um reforço na geração, disponível a qualquer época e, mais que isso, a possibilidade de conter a evapotranspiração. Assim, duas soluções seriam alcançadas por esses meio de custo razoável.

Projeções das equipes encarregadas de testar o emprego desse recurso apontam resultados plenamente satisfatórios, pois o uso dos flutuadores solares sobre os reservatórios poderão acrescentar ao parque energético nacional até 15 mil megawatts (MW) de potência. Este volume é superior à capacidade máxima das hidrelétricas de Belo Monte e Jirau, em construção na Amazônia.

As prospecções alcançaram avanços expressivos, com a escolha de duas barragens controladas por empresas estatais da Eletrobrás para estrear o plano. Na Bahia, a partir do Rio São Francisco, o alvo escolhido é o lago de Sobradinho, o maior do País em área alagada. Na Amazônia, os painéis serão instalados na barragem da usina de Balbina, detentora de outro grande lago artificial.

Pelo modelo de operação do plano, a partir das represas dessas duas hidrelétricas, os painéis flutuantes serão conectados diretamente às subestações de energia das usinas, simplificando o processo de geração e distribuição e reduzindo os custos operacionais.

O gerenciamento dos painéis solares e a geração de energia serão feitos diretamente pela Chesf e Eletronorte, controladoras de Sobradinho e de Balbina. A escolha dessas duas empresas para a montagem experimental do plano alternativo de energia solar, a partir dos lagos artificiais, decorreu de sua condição de companhias estatais.

Os resultados proporcionados pelos lagos de Sobradinho e de Balbina irão definir a expansão da iniciativa para outras hidrelétricas. O governo espera acionar os primeiros painéis solares flutuantes ainda neste ano. Essa inovação vem interessando, também, duas empresas privadas em Minas Gerais.

País ensolarado, o Brasil precisou de uma crise hídrica para acordar ou descobrir que sempre esteve diante de seus olhos uma riqueza sustentável.

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Curso gratuito de eficiência energética

Fonte: Correio 24 Horas

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