Empresa criada dentro de universidade faz sucesso com a produção de forno solar

Fonte: Envolverde

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São Paulo – Uma empresa criada dentro da Universidade Metodista de Piracicaba, no interior de São Paulo, fabrica fornos que funcionam à base de energia solar. Hoje, a Pleno Sol anda com as próprias pernas e já produziu 150 unidades para clientes de todo o Brasil.

“O forno solar permite a economia de recursos naturais. Mais importante: funciona para o preparo de alimentos em locais onde não há recursos naturais, como o semiárido brasileiro ou a África”, explicou Nicolau Bussolati, fundador da Pleno Sol, ao PME Estadão.

Segundo a empresa, o forno “permite o máximo aproveitamento da energia solar independentemente do horário, época do ano ou região”, além de ser potente, versátil e durável.

Antes restrita aos laboratórios de universidades, a biotecnologia ganha cada vez mais espaço fora do ambiente acadêmico, graças a sua capacidade de solucionar uma gama de problemas sociais. “Questões ambientais têm chamado a atenção de empreendedores para o desenvolvimento de produtos e serviços que resolvam desafios enfrentados pelas cidades”, destacou André Viola Ferreira, líder de mercados estratégicos da Ernst & Young.

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Selo Procel Edificações é mais uma ferramenta para a eficiência energética

De: Procel Info

Por: Tiago Reis

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Brasil – Imóveis certificados podem ter um potencial de economia de energia de até 50%

Brasil – As construções brasileiras agora contam com um instrumento que vai contribuir para aumentar a eficiência energética no país. Lançado no final de novembro, o Selo Procel Edificações tem como grande meta fomentar o aumento dos níveis de eficiência energética nos imóveis públicos, comerciais e residenciais, segmento responsável por quase 50% de todo o consumo de energia do país. A nova certificação segue a mesma lógica do Selo Procel para equipamentos e eletrodomésticos, que é a de reconhecer e sinalizar os melhores e mais eficientes de cada categoria.

Desenvolvido pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) em parceria com Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), responsável pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), o Selo Procel Edificações tem um potencial de economia estimado em 50% para as novas edificações e de até 30% para as construções já existentes que passarem pelo chamado retrofit, um programa de modernização das instalações elétricas.

“É um potencial de redução, porque a eficiência energética depende do comportamento e dos hábitos dos moradores e usuários. Não adianta ter uma construção eficiente se não houver uso eficiente”, explica o gerente do Departamento de Projetos de Eficiência Energética da Eletrobras, Fernando Perrone.

Para candidatar-se à obtenção do Selo Procel Edificações, o empreendimento deverá apresentar a classe A, a mais elevada de eficiência energética, em cada um dos três sistemas analisados: envoltória, que contempla as fachadas e telhados, iluminação e os sistemas de ar condicionado. Todas as classes devem seguir as recomendações da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (Ence). As edificações são avaliadas em duas etapas: uma no projeto e outra após a conclusão da obra, sendo que o imóvel pode conquistar o selo de forma individual nestas duas etapas.

Para o presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, a expectativa é de que em um curto espaço de tempo, os imóveis brasileiros já sejam construídos seguindo as recomendações do Selo Procel Edificações.

“Nós já iniciamos o processo de avaliação. Alguns selos já foram outorgados e já estamos analisando um certo número. O que nós queremos, é que, dentro de um futuro próximo, todas as principais edificações do país cumpram os requisitos do Selo Procel, e sejam edificações cada vez mais eficientes”, disse José da Costa Carvalho Neto.

Até o momento, duas edificações já construídas e outros sete projetos já receberam o Selo Procel Edificações. Localizados em Santa Catarina, o edifício-sede da Eletrosul, em Florianópolis, e o setor de manutenção da companhia, em Campos Novos, foram pioneiros no país ao conquistar a certificação.

De acordo com o gerente da Assessoria de Pesquisa e Desenvolvimento da Eletrosul, Jorge Luís Alves, o trabalho para a conquista do Selo começou em 2003, quando a empresa implementou a Casa Eficiente, um laboratório para testar novas tecnologias de conservação de energia. O sucesso do projeto, que foi a primeira residência do Brasil a conquistar a classificação em eficiência energética, fez com que a companhia ampliasse os investimentos para aumentar o uso eficiente de energia em suas edificações. “Pelo fato do projeto da Casa Eficiente ter sido exitoso, os diretores da empresa passaram a assimilar os novos conceitos e implementá-los em novas obras” explica Jorge Luís Alves.

Construído na década de 1970, o edifício-sede da Eletrosul passou por um retrofit no qual os sistemas de climatização e iluminação foram modernizados com a instalação de luminárias de alto brilho e reatores eletrônicos em todas as áreas. Jorge salienta que, mesmo tendo um projeto vanguardista para a sua época, já que o projeto com mais de 40 anos já contemplava o aproveitamento de água de chuva, economia de energia e uma série de ações e recursos nos termos que são utilizados hoje em dia, a economia de energia da edificação, após a conquista do Selo Procel chegar a 48%.

Já o Centro de Manutenção de Campos Novos foi pensado desde o projeto para ser uma construção sustentável e eficiente, sendo o primeiro projeto da empresa a contemplar todos os conhecimentos adquiridos no projeto da Casa Eficiente.

Inaugurado em 2013, o prédio, de 558 metros quadrados, utiliza recursos para o melhor aproveitamento da luz do sol, luminárias e aparelhos de ar condicionado eficientes, janelas com vidros duplos e telhas especiais. Parte da cobertura foi construída com uma inclinação específica para o melhor aproveitamento dos raios solares e a consequente geração de energia fotovoltaica. O centro de manutenção também conta com uma “Torre Sustentável”, onde ficam os reservatórios de 10 mil litros que contém água potável, de água da chuva e de água quente, proveniente do aquecimento solar.

Jorge esclarece, que apesar do custo de uma construção sustentável ser em média de 30% a 40% superior ao de uma construção convencional, o investimento vale a pena. Ao todo, a Eletrosul investiu na edificação cerca de R$ 1 milhão no de Campos Novos e a expectativa e de que em até cinco anos esse valor seja recuperado com a economia proporcionada pela edificação. O gerente revela que outros três prédios da Eletrosul estão sendo construídos seguindo as recomendações do Selo Procel Edificações. Os prédios do Centro de Visitantes do Complexo Eólico Cerro Chato e Centro Regional de Manutenção, ambos em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul e o alojamento para os funcionários da Usina de São Domingos, no Mato Grosso do Sul poderão ser em breve contemplados com o novo Selo.

Outra empresa que também investe em eficiência energética em suas edificações é a Caixa Econômica Federal. O banco público conquistou o Selo para o projeto do edifício-sede da Caixa, em Londrina, no interior do Paraná. Segundo o Superintendente Nacional de Infraestrutura e Patrimônio da Caixa, Sergio Geraldo Linke, a instituição bancária investe em eficiência energética em suas agências desde 2005. Desde então, a instituição bancária possui um grupo técnico de engenharia e arquitetura para tratar dos projetos relacionados à eficiência energética e sustentabilidade. Linke revela que várias agências da Caixa são etiquetadas pelo Procel devido aos seus elevados níveis de eficiência energética. Entretanto, a instituição desejava quantificar cientificamente esses dados e por isso, o prédio de Londrina foi escolhido para receber o Selo Procel Edificações.

“Como as nossas agências já estavam com alto nível de eficiência energética, nós vimos no Selo a oportunidade de quantificar cientificamente essas unidades que nós já estamos construindo e reformando desde 2005. Em 2009, quando foi lançada a etiquetagem energética de edificações, a Caixa foi a primeira empresa a ter os seus imóveis reconhecidos com as etiquetas de eficiência energética. Então, a partir dali, nós temos sete imóveis etiquetados e dentre esses sete, então foi escolhido o imóvel de Londrina, para receber Selo, porque o imóvel de Londrina está entre os etiquetados pelo Inmetro e pelo Procel. Ele possui o nível A geral e o nível A em cada uma das componentes da etiqueta energética o que levou a agência a conquistar o Selo Procel”, explicou Sergio Linke.

Linke acrescenta que dentro do programa de eficiência energética da Caixa outras agências estão sendo preparadas para a obtenção do Selo. Para ele, a nova certificação é positiva para todos os lados, já que representa uma conscientização e economia de energia para as empresas, além de contribuir para a redução do desperdício e da demanda de eletricidade do país.

Interessados em conseguir mais informações sobre o Selo Procel Edificações podem consultar o portal Procel Info e clicar no link Selo Procel Edificações ou enviar uma mensagem para o e-mail procel@eletrobras.com.

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Blog em férias…

A partir de hoje e até 11/1/2015, este blog estará em férias, o que será extremamente difícil de suportar….

No entanto, pretendo postar até lá como será a nova dinâmica para 2015!!

Desejo à todos que nos acompanham um Feliz Natal e um maravilhoso 2015, com muita saúde, paz, harmonia, felicidade e sucesso, além de muitos amigos e familiares próximos para comemorar com vcs!!!

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Auditoria de manutenção e desempenho com base nas normas da ABNT

Fala-se muito hoje em “desempenho” para edificações, mas  assim como a palavra “sustentabilidade” ganhou uma série de “aplicações”, vejo o mesmo em relação a questão do desempenho….

Mas o que é então desempenho? O que de fato se procura neste caso?

Vejam que não nos faltam notícias de edifícios e instalações que não produzem mais o esperado e que consomem energia (água, energia, vapor, ar comprimido, etc) em patamares acima do esperado, sendo que muitas vezes, sob o olhar “míope” de seus gestores…

A retomada do desempenho em um sistema ou instalação é sem sombra de dúvidas uma meta ou objetivo extremamente importante nos dias atuais, durante os quais vivenciamos a escassez de recursos e a restrição em novos investimentos.

No entanto, para que isto seja feito, há de se instaurar um processo muito bem desenhado de consultoria e auditoria operacional e energética, pois todas as pontas precisam ser fechadas.

Em meio a discussão de nomenclaturas, segue abaixo um artigo extraído de uma coluna do newsletter do IESP, tratando sobre algumas das diferenças.

Boa leitura!

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Fonte: Instituto de Engenharia de SP

Por: Tito Lívio Ferreira Gomide

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As recentes normas da ABNT, de gestão de manutenção e desempenho em edificações habitacionais, respectivamente NBRs 5674/12 e 15.575/13, requerem periodicidades de inspeções prediais de uso e manutenção, indicação das não conformidades encontradas no programa de manutenção e favorecimento as inspeções prediais e as condições de manutenção.

Porém, estranhamente, a norma de gestão de manutenção não conceitua o termo “inspeção predial”. De sua parte a norma de desempenho indica que “inspeção predial de manutenção e uso é a análise técnica, através de metodologia específica, das condições de uso e de manutenção preventiva e corretiva da edificação”.

E mais adiante, logo abaixo da tabela c.6 da norma de desempenho conta que a “inspeção predial configura-se como ferramenta útil para avaliação das condições de conservação das edificações em geral, para atestar se os procedimentos de manutenção adotados são insuficientes ou inexistentes, além de fornecer subsídios para orientar o plano e programas de manutenção, através das recomendações técnicas indicadas no documento de inspeção predial.”

Dessa forma, pode-se inferir que há diversidade de conceituações pois, ora a inspeção predial é análise, ora é considerada como avaliação e finalmente como atestamento. E a Engenharia Diagnóstica bem explica a diferença entre tais termos, pois análise ou avaliação técnica não se confunde com atestamento, pois análise ou avaliação técnica visam a inspeção técnica, mas o atestamento de conformidade, ou não conformidade, é auditoria técnica.

E essa simples diferença, não compreendida por muitos colegas da abnt no início da comissão de estudos da norma de inspeção predial, provocou o cancelamento desse projeto da abnt.

Em que pese estar cristalino que a inspeção predial pretendida pela ABNT visa exclusivamente as condições de manutenção/conservação e do uso, retirando as condições construtivas e respectivas patologias de seu foco, vale registrar que a inspeção predial brasileira, desde a sua origem, sempre considerou as três vertentes, ou seja, as condições construtivas, de manutenção e de uso.

Assim sendo, fica evidente que o termo “inspeção predial” apregoado pela ABNT tem objetivo completamente diverso daquele consagrado no meio técnico pois, na realidade, a alegada “inspeção predial da ABNT” nada mais é do que verdadeira auditoria técnica da manutenção predial, com base no manual de uso, operação e manutenção da edificação.

A inspeção predial tradicional tem visão sistêmica tridimensional, ou seja, contempla as condições construtivas, de manutenção e de uso, além de fazer análise de risco, estabelecer prioridades e orientações, ou seja, é uma mistura de diversas ferramentas, pois agrega a consultoria técnica no seu escopo. E como inclui a análise de segurança no seu bojo, s.m.j., somente por legislação ela pode ser estabelecida formalmente, pois a segurança pública é regida por legislação, não por norma técnica.

Isso está comprovado pelas diversas legislações de inspeção predial vigentes em inúmeras cidades e estados brasileiros.

Pelo reverso, a auditoria para o atestamento, ou não, das condições de manutenção e uso, podem ser desenvolvidas tecnicamente com facilidade pelos peritos, engenheiros diagnósticos e demais profissionais habilitados nos exames edilícios. Sabendo-se que a auditoria técnica é um exame de comparação das regras técnicas (normas, especificações, programas, planos técnicos, etc) com a real situação apurada “in loco”, fácil se perceber que nem mesmo norma de auditoria é necessário para atender aos anseios da Abnt.

Basta a substituição dos termos “inspeção predial” pelos termos “auditoria de manutenção e uso” nas futuras revisões dessas recentes normas da Abnt, e estará resolvido o “imbróglio” criado por esse equívoco.

Finalizando, segue a tradicional escadinha e conceitos da Engenharia Diagnóstica em Edificações, para pleno entendimento do que ficou exposto:

Engenharia Diagnóstica em Edificações é a arte de criar ações pró-ativas, através dos diagnósticos, prognósticos e prescrições técnicas, visando qualidade total da edificação.

Vistoria em Edificação é a constatação técnica de determinado fato, condição ou direito relativo a uma edificação, mediante verificação “in loco”.

Inspeção em Edificação é a análise técnica de fato, condição ou direito relativo a uma edificação.

Auditoria em Edificação é o atestamento técnico de conformidade, ou não, de um fato, condição ou direito relativo a uma edificação.

Perícia em Edificação é a determinação da origem, causa e mecanismo de ação de um fato, condição ou direito relativo a uma edificação.

Consultoria em Edificação é a prescrição técnica a respeito de um fato, condição ou direito relativo a uma edificação.

Finalizando, importante se ressaltar que é fundamental bem conceituar antes de normatizar, valendo citar Millôr Fernandes: “Olha bem no dicionário e reflita: não há nenhuma palavra com um significado só.”

Inspeção ou Auditoria ?

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Energia para a indústria subirá quase 90%

Fonte: O Povo Online

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Com base em quatro cenários que incluíram a recuperação dos níveis dos reservatórios somente em 2017 e a continuidade do acionamento de termelétricas em 2015 e 2016, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) estimou que o custo da energia elétrica para a indústria brasileira poderá atingir, no final do ano que vem, R$ 459,20 por megawatt-hora (MWh), elevando-se a até R$ 493,50 por MWh ao final de 2016.

Em relação ao preço de R$ 263 por MWh, registrado em janeiro do ano passado, o custo de energia elétrica para a indústria chegará a 2016 acumulando aumento de quase 90%.

Segundo o gerente de Competitividade Industrial e Investimentos da Firjan, Cristiano Prado, foram levados em consideração no estudo os pagamentos já efetuados para diminuir a exposição do setor elétrico. E nós não estamos considerando nenhum novo empréstimo que possa eventualmente ser feito ao setor.

O estudo mostra que, se neste ano o custo da energia elétrica já subiu 23%, o aumento poderá ser ainda maior em 2015, atingindo 27,3%. E, para 2016, com o que já se consegue enxergar, estão contratados mais 7,5% de aumento [do custo]. Pode vir até mais do que isso. (Agência Brasil)

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Japão termina construção de cidade inteligente e sustentável

Fonte: Engenharia Compartilhada

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Ciclo vivo

A “cidade do futuro” já é realidade, pelo menos, no Japão. Na última semana o projeto da Fujisawa Sustainable Smart Town teve a fase de construção concluída. A Panasonic, responsável pelo complexo, trabalha agora nos últimos detalhes e na venda das residências

A construção da cidade, na Província de Kanagawa, situada cerca de 50 km a oeste de Tóquio, faz parte de um projeto realizado pela Panasonic com mais oito empresas parceiras com o intuito de recuperar áreas devastadas por um terremoto e tsunami. A prioridade na “Cidade Inteligente e Sustentável de Fujisawa” é a consciência energética e ecológica.

A iniciativa pretende demonstrar que saber articular tecnologias diversas ajuda na construção de uma cidade verde. Em consequência, isso contribui para que estas construções sejam mais valorizadas.

As casas já possuem painéis solares embutidos, que fornecem energia para a residência e ainda armazenam o excedente em uma bateria para uso posterior. O projeto também oferece um bairro exclusivo para moradores que não possuem carros próprios, com opções para o compartilhamento e alugueis de carros elétricos.

Toda a cidade é equipada com sensores em rede que controlam a iluminação pública e garante, que a energia não seja desperdiçada através de uma “smart grid” local. O município também tem um “eixo verde”, com parques e plantio de vegetação ao longo das estradas principais. São várias soluções para alcançar um novo estilo de vida e um novo modelo de desenvolvimento econômico.

 

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Brasil sofre com a qualidade de engenheiros formados no país

Fonte: Época Negócios

Divulgação: Instituto de Engenharia de SP

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O problema não está tanto no número de profissionais; até as escolas top do setor enfrentam o desafio de repensar sua essência

Esta é a primeira lembrança de Ricardo Furquim do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), onde ingressou em 2011, aos 17 anos: uma palestra longuíssima, com quase três horas de duração. Nela, um dos pró-reitores da escola discorria sobre todas as maneiras pelas quais um aluno, ao longo do curso, poderia repetir de ano ou mesmo ser desligado da instituição. E havia muitos perigos.

Esta é a primeira lembrança de Ricardo Furquim da École Polytechnique, nas imediações de Paris, para onde se bandeou em 2014, aos 20 anos: uma palestra longuíssima, com quase três horas de duração. Nela, um dos pró-reitores da escola discorria sobre as inúmeras oportunidades que os alunos, ao longo do curso, teriam para aprender e desenvolver atributos, como a vocação e o talento. E havia muitas possibilidades.

A diferença entre os dois parágrafos anteriores é, ao mesmo tempo, pequena e gigantesca. Sob o aspecto formal, eles são similares. As variações, por sua vez, ajudam – como em um pequeno símbolo – a entender um fenômeno preocupante na educação no Brasil, embora ainda pouco debatido. As principais escolas de engenharia do país estão caducando. Elas perderam o viço. Já não cumprem a missão que lhes caberia em uma economia minimamente nutrida: formar líderes, lançar no mercado jovens dispostos – e preparados – para mudar o mundo.

O déficit é de qualidade

Esse não é um tema trivial. Os engenheiros estão na linha de frente da aplicação de todo tipo de tecnologia no dia a dia das pessoas. Na prática, eles ajudam a atiçar a competitividade e a inovação. Por isso, são tidos como peças-chave das engrenagens produtivas de uma nação. No Brasil, até aqui, muito se discutiu sobre o déficit desse tipo de profissional. Estimativas apontavam uma demanda em aberto da ordem de 150 mil engenheiros. Em um país com tantos gargalos estruturais, o senso comum aceitou tal quadro com naturalidade. Não é bem assim, contudo.

Um estudo dos pesquisadores Divonzir Gusso e Paulo Nascimento, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), indica a existência de um cenário diverso. O Brasil forma poucos engenheiros. Isso é um fato. Vale tanto para uma comparação com países desenvolvidos como para o contraste com economias mais chinfrins, com performance em desenvolvimento humano similar à brasileira, como México, Turquia e África do Sul (veja quadro à pág. 90). Aqui, entre todos os formados no ensino superior, menos de 5% são engenheiros. Na China, são mais de 40%. Essa, porém, é a imagem que se vê no mapa-múndi, sem considerar a dinâmica do mercado brasileiro.

Gusso e Nascimento, ao analisar o período entre 2000 e 2012, não identificaram sinais de uma procura excepcional por engenheiros. Isso quando observado o mercado nacional como um todo. Na média, os salários da categoria não subiram muito além do das demais. O que não indica uma demanda aquecida no mercado, no período analisado. Os técnicos do Ipea, por outro lado, perceberam algumas novidades. Houve, por exemplo, uma guinada na opção profissional de muitos jovens.

Em 2011, o número de calouros em carreiras ligadas a ciências, matemática e engenharia superou pela primeira vez na história do país o de jovens que ingressaram em faculdades de Direito. “O crescimento concentrou-se na engenharia”, diz Gusso. A profissão virou uma febre nacional. No período estudado, os ingressos no total de cursos superiores brasileiros aumentaram 120% e as conclusões, 149%. Na engenharia, esse avanço foi de 381% e 200%, respectivamente.

Isso, nem de longe, quer dizer que tudo vai bem. Ao contrário. O salto está associado a um período de crescimento econômico que torna algumas profissões, como a engenharia, mais atrativas. Esse já não é o caso brasileiro. Além do mais, a maioria dos ingressos de calouros ocorreu em cursos fracos (notas 1 a 3 no Enade). Somente 30% deram-se em salas de aula de melhor padrão (notas 4 e 5). “Por isso, o número de engenheiros pode até aumentar, mas os profissionais serão formados por instituições de baixo desempenho”, diz Gusso. “Na prática, eles não atendem às expectativas do mercado.” Os pesquisadores do Ipea também identificaram outros desequilíbrios no setor. Faltam, por exemplo, profissionais experientes, que possam liderar projetos (a engenharia estava em baixa nos anos 80 e 90).

Onde empinar um sonho?

Em suma, a média dos formados, ainda que melhore em volume, é ruim em qualidade. Por isso, a situação torna-se mais crítica, quando as escolas top também dão mostras de patinar. O caso de Ricardo Furquim, o garoto que trocou o ITA pela Polytechnique, também pode ilustrar esse ponto. Nascido em Rio Verde (GO), um dos paraísos da soja no Brasil, ele também morou em Teresina (PI) e em Fortaleza (CE). No ensino médio, era fã de documentários sobre tecnologia, inovação e ciência, exibidos em canais como The History Channel ou National Geographic. “Eu queria ter acesso àqueles laboratórios, aprender a colocar foguetes no espaço ou a planejar uma megaconstrução”, diz. Chegou ao ITA, seco para trabalhar na “fronteira do conhecimento”.

Mas aí…

Diz Furquim: “Percebi que, mesmo com um excelente material humano, mesmo com excelentes alunos, o ITA parecia encalhado na década de 70. Eu me assustei com a infraestrutura. Via partes do teto caindo, goteiras e uma péssima rede elétrica. O que mais me espantou foi a total falta de ligação com a indústria, os poucos acordos de colaboração internacionais com boas universidades e a falta de motivação geral. Na Polytechnique, vejo que conseguirei o que buscava no ITA. Tenho certeza de que me tornarei um profissional de excelência, com a capacidade de gerar impacto positivo em qualquer indústria que eu trabalhe”.

Outro jovem brilhante, o paulistano Fabio Arai, de 18 anos, mudou de endereço escolar no mês passado. Ele deixou a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) para ingressar no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Arai, no entanto, não teve como impulso para a mudança decepção com o curso brasileiro. Desde os 13 anos, ele vislumbra a possibilidade de estudar fora do país.

O rapaz é um colecionador de medalhas, conquistadas em olimpíadas científicas, notadamente em física e astronomia. Ganhou mais de 30 delas. Com 14 anos, participou de um evento no Massachusetts Institute of Technology (MIT). O desafio, ali, era criar um robô. A máquina deveria ao menos andar em linha reta. Arai foi além. Acrescentou ao bichinho um braço que funcionava à semelhança de um guindaste. Este ano, ele foi aprovado em um timaço de escolas americanas: Princeton, Berkeley, Columbia e Duke. Optou pelo Caltech, porque o instituto abriga um laboratório da Nasa. O sonho de Fabio Arai é trabalhar em projetos que, literalmente, avancem até a estratosfera.

Em uma peregrinação recente pelas universidades americanas, isso para decidir em qual delas iria estudar, Arai confirmou a existência de um abismo entre a motivação dos alunos de lá e os de cá. “Aqui, as pessoas querem o diploma. Depois que entram em uma boa faculdade, sabem que vão conquistar um bom espaço no mercado de trabalho”, diz. “Nas grandes escolas americanas, é diferente. O comprometimento dos estudantes é outro: eles querem aprender, querem evoluir.”

Fuga de (jovens) cérebros

A Fundação Estudar orienta e auxilia jovens brasileiros a ingressar em faculdades no exterior. Ela é mantida por alguns bambambãs do mundo dos negócios (Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira, Marcel Telles e André Esteves). Dados da instituição apontam que aumentou o número de jovens brasileiros que fazem cursos de graduação no exterior. Ele passou de 4.086, entre 2009 e 2010, para 4.684, entre 2012 e 2013. Dito assim, parece pouco. Uma migalha, ante os 7 milhões de brasileiros matriculados no ensino superior. Essa percepção, contudo, muda quando o foco fecha em um caso real.

A saída de Ricardo Furquim do ITA, a rigor, não tem nada de excepcional. Essa não foi a primeira vez que um jovem escapou por entre os dedos do instituto (ou de outras grandes escolas de engenharia do Brasil), atraído pelo canto sedutor de grandes cursos globais. Isso acontece. É natural que seja assim, principalmente em um mundo com fronteiras cada vez mais tênues e crescentes facilidades de intercâmbio.

Até agora, porém, essas perdas no ITA davam-se em um ritmo de conta-gotas – um a um, vez ou outra. Isso mudou. Em dois anos, pelo menos 13 jovens de duas turmas trilharam o mesmo caminho de Furquim. Debandaram em bloco para a Polytechnique. Não é pouca gente. As classes do instituto funcionam como grupos de câmara – são pequenas, embora estejam em processo de expansão. Hoje, cada um dos seis cursos oferecidos pela escola tem, em média, 20 alunos. O ITA forma entre 100 e 120 engenheiros por ano. A recente fuga de jovens cérebros representa, portanto, mais de 10% dos estudantes que concluem a graduação. Parece com o futebol: os nossos craques das ciências duras estão saindo cedo demais do país. Por isso, acreditam alguns especialistas, sem a certeza da volta.



Assédio bilíngue

Só na base da lábia é impossível reter esses garotos. As propostas que recebem são irresistíveis. A Polytechnique, por exemplo, oferece de tudo, assim que os seus selecionadores farejam uma massa cinzenta promissora. “Tudo”, aqui, quer dizer exatamente isso: tudo. Além da oportunidade de viver uma experiência cultural única em outro país, os estudantes recebem bolsa, suporte permanente de professores e, se o aluno desejar, a cidadania francesa após a formatura. Assim, ele poderá exercer a profissão na França. A escola nem sequer exige que os candidatos a vagas falem francês, pois sabe que essa é uma língua em uso minguante no planeta. A garotada faz as avaliações em inglês e, depois, mergulha em um curso megaintensivo (gratuito, claro) de francês. Qual o resultado dessa política de captação de craques? Hoje, as turmas da Polytechnique reúnem jovens de 59 nacionalidades distintas.

Fabio Arai, o rapaz que fez o robô no MIT, também recebeu propostas de cair o queixo. Na Universidade de Columbia, em Nova York, ele teria direito a uma bolsa de pesquisa de US$ 6 mil, para se debruçar sobre qualquer assunto que escolhesse. Note: está dito “pesquisa”, sendo que o garoto ainda nem sequer ingressara na graduação. Mesmo assim, ele optou pelo Caltech. “Tinha mais a ver comigo”, afirma. “Agora, o mais importante não é o que vou receber, mas o que vou fazer e até onde posso ir.”

O novo estereótipo

A necessidade de renovação dos cursos de engenharia no Brasil – mesmo entre os que ocupam o topo da cadeia alimentar – é uma unanimidade entre especialistas. Esse, aliás, não é um dilema apenas brasileiro. Trata-se de um desafio global. Hoje, o que se pretende em todo o mundo é, no mínimo, tornar as salas de aula desses cursos compatíveis com fenômenos como o Big Bang digital e as mudanças de comportamento das novas gerações. A agravante é que, aqui, as engrenagens pedagógicas estão enferrujadíssimas.

José Roberto Cardoso, ex-diretor da Poli de São Paulo, narra uma história que ilustra à perfeição o tamanho desse anacronismo. Ele recebeu, recentemente, um e-mail da neta. Ela estuda engenharia na Universidade Federal de São Carlos (SP), uma escola de excelência no Brasil. A garota tinha uma dúvida sobre uma tarefa de cálculo. Cardoso resolveu a questão. “Encontrei o mesmo exercício, com resposta e tudo, em um livro de 1970, que eu usava quando cursei a faculdade”, diz. “Reconheço o valor das obras do passado, mas será que nada deveria ter mudado nesses últimos 40 anos?”

Sobram experiências, mas ainda não existe consenso em torno de um novo modelo para os cursos de engenharia. Algumas peças para a construção de um protótipo, contudo, já têm contornos bem nítidos. Em resumo, o que se busca é moldar um profissional preparado para lidar com os desafios do século 21. Por isso, o perfil almejado do novo engenheiro guarda poucas semelhanças com o velho estereótipo do hiperespecialista, isolado em um cantinho, com uma calculadora na mão.

Espera-se, hoje, que o engenheiro seja criativo, comunique-se bem, saiba trabalhar em equipe (um pré-requisito em qualquer área), lidere, empreenda (mesmo que dentro de uma empresa) e, principalmente, que tenha apetite pela inovação. “Hoje, ocorre o contrário”, diz o físico e engenheiro Roberto Leal Lobo, consultor e ex-reitor da USP, um dos principais nomes do debate sobre a renovação das escolas de engenharia no país. “O nosso engenheiro é formado para reproduzir, não para inovar.”

Engenharia com arte

A lgumas práticas pedagógicas em voga buscam tornar as aulas mais interessantes e participativas. Preconizam, por exemplo, uma melhor distribuição ao longo dos cursos de matérias mais áridas, como matemática, física e química. Elas devem ser ao menos intercaladas com trabalhos práticos, sempre que possível executados em grupo. A lógica contida nesse princípio é a seguinte: os alunos não precisam saber toda a física ou toda a matemática para, somente depois, tomar contato com a engenharia. “Mesmo porque, antes de Newton e Galileu, pontes e aquedutos já eram construídos”, diz Cardoso, da Poli. “Os trabalhos práticos tornariam as aulas menos maçantes e mais envolventes.”

Os currículos também tendem a ser flexíveis. Devem permitir a inclusão de matérias do interesse dos alunos, ainda que elas soem estranhas para os ouvidos afinados no diapasão das velhas escolas. Muito se fala, por exemplo, sobre a ligação entre arte e engenharia. Para demonstrar que ela faz sentido, basta uma palavra – Apple. Na prática, Steve Jobs e Steve Wozniak, os criadores da empresa, não fizeram outra coisa além de promover o casamento entre a arte e a engenharia, tendo o design como amálgama – ou templo. Isso para produzir uma nova interface entre homens e computadores. “Fazer engenharia com arte é difícil”, dizia Wozniack. “Mas é assim que se deve fazer.”

Na Universidade de Yale, esse mix funciona, embora seja incipiente. Há um ano, a escola inaugurou um centro de engenharia, inovação e design. Na prática, é uma fábrica-laboratório (a fab lab, o novo bibelô dos nerds) dotada de ampla parafernália instrumental, como impressoras 3D, onde os alunos podem imaginar e construir coisas. Que coisas? Quaisquer, contanto que consigam concebê-las e executá-las. “Os estudantes de engenharia amaram o espaço e isso não nos surpreendeu”, disse Peter Salovey, o presidente de Yale, a NEGÓCIOS. “O fascinante foi que os estudantes de arte também adoraram. Eles querem trabalhar com os futuros engenheiros em projetos que, afinal, também devem ser vistos como artísticos.”

A maldição da letargia

As grandes escolas brasileiras não estão alheias às mudanças em curso no mundo. Ao contrário, muitas delas têm divulgado amplos projetos de renovação. O ITA está nessa lista. A escola já declarou metas ambiciosas. Elas contemplam o aumento de alunos (as vagas devem dobrar em cinco anos), a contratação de professores e a construção de novos alojamentos e laboratórios. O investimento previsto é de R$ 300 milhões. “Essa expansão física, no fim das contas, transformou-se em um pretexto”, diz Carlos Américo Pacheco, reitor do ITA. “Precisamos mesmo é reinventar a escola.”

Por isso, o plano também prevê a abertura de dois centros de inovação. Um deles funcionaria no campus da faculdade. O outro em um parque tecnológico externo. A ideia é que, em ambos, os alunos possam realizar trabalhos, pesquisas e ampliar o contato com empresas. A escola também está firmando um amplo acordo de colaboração com o MIT.

A Poli, da USP, que comemora 121 anos em 2014, também se sacudiu. Entre outras medidas, flexibilizou o currículo e firmou acordos internacionais de intercâmbio de alunos com instituições de ensino de primeiríssima da Europa. Quer ainda construir um baita laboratório de inovação e empreendedorismo, orçado em R$ 20 milhões. Projetado por Ruy Ohtake, ele foi concebido para funcionar à semelhança do fab lab de Yale.

Tudo lindo, não fosse uma barreira cabeludíssima. A maior parte das grandes faculdades de engenharia do Brasil é pública. Tal característica, como se sabe, embute uma maldição – a infinita letargia oficial. O ITA, por exemplo, até agora não tirou do papel o projeto dos centros de inovação. Um deles, o que seria erguido fora da escola, aguarda definição de financiamento por parte do BNDES. O contrato com o MIT, articulado há dois anos, não estava assinado até o mês passado. Na Poli, a construção da fábrica-laboratório já deveria ter começado. Com a atual crise da USP, corre o risco de virar peça de ficção.

Fosse outro o cenário, seria mais fácil levar adiante uma proposta feita por Roberto Leal Lobo, o ex-reitor da USP. Ele defende que a sociedade abrace o desafio de classificar pelo menos cinco escolas de engenharia brasileiras entre as cem melhores do mundo, em um prazo de 15 anos. “Isso faria grande diferença para o país”, diz. “Daríamos um salto real na formação de engenheiros.” Hoje, o Brasil tem apenas três instituições entre as 200 melhores. São elas a Poli (em 97º lugar), a Unicamp (152º) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (172º). Como se vê, falta muito.

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Empreiteiras europeias avaliam Brasil com prudência

Fonte: Valor Online

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Empreiteiras europeias mostram-se prudentes sobre planos de entrar no mercado brasileiro, no rastro do espaço que pode ser aberto pelo vendaval de escândalos atingindo construtoras locais. Algumas espanholas e italianas sinalizam interesse, as francesas são reticentes e algumas no norte da Europa estão é saindo do país ou preferem mercados vizinhos.

A francesa Vinci, numero 4 mundial, com US$ 20,2 bilhões de faturamento internacional em 2013, considera ser muito mais difícil ganhar grandes projetos no Brasil, até porque o país continuará tendo grandes concorrentes com boa performance. A não ser em alguns projetos específicos, ou micro projetos, a Vinci não tem planos de se aventurar no país no momento. Tampouco faz comentários sobre corrupção.

Na mesma linha, a também francesa Bouygues, numero 7 mundial da construção, com US$ 14,8 bilhões de faturamento internacional, sinaliza que não tem planos de buscar negócios no país, onde sua presença no momento é mínima, segundo um porta-voz. Já a sueca Skanska, numero 8 mundial, com US$ 14,1 bilhões de faturamento global, decidiu desinvestir na América Latina, e não vai mais participar de licitação para nenhum projeto no Brasil. A empresa diz que tomou a decisão estratégica de “dar total atenção a outros mercados onde vemos maior crescimento no futuro”, segundo a porta-voz Annik Svensson. A Skanska considerou difícil estabelecer negócio lucrativo nas operações de construção e energia. Mas vai desinvestir também na área de manutenção, mesmo considerando ser um negócio de baixo risco e no qual estima que foi bem sucedida na região. A Skanska tem 3.200 empregados no Brasil, onde opera desde 2002. Em termos de faturamento, o Brasil tem sido um de seus dois maiores mercados na America Latina. A Skanska tem ainda quatro projetos de construção em andamento no país, que vão ser finalizados durante 2015-2016, e dois projetos de manutenção.

O principal problema de trabalhar na América Latina, e portanto no Brasil, tem sido sua unidade pequena na região, comparado com unidades de negócios na Europa, por exemplo. Também é localizada muito longe da sede. Por sua vez, a Struktun, da Holanda, diz não ter planos para o Brasil, mas que busca opções no Peru e no Chile. Não faz comentário sobre corrupção ou sobre crescimento do Brasil. Simplesmente prefere se concentrar fora do mercado brasileiro.

A construtora Strabag, da Áustria, numero 6 mundial, com faturamento internacional de US$ 15,4 bilhões em 2013, diz que não buscou operações até agora com o Brasil porque “não encontramos empresas adequadas para colaborar nesse país”. Outro problema é a barreira da língua “portuguesa em vez de espanhol”. A Strabag considera Peru e Chile como mercados com oportunidades de crescimento. A porta-voz Diana Klein diz que a empresa entra em grandes projetos de infraestrutura fora da Europa onde acha que tem vantagem competitiva. E onde a “situação política deve ser estável, as finanças públicas saudáveis e onde deve ter cultura de licitação de grandes projetos”.

A alemã Hochtief, numero dois mundial do setor, tem no exterior 95% de seu faturamento, que foi de US$ 34,8 bilhões em 2013. Seu porta-voz disse que foca em mercado onde possa alcançar “resultados sustentáveis”. A empresa vendeu sua subsidiária Hochtief Brasil para o concorrente alemão Zech-Group há alguns anos. O porta-voz global da Zech, Holger Römer, relatou que a empresa brasileira tem 1.700 empregados e é “muito bem sucedida”. Mas não quis comentar sobre ambiente de corrupção.

Na Itália, a empresa Montovani afirma que o mercado brasileiro de construção civil é difícil de entrar por ser altamente protegido contra a presença estrangeira. Mas considera que o potencial é enorme e aguarda o resultado de uma licitação para uma obra entre Santos e Guarujá em parceria com duas empresas locais. Vai decidir se faz uma joint venture com empreiteira brasileira para uma presença mais permanente no país. A construtora italiana Atlantia é mais entusiasmada. Diz que tem pequena presença no Brasil, em concessões e construção, e quer aumentá-la em ambos. “É importar crescer no Brasil”, disse uma porta-voz.

Já a Salini Impregilo, um dos maiores da construção da Itália, informou que vendeu sua fatia na Ecorodovias para o BTG no início de 2013. E diz que não tem planos de negócios no Brasil. Na Espanha, o grupo Acciona considera que o Brasil é um mercado sempre interessante e quer aproveitar oportunidades no país. Ainda mais que nos últimos cinco a seis anos não se construiu nada na Espanha. É preciso buscar negócios fora, diz uma porta-voz. A empresa conseguiu uma fatia de uma linha do metrô em São Paulo, mas o contrato ainda não foi assinado. Tem dois mil empregados no país. Mas o que cresce mesmo para Acciona é seu negócio de energias renováveis. Tem uma fábrica de equipamentos em Salvador e vai inaugurar uma segunda fábrica. A também espanhola Isolux Corsán está presente no país, mas não detalhou qualquer plano para o futuro. A Ferrovial ignorou as indagações sobre sua presença.

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Prefeituras serão responsáveis pela iluminação pública a partir de 1º de janeiro

Fonte: Jornal do Dia

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Amapá – A Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) repassa a responsabilidade da prestação de serviço de iluminação pública para as prefeituras dos municípios por determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A partir de 1º de janeiro de 2015 a normativa entra em vigor, porém a alteração no preço da taxa de contribuição do consumidor ainda precisa ser recalculada pela prefeitura e aprovada pela câmara de vereadores.

Desde a Constituição de 1988 a iluminação elétrica é de competência das prefeituras, porém elas não queriam assumir tal gasto, deixando o serviço a cargo das distribuidoras, mas devido aos impactos dos gastos, a Aneel determinou que as prefeituras assumissem o serviço. Três prazos foram estipulados para que a transferência fosse realizada e o último termina em 31 de dezembro.

Dois documentos serão assinados, um de transferência dos ativos imobiliários, ou seja, todo o sistema de iluminação, lâmpadas, cabos, luminárias, e outro do contrato de fornecimento de energia para a iluminação pública. O Chefe do Departamento de Eficiência Energética da CEA, Mario Freire, explica que a Companhia realizava o serviço e utilizava uma tarifa estipulada pela Aneel, como agora o município será o responsável, a tarifa paga pela prefeitura para o fornecimento do serviço vai diminuir 8,9%.

“Por isso precisamos do contrato para que haja a mudança da tarifa e este valor saia dos ativos da CEA. Mesmo com a assinatura dos contratos, a Companhia garante que irá fazer toda a manutenção e recuperação do sistema em no máximo dois meses”, alerta Freire. Mas as mudanças no bolso do consumidor ainda não serão percebidas, visto que com base nos gastos de cada prefeitura, elas terão autonomia para estipular o valor que o consumidor deverá pagar como contribuição e posteriormente, a Câmara de Vereadores deverá aprovar ou não. Só então, o consumidor saberá qual o valor praticado.

Essa taxa de contribuição virá na conta de energia domiciliar da CEA, devido a um convênio firmado entre as prefeituras e a Companhia. Este valor será revertido para pagar a taxa de energia a CEA, o que sobrar deste valor, é saldo da Prefeitura que só pode utilizá-lo em iluminação pública, seja em ampliação ou manutenção.

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Apenas 10 hotéis conseguiram no Brasil o selo de sustentabilidade

Fonte: Correio da Bahia

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Bahia – O turismo é uma atividade econômica que tem como matéria-prima os patrimônios natural e cultural. Dessa forma, é imprescindível para o desenvolvimento do setor uma preocupação com a sustentabilidade. Apesar disso, no Brasil ainda não há uma legislação que regule o turismo sustentável. Uma das poucas regras diz respeito aos hotéis: a Associação Brasileira de Normas Técnicas criou, em 2006, a ABNT NBR 15401 para meios de hospedagem.

O sistema exige uma gestão sustentável dos empreendimentos para que consigam manter um desenvolvimento ecológico, econômico e social. Aqueles que utilizam as regras da ABNT recebem um certificado que atesta a postura sustentável da hospedaria.

A norma é fruto do Programa de Certificação de Turismo Sustentável (PCTS), realizado pelo Ministério do Turismo, em parceria com o Instituto de Hospitalidade, de 2002 a 2007. O projeto começou a implementar novas práticas em hotéis brasileiros e previa alcançar 400 empreendimentos no país. Mas até agora, sete anos depois, apenas 10 empreendimentos brasileiros são certificados.

“A norma da ABNT é resultado do PCTS, que começou a levar as práticas para os hotéis e hoje quase todos os hotéis que obtiveram o certificado da ABNT já participavam do programa”, revela Alexandre Garrido, coordenador da Comissão de Estudo de Gestão da Sustentabilidade em Meios de Hospedagem da ABNT.

O primeiro a conquistar a certificação foi o Hotel Pousada Canto das Águas, em Lençóis, a 414 km de Salvador. O empreendimento, fundado em 1986, já tinha uma postura ecológica. “O hotel já foi construído pensando nisso. Foi projetado para aproveitar a iluminação natural, houve muito cuidado para que ele não afetasse o rio que passa ao lado, tudo isso sem a intenção de conseguir nenhum certificado”, explica Ramiro Barbosa, responsável pelo sistema de gestão do hotel. Ramiro foi um dos palestrantes do seminário Turismo Sustentável, do Fórum Agenda Bahia, realizado esse mês.

Mas foi preciso fazer novas adaptações que adequassem o ambiente e a estrutura da hospedagem aos requisitos exigidos pela Norma. “Mesmo o hotel já tendo sido construído considerando os aspectos naturais, ocorreram algumas mudanças significativas, como o sistema de ar-condicionado, que foi substituído por outro de menor consumo, a iluminação também foi trocada e instalados sensores de presença para economia de energia”, afirma Ramiro.

Além do Canto das Águas, os outros hotéis certificados são: Hotel Lençóis, também em Lençóis (BA); Hotel Ville La Plage, em Búzios (RJ); Mabu Resort, em Foz do Iguaçu (PR); Spa Don Ramon, Hotel Pousada Encantos da Terra e Pousada Blumenberg, em Canela (RS); Summerville Beach Resort e Mar Hotel, em Recife (PE).

“A norma é a maneira de gerenciar o negócio com foco na sustentabilidade. Um hotel precisa ter uma declaração das premissas e interesses com relação à sustentabilidade nas suas três dimensões: seja ambientalmente responsável, socialmente justo e economicamente viável”, descreve Alexandre Garrido.

Entre as práticas, estão a eficiência energética; seleção e uso de insumos; aproveitamento da vegetação nativa; atenção à saúde e segurança dos clientes e dos trabalhadores; estimular atividades complementares para os trabalhadores; se engajar em iniciativas voluntárias para contribuir com o desenvolvimento das comunidades locais; promover a divulgação da cultura local; criar políticas de formação de preços e estratégias de promoção.

A diretora do Hotel Ville La Plage, Beatriz Muniz, destaca que o foco da norma é na gestão do negócio e que isso é importante para que pequenas empresas possam se organizar e ter os seus setores interligados. “Graças a esta organização, no ano de 2010, o Ville La Plage ganhou o prêmio MPE Brasil, etapa estado do Rio de Janeiro, no setor turístico”, conta Beatriz.

Os prêmios são um reconhecimento de boas práticas no setor. No caso do Spa Don Ramon, o empreendimento controlou e diminui o centro de custos e aumentou a produtividade. “A importância da norma é o resultado obtido, pois neste sistema de gestão desenvolvido trabalhamos com a premissa de melhoria contínua, em todos os níveis da empresa”, pondera o gerente do hotel, Vicente Atz.

E os clientes percebem isso. Para Mario Dias, gerente geral do Mabu Resort, os clientes são prioridade. “Temos um retorno real de imagem e econômico-financeiro. E os clientes priorizam isso, principalmente os clientes corporativos e os organizadores de evento”, afirma.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Enrico Fermi, concorda. Segundo ele, os últimos acontecimentos fizeram com que os hóspedes pensassem mais no tipo de serviço que estão consumindo. “Com esses apagões, falta de água, eles estão sentindo na pele a importância da sustentabilidade e se preocupando em escolher hotéis que oferecem isso como um diferencial”, diz.

Cinco passos para os hotéis se certificarem

1 Conhecer a norma NBR 15401

Acessar e adquirir a norma, através do site www.abnt.org.br. Para micro e pequenas empresas, após um breve cadastro, a norma pode ser visualizada e comprada com desconto no endereço portalmpe.abnt.org.br.

2 Realizar diagnóstico

Comparar as práticas sustentáveis adotadas e a gestão do negócio com a norma NBR 15401. Isto pode ser feito avaliando o cumprimento de cada requisito da norma.

3 Implementar a Gestão da Sustentabilidade no negócio

Adotar as boas práticas de sustentabilidade necessárias, conforme identificado no diagnóstico e investir na gestão. Isto pode ser feito por conta própria ou com o apoio de uma empresa de consultoria especializada. Além disso, há um Guia da ABNT-SEBRAE de orientação para a implementação da norma, que pode ser baixado no site portalmpe.abnt.org.br/guias.

4 Buscar a Certificação

Quando julgar que a gestão de sustentabilidade foi implementada e está gerando resultados para o negócio, a hospedaria pode solicitar a certificação na Associação de Normas Técnicas. Atualmente, existem três organizações de certificação, avaliados pelo Inmetro: ABNT, Instituto Falcão Bauer da Qualidade e Fundação Carlos Alberto Vanzolini. O processo de certificação envolve a análise da documentação do sistema de gestão e a realização de auditoria nas instalações do meio de hospedagem. A equipe de auditoria irá avaliar se todos os requisitos da NBR 15401 são atendidos e, caso isto seja confirmado, a certificação é concedida por um período de três anos, onde anualmente são realizadas auditorias de manutenção. Caso o hotel não esteja cumprindo todos os requisitos será acordado um prazo para que isso seja realizado. Após os três anos de validade do certificado o processo se reinicia.

5 Divulgação

A partir da certificação o meio de hospedagem deve divulgar que é um negócio sustentável. Hoje, além dos inúmeros benefícios diretos para a gestão do negócio, ser reconhecido como sustentável representa um diferencial competitivo.

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