Empreiteiras europeias avaliam Brasil com prudência

Fonte: Valor Online

Acesse aqui a matéria em sua fonte.

Empreiteiras europeias mostram-se prudentes sobre planos de entrar no mercado brasileiro, no rastro do espaço que pode ser aberto pelo vendaval de escândalos atingindo construtoras locais. Algumas espanholas e italianas sinalizam interesse, as francesas são reticentes e algumas no norte da Europa estão é saindo do país ou preferem mercados vizinhos.

A francesa Vinci, numero 4 mundial, com US$ 20,2 bilhões de faturamento internacional em 2013, considera ser muito mais difícil ganhar grandes projetos no Brasil, até porque o país continuará tendo grandes concorrentes com boa performance. A não ser em alguns projetos específicos, ou micro projetos, a Vinci não tem planos de se aventurar no país no momento. Tampouco faz comentários sobre corrupção.

Na mesma linha, a também francesa Bouygues, numero 7 mundial da construção, com US$ 14,8 bilhões de faturamento internacional, sinaliza que não tem planos de buscar negócios no país, onde sua presença no momento é mínima, segundo um porta-voz. Já a sueca Skanska, numero 8 mundial, com US$ 14,1 bilhões de faturamento global, decidiu desinvestir na América Latina, e não vai mais participar de licitação para nenhum projeto no Brasil. A empresa diz que tomou a decisão estratégica de “dar total atenção a outros mercados onde vemos maior crescimento no futuro”, segundo a porta-voz Annik Svensson. A Skanska considerou difícil estabelecer negócio lucrativo nas operações de construção e energia. Mas vai desinvestir também na área de manutenção, mesmo considerando ser um negócio de baixo risco e no qual estima que foi bem sucedida na região. A Skanska tem 3.200 empregados no Brasil, onde opera desde 2002. Em termos de faturamento, o Brasil tem sido um de seus dois maiores mercados na America Latina. A Skanska tem ainda quatro projetos de construção em andamento no país, que vão ser finalizados durante 2015-2016, e dois projetos de manutenção.

O principal problema de trabalhar na América Latina, e portanto no Brasil, tem sido sua unidade pequena na região, comparado com unidades de negócios na Europa, por exemplo. Também é localizada muito longe da sede. Por sua vez, a Struktun, da Holanda, diz não ter planos para o Brasil, mas que busca opções no Peru e no Chile. Não faz comentário sobre corrupção ou sobre crescimento do Brasil. Simplesmente prefere se concentrar fora do mercado brasileiro.

A construtora Strabag, da Áustria, numero 6 mundial, com faturamento internacional de US$ 15,4 bilhões em 2013, diz que não buscou operações até agora com o Brasil porque “não encontramos empresas adequadas para colaborar nesse país”. Outro problema é a barreira da língua “portuguesa em vez de espanhol”. A Strabag considera Peru e Chile como mercados com oportunidades de crescimento. A porta-voz Diana Klein diz que a empresa entra em grandes projetos de infraestrutura fora da Europa onde acha que tem vantagem competitiva. E onde a “situação política deve ser estável, as finanças públicas saudáveis e onde deve ter cultura de licitação de grandes projetos”.

A alemã Hochtief, numero dois mundial do setor, tem no exterior 95% de seu faturamento, que foi de US$ 34,8 bilhões em 2013. Seu porta-voz disse que foca em mercado onde possa alcançar “resultados sustentáveis”. A empresa vendeu sua subsidiária Hochtief Brasil para o concorrente alemão Zech-Group há alguns anos. O porta-voz global da Zech, Holger Römer, relatou que a empresa brasileira tem 1.700 empregados e é “muito bem sucedida”. Mas não quis comentar sobre ambiente de corrupção.

Na Itália, a empresa Montovani afirma que o mercado brasileiro de construção civil é difícil de entrar por ser altamente protegido contra a presença estrangeira. Mas considera que o potencial é enorme e aguarda o resultado de uma licitação para uma obra entre Santos e Guarujá em parceria com duas empresas locais. Vai decidir se faz uma joint venture com empreiteira brasileira para uma presença mais permanente no país. A construtora italiana Atlantia é mais entusiasmada. Diz que tem pequena presença no Brasil, em concessões e construção, e quer aumentá-la em ambos. “É importar crescer no Brasil”, disse uma porta-voz.

Já a Salini Impregilo, um dos maiores da construção da Itália, informou que vendeu sua fatia na Ecorodovias para o BTG no início de 2013. E diz que não tem planos de negócios no Brasil. Na Espanha, o grupo Acciona considera que o Brasil é um mercado sempre interessante e quer aproveitar oportunidades no país. Ainda mais que nos últimos cinco a seis anos não se construiu nada na Espanha. É preciso buscar negócios fora, diz uma porta-voz. A empresa conseguiu uma fatia de uma linha do metrô em São Paulo, mas o contrato ainda não foi assinado. Tem dois mil empregados no país. Mas o que cresce mesmo para Acciona é seu negócio de energias renováveis. Tem uma fábrica de equipamentos em Salvador e vai inaugurar uma segunda fábrica. A também espanhola Isolux Corsán está presente no país, mas não detalhou qualquer plano para o futuro. A Ferrovial ignorou as indagações sobre sua presença.

Anúncios

Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
Esse post foi publicado em Artigos Diversos e marcado , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s