Um olhar sobre os condomínios sustentáveis

Fonte: Direito Net – 09/03/2014

Divulgação: Procel Info

Brasil – O conceito de sustentabilidade está, a cada dia, mais em alta na sociedade brasileira. Após espalhar-se por vários países, esta consciência e atitude, em relação à “moradia verde,” ganha espaço no Brasil.

Com a realização da Conferência Mundial para o Meio Ambiente, mais conhecida como a Eco – 92, em solo brasileiro, o país adotou uma posição mais ativa em causas ambientais.

Em acompanhamento a tais mudanças de pensamentos da população e governo é que surgiu o conceito de condomínio sustentável. São condomínios verticais ou horizontais dotados de muitas medidas, que conferem o título de sustentabilidade ao empreendimento, tais como: coleta seletiva de resíduos, telhado verde, aproveitamento de águas pluviais, reuso da água, medição individual do consumo de água, reciclagem de materiais, aquecimento solar das piscinas, dentre outras.

Atualmente, encontra-se em construção o primeiro bairro ecologicamente correto do país, localizado em Brasília, o “Noroeste,” que conta com uma rede de sucção para coleta do lixo orgânico e inorgânico, que levará os resíduos através de tubos e canos para uma central de reciclagem e tratamento. Os edifícios terão coletores solares e grandes janelas para aproveitar a luminosidade natural. O fluxo de veículos com a consequente emissão de gás carbônico será reduzido por meio da instalação de ciclovias e transportes públicos. As construções não poderão acumular entulho e os projetos de paisagismo deverão utilizar a vegetação nativa. Para evitar impactos ambientais, o Noroeste também terá lagos de contenção para facilitar a drenagem do solo.

Os condomínios antigos também podem se adaptar a esta ideia de sustentabilidade, adotando normas de convivência no Regimento Interno do condomínio, como a coleta seletiva dos resíduos e reciclagem de materiais, bem como instalando equipamentos para o aproveitamento da energia solar e uso de lâmpadas econômicas nas áreas comuns do condomínio. O gasto inicial como as medidas será compensado com a economia nas faturas de energia elétrica.

Há uma crescente valorização dos imóveis, que vêm adotando estes conceitos. Alguns têm obtido certificados internacionais de sustentabilidade, como o LEED ND, Neighborhood Development (LEED ND), da US Green Building Council, certificação americana, que objetiva transporte público melhor, áreas verdes, benefícios econômicos, entre outros. Um projeto que queira obter esse certificado deve ser construído em espaço urbano, para descontaminar terrenos e limpar a cidade. O Brasil tem avançado em termos de certificação. O LEED está cada vez mais popular no país. No ano de 2012, 574 empreendimentos brasileiros já possuíam a certificação.

A legislação brasileira também tem avançado neste sentido, visando a redução dos impactos socioambientais na construção de condomínios residenciais, com a observância aos princípios da prevenção e precaução elencados no artigo 225 da Constituição Federal Brasileira de 1988. Mais importante do que o ganho patrimonial é a mudança de consciência da população brasileira moradora de condomínios em preservar o meio ambiente para uma melhor qualidade de vida para si e para as gerações futuras.

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Seminário do Sinduscon João Pessoa vai abordar construção sustentável

Fonte: Paraíba Total (06/03/2014)

Divulgação: Procel Info

Paraíba – O Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa realizará durante os próximos dias 23 e 24 de abril, o I Seminário Paraibano de Construção Sustentável. O evento, que acontecerá no Hotel Tambaú, tratará do uso eficiente de água nos lotes urbanos e abordará o tema sustentabilidade e materiais.

O objetivo é estimular a adoção de sistemas, processos e materiais que reduzam as perdas de materiais e a geração de resíduos, transmitir experiências e apresentar novas práticas. O tema vem crescendo de importância no setor e o evento permitirá que os construtores, engenheiros, arquitetos, estudantes universitários e tecnólogos possam adquirir mais conhecimentos em termos de eficiência energética, adoção de energias alternativas, coleta e reciclagem de material e economia de água.

Nesta linha, haverá palestra sobre Resíduos da Construção, a Coleta Seletiva dos Resíduos no Canteiro de Obras e Energias Alternativas e Selo de Eficiência Energética.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC) lançou, há dois anos, o Programa de Construção Sustentável elegendo como temas prioritários a utilização racional da água, o desenvolvimento humano, a maximização da eficiência energética, utilização de materiais e sistemas sustentáveis, meio ambiente, infraestrutura e desenvolvimento urbano, com a viabilização do crescimento sustentável, mudanças climáticas com adaptação do ambiente construído e redução de gases de efeito estufa na cadeia produtiva e diminuição do consumo de recursos naturais.

A CBIC elaborou o Guia das Boas Práticas em Sustentabilidade, em parceria com a Fundação Dom Cabral admitindo que este importante segmento produtivo traz impactos variados ao meio ambiente, desde a extração de matéria prima até a durabilidade dos produtos construídos, reutilização e reciclagem ou descarte de partes do que foi usado, reconhecendo que a construção gera 40% dos resíduos da sociedade.

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Estado de São Paulo tem mais de 55 mil condomínios

Fonte: Infra (07/03/2014)

Condomínios são instrumentos de avanço social

A Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), após fazer um levantamento junto à Receita Federal do Estado de São Paulo, identificou a existência de 57.221 condomínios registrados e legalizados no estado de São Paulo. Só na região metropolitana são 30.951 e na capital 24.360.

Esse volume projeta cerca de 60 mil empresas ativas, movimentando a economia, gerando empregos e pagando impostos. Antes disso já contribuíram para o desempenho da indústria de construção civil, que fechou 2013 com 3,4 milhões de empregos ativos.

Para o presidente da AABIC, Rubens Carmo Elias Filho, os condomínios representam muito mais do que a verticalização e a solução para a expansão imobiliária. “Além de contribuir para a redução do déficit habitacional, os condomínios, quando bem administrados, impõem rápida e simultaneamente regras positivas para um grande número de pessoas. Essa peculiaridade traz ganhos coletivos para o meio ambiente (como a coleta de lixo adequada, por exemplo), para a saúde (prevenção da dengue, entre outras) e para a organização urbana. Podemos ainda dizer que os condomínios minimizam problemas de mobilidade e segurança”.

Eles são, além da melhor alternativa para o desenvolvimento imobiliário nas médias e grandes cidades, potenciais instrumentos de avanço social. Para isso, no entanto, exigem gestão profissional, pois são pessoas jurídicas com funcionamento elaborado e uma série de obrigações operacionais e burocráticas. Ou seja, ao mesmo tempo que trazem benefícios expressivos têm capacidade para gerar grandes dores de cabeça quando mal administrados.

“Para evitar a armadilha é recomendável contar com o auxílio de uma administradora de condomínios. Essas empresas são fundamentais para orientar síndicos e condôminos sobre como estabelecer rotinas e determinar regras que garantam o bom funcionamento dos espaços e protejam a harmonia entre os moradores. Em geral são responsáveis por demandas fiscais e jurídicas, além de gerir a mão de obra contratada”, enfatiza Rubens.

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O segmento de Facility Management esta em luto

Lamentavelmente, o mercado de FM perdeu hoje um de seus profissionais mais engajados no desenvolvimento deste segmento, durante estes últimos anos.

Com participação expressiva no GRUPAS durante anos e sócio fundador da ABRAFAC, o colega Masaharu Matuzawa nos deixou no inicio desta quinta-feira, de forma serena e sem muito alarde, como era o seu jeito de ser.

Tomei conhecimento de sua partida hoje a tarde, através de nosso colega Abrantes.

Apesar de ter convivido pouco, o admirava por saber ouvir e se expressar se ferir o outro lado, não deixando de expor a sua própria opinião.

O velório será amanha no Cemitério do Araça, das 6 às 13hs.

Aos familiares, os nossos sinceros pêsames.

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Lima Walter divulga novo curso de Operação & Manutenção Predial em SP (Maio / 2014)

Assim como realizado em 2013, a Lima Walter realizará uma segunda edição do curso “Operação & Manutenção Predial” no mês de maio, mais precisamente nos dias 5, 6 e 7 de maio, no espaço da ABIMAQ em SP.

Segue abaixo o programa definido para o curso.

Aos interessados, solicito para que entrem em contato através dos meios indicados na seqüência da programação abaixo.

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CURSO OPERAÇÃO & MANUTENÇÃO PREDIAL

OBJETIVOS Conceituar Facility Management aos participantes e as principais áreas e serviços por ele abrangidas

  1. Dar aos participantes a visão sobre a representatividade da Operação & Manutenção Predial dentro da área de Facility Management
  2. Dar aos participantes novas visões, métodos e abordagens sobre os modelos de gestão da Operação & Manutenção Predial, sua evolução, categorização e principalmente as práticas de gestões mais atuais
  3. Estimular a reflexão e análise de problemas relacionados a estruturação e gestão da área de Operação & Manutenção

PÚBLICO ALVO Engenheiros, técnicos de nível médio, supervisores de operação e manutenção e gestores de facilities

Ementa / Conteúdo Programático

  1. Introdução a Gestão de Facilidades (Facility Management)
    1. Definição
    2. Áreas e Serviços sob a responsabilidade de um gestor de facilities
    3. A Operação & Manutenção Predial e sua representatividade dentro da área de facilities
  2. Definições sobre Operação & Manutenção Predial:
    1. Operação Predial (conceito, tipos de atuação)
    2. Manutenção Predial (conceito, tipos de manutenção)
    3. Áreas de Missão Crítica (conceito, tipos de áreas de missão crítica sob a gestão de um facility manager)
  3. O mercado de Operação & Manutenção Predial:
    1. Um overview sobre o mercado, seus pontos fortes e pontos de atenção
    2. A evolução / modernização da infraestrutura predial e os novos desafios para a área de Operação & Manutenção
  4. Planejamento Estratégico:
    1. Conceituação de Planejamento Estratégico
    2. As etapas de um planejamento envolvendo: i.    A compreensão sobre as necessidades e expectativas do Cliente ii.    A equipe de Gestão da O&M iii.    A definição do escopo e o estabelecimento de metas (níveis ou acordos de serviço, indicadores para o processo, etc) iv.    A seleção de um parceiro estratégico v.    Mobilização e Implantação vi.    O monitoramento de resultados vii.    O feedback e a realimentação do processo com novas informações
  5.  Sistemas Informatizados de Gestão:
    1. Adequando à nossa necessidade
    2. Ferramentas de Gestão e sua aplicação
    3. O papel do Gestor

6. Recursos Humanos:

    1. Perfil dos profissionais de O&M
    2. Motivação, envolvimento e participação
    3. Programas de Treinamento e Reciclagem
    4. A gestão do Conhecimento

7. Saúde & Segurança

8. Documentação Técnica Necessária

9. A gestão de resultados

    1. O importante papel do gestor e de sua equipe no resultado global
    2. Relatórios Gerenciais
    3. Gestão de Custos
    4. Gestão Energética

10. A Manutenção Predial sob a ótica das Normas Brasileiras e Internacionais

    1. NBR 5674 / 2012 – Manutenção de Edificações – Requisitos para o Sistema de Gestão de Manutenção

11. A importância de uma Operação & Manutenção para a Certificação “Verde” de uma edificação

    1. Certificação de Obras Novas (preocupação na fase de projeto)
    2. Certificação de Edifícios Existentes

Metodologia Aula expositiva, acompanhada de dinâmicas em grupo para uma melhor assimilação dos conceitos apresentados, assim como de exemplos práticos
Professor: Eng. Alexandre M F Lara Engenheiro Mecânico e de Produção Mecânica Graduado pela Faculdade de Engenharia Industrial  – FEI, Pós-Graduado em Refrigeração e Ar Condicionado (FEI), Pós-Graduado em Avaliações e Perícias de Engenharia pela UNISANTA / IBAPE-SP. Membro do Conselho Editorial da Revista Climatização – Nova Técnica Editorial, sócio fundador e primeiro presidente Associação Nacional de Profissionais de Refrigeração e Ar Condicionado – ANPRAC, associado e Membro do Conselho Deliberativo da ABRAFAC – Associação Brasileira de Facilities e autor de diversos artigos sobre comissionamento, auditorias de qualidade na prestação de serviços, manutenção e operação em instalações prediais e industriais para as revistas INFRA, TECHNE, PINI / Construção Mercado, ABEMPI e Climatização & Refrigeração. Atua há 26 anos na implantação, coordenação, auditoria e consultoria em projetos de O&M predial e industrial, além de atuar como Agente de Comissionamento em alguns dos principais projetos certificados no Brasil. Ministrou palestras, seminários e cursos através de entidades de nosso setor, tais como ABRAFAC, ANPRAC, FUPAM–USP, IBAPE-SP, IBAPE-PR, SENAI-SP, entre outras. É docente da cadeira de “Comissionamento, Medição & Verificação” no MBA – Construções Sustentáveis – UNICID e docente da cadeira “Gerenciamento de Operações” no curso de especialização Gerenciamento de Ativos Imobiliários Corporativos – FDTE / CORENET. É Diretor Técnico da A&F Partners Consulting Engenharia Ltda. O valor do curso inclui: Material didático Coffee breaks Planilhas de Trabalho Conjunto de Indicadores das Pesquisas Sobre Facilities da RBM – Rede Brasileira de Manutenção Certificado chancelado pelo COPIMAN (Comitê Pan-Americano de Manutenção) Data e Local do Curso:

Data e Local do Curso: ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos Av. Jabaquara, 2925, Mirandópolis Cep: 04045-902 – São Paulo – SP Dias 5, 6 e 7 de maio de 2014

INSCRIÇÕES: Para mais informações e ou inscrições, envie e.mail para paulo.roberto@limawalter.com.br ou entre em contato pelo telefone 21 – 99731-5454

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Haddad quer barrar novos espigões dentro de bairros em SP

Fonte: Folha.com (10/03/2014)

 A gestão Fernando Haddad (PT) pretende limitar o tamanho dos prédios em até oito andares no miolo dos bairros verticalizados da cidade.

A regra é uma das principais novidades do texto final do Plano Diretor, conjunto de normas que vai orientar o crescimento da cidade nos próximos anos, que será apresentado na Câmara Municipal nesta semana.

Se o plano for aprovado com essa redação, a construção de espigões ficará limitada a grandes avenidas servidas por transporte público (metrô e corredores de ônibus) e áreas vizinhas.

Dentro dos bairros, os novos edifícios não poderão ultrapassar a altura de 25 metros, que, em média, representa oito andares.

O vereador Nabil Bonduki (PT), relator do plano, que tem aval do prefeito, disse em entrevista à Folha que a expectativa é que a proposta seja votada até o fim de abril.

“A lógica é concentrarmos o adensamento nas regiões que realmente interessa [servidas de transporte]. Deixando as áreas do miolo menos adensadas”, disse.

O principal objetivo do plano é aumentar o número de moradias nas margens das grandes avenidas, por onde circulam os ônibus, ou nos arredores (raio de 200 metros) das estações de metrô e trens da cidade.

Algumas das áreas em que passaria a vigorar o gabarito de oito andares já são bastante verticalizadas, mas seguem na mira do mercado imobiliário, como por exemplo Pompeia, Perdizes, Morumbi e Moema.

O plano em vigor não prevê o limite de construção nos miolos desses bairros.

“Mesmo que você tenha uma construção vertical nessas áreas, ela vai ser mais baixa. Com isso, não vai haver o conflito que existe hoje”, afirma Bonduki.

O conflito a que se refere o vereador é a mescla de casas, que remetem à São Paulo dos anos 50, e dos chamados paliteiros -conjuntos de torres com mais de dez andares que surgiram com o boom imobiliário dos anos 1990 e 2000.

editoria de arte/folhapress

ZONA ESPECIAL

Segundo a proposta, em áreas em que predominam as casas, como Pacaembu e parte do Alto de Pinheiros -onde já vigoram restrições- a proibição aos prédios, de qualquer altura, continua.

Outra nova regra incluída no texto é a que prevê a ampliação das habitações de interesse sociais, voltadas à população de baixa renda.

Seguindo uma sugestão do setor imobiliário, que tem pouco interesse em moradias para pessoas com renda abaixo de seis salários mínimos, o plano vai incentivar construções para quem ganha entre 6 e 12 salários mínimos.

Para construir nessas áreas especiais, que estão sendo definidas, as construtoras interessadas receberão incentivos econômicos.

O instrumento pelo qual a prefeitura vai pôr em prática essas e outras regras é a chamada outorga onerosa, que é uma contrapartida paga por construtoras para poder construir em determinadas áreas com restrições.

Por exemplo, o plano prevê tornar mais caro construir imóveis comerciais no centro expandido da cidade, onde a oferta já é alta. Por outro lado, as contrapartidas serão mais baixas para prédios residenciais na região central.

Nos extremos, a ideia é fazer o inverso. “Vamos alterar o cálculo das outorgas onerosas”, diz o vereador.

“Se a pessoa que mora no extremo da zona leste parar no meio do caminho [porque o emprego dela estará ali], em vez de ir até o centro, será um ganho importante”, afirma o vereador petista.

Reduzir esses descolamentos é uma das promessas de campanha do prefeito Fernando Haddad.

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Expansão da capacidade termelétrica está em risco

Fonte: Valor Online (07/03/2014)

Por: Daniel Rittner e André Borges

A ampliação da energia entregue pelas usinas térmicas, que atualmente trabalham a plena carga para suprir a demanda elétrica do país, está comprometida. O sinal de alerta sobre a capacidade de geração de novas usinas movidas a óleo, gás e carvão consta de relatórios de acompanhamento realizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O cenário é ruim.

Os dados da agência apontam que, entre 2014 e 2020, um total de 6.942 megawatts (MW) de geração térmica deveria ser adicionado à matriz energética do país. Um terço dessa potência (2.341 MW), no entanto, não tem previsão para sair do papel.

Outros 1.020 MW apresentam uma série de restrições para entrar em operação. A situação é grave, à medida que não se trata mais de projetos meramente planejados pelo governo, mas sim de empreendimentos que foram outorgados pela Aneel e que estão – ou deveriam estar – em fase de implantação pelas empresas.

Muitos dos problemas com as térmicas, de acordo com os dados da agência, estão relacionados ao grupo Bertin. Quase metade da energia que ainda não tem previsão para entrar em operação está, segundo a Aneel, nas mãos do grupo. O Valor apurou que a empresa já conta com uma lista de 17 projetos cancelados pela agência por atrasos. O Bertin foi acionado para pagar garantias que giram em torno de R$ 450 milhões, mas até hoje nenhum centavo foi desembolsado. A empresa tem liminares judiciais contra a cobrança.

Apesar dos projetos revogados, a empresa ainda conta com uma relação de seis usinas com contratos ativos e em construção no complexo industrial de Aratu, na Bahia. Esse grupo de térmicas, todas movidas a óleo, soma 1.056 MW de potência. Procurado pelo Valor, o Bertin informou que deverá iniciar a operação comercial das seis usinas ainda neste ano. “Já foram investidos até agora cerca de R$ 1 bilhão, 100% recursos próprios do acionista. A evolução das obras tem sido periodicamente informado à Aneel”, declarou a empresa.

Os obstáculos que se impõem à geração térmica não se restringem à situação específica de uma ou outra empresa. Especialistas do setor afirmam que boa parte das dificuldades de viabilizar essas usinas está no modelo de leilão feito pelo governo. Como as térmicas são fontes mais caras que a hidrelétrica ou a eólica, acabam ficando de fora das contratações de energia.

“O setor precisa que o governo estabeleça condições mais condizentes com a realidade das térmicas, caso ele realmente queira contratar essas usinas”, diz Luiz Fernando Zancan, presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM). Há quatro anos, o governo não contrata térmicas a carvão. Em 2009, afirma Zancan, duas usinas previstas para entregar quase 1 mil MW – a usina de Usitesc (SC) e de Seival (RS) – chegaram a entrar no páreo, mas o governo decidiu excluir a fonte do leilão por conta de implicações ambientais. “Se essas duas usinas estivessem em operação hoje, o setor elétrico estaria economizando cerca de R$ 500 milhões por mês em gastos com óleo diesel, produto importado bem mais caro que o carvão”, diz Zancan.

A crescente dependência da geração térmica tem sensibilizado o governo, avalia Luiz Fernando Vianna, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine). Ele lembra que, até início dos anos 2000, a geração de energia do país era, basicamente, hidrelétrica, com o acionamento de térmicas apenas em situações complementares.

“É preciso observar que esse cenário mudou. Com a redução dos reservatórios de acumulação de água, passamos a necessitar mais de térmicas. Hoje o sistema brasileiro é hidrotérmico, essas usinas entraram para a base do abastecimento”, afirma Vianna. “O governo está sensível a isso. Acredito que, no leilão do segundo semestre, haverá espaço para contratação de novas térmicas.”

O parque instalado da geração térmica do país possui 1.823 usinas em operação. A maior parte dessas estruturas – 1.146 unidades – são alimentadas por óleo diesel, uma das fontes mais poluentes de energia. A potência instalada das usinas movidas a óleo (7.679 MW), porém, é inferior à geração baseada em gás, que tem capacidade de injetar 13.632 MW no sistema elétrico.

Hoje, o potencial de geração de todas as térmicas do país é de 36.538 MW, o que equivale a 29% da capacidade instalada do país, um total de 126,7 mil MW. A energia gerada pelas hidrelétricas representa 67,65% desse montante. Como a prioridade de geração efetiva de energia, no entanto, são as hidrelétricas, quase 80% da eletricidade entregue no país no ano passado partiu de turbinas movidas pela água.

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Estamos a 100 dias do fim de um sonho

Fonte: Valor Online – 06/03/2014

Por : Paulo Resende

Em 30 de outubro de 2007 tinha início uma onda de euforia no Brasil, tomada por promessas de grandes realizações que contaminaram a sociedade com um sentimento de orgulho e esperança. Orgulho pelo futebol, que enfim voltava para casa, e pela esperança em se prover as cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 com padrões de infraestrutura compatíveis com a trajetória de um país que se alçava ao seleto grupo do Primeiro Mundo. O brasileiro enxergava nessa escolha uma possibilidade real de que as obras finalmente ultrapassariam o contexto de curto prazo, imediatista, e se estenderiam para o futuro, como legado avalizado pelo evento de dimensões globais.

Em 2008, com a escolha puramente política das 12 sedes, a lista de projetos desenhava um novo Brasil, onde a matriz de responsabilidades trazia promessas de duplicação da capacidade de sete terminais aeroportuários, ligação por metrô ou por veículos leves sobre trilhos de seis aeroportos aos estádios e outras áreas das cidades, duplicação das redes metroviárias em quatro metrópoles, e criação de redes de monotrilhos e BRTs em quatro sedes. Contudo, em 2009, surgiu o primeiro sinal de um frustrante movimento de substituição da euforia pela dura realidade das limitações de recursos, impossibilidades técnicas e cronogramas apertados. O legado começava a ruir, com projetos de metrôs dando lugar aos BRTs, ligações metroviárias entre aeroportos cedendo espaço para a duplicação de avenidas já existentes, novos terminais sendo substituídos por temporários em vários aeroportos, enfim, tudo para não fazer feio em 2014. Naquele momento, o futuro do Brasil estacionava na final da Copa do Mundo.

Mobilidade urbana tem a ver com eficiência de movimentos pautada pelo equilíbrio entre fluidez e acesso

Não bastasse tal desconsideração pelo povo brasileiro, a confiante gestão pública nos preparou mais uma decepcionante surpresa. A cem dias da Copa, apenas parte das obras em andamento ficará pronta. Os estádios, no entanto, estarão no padrão Fifa e isso é o que interessa. Afinal, sempre poderão ser acionadas medidas emergenciais como a decretação de feriados, restrições aos movimentos nos dias de jogos para os corredores que levam aos estádios e maquiagens em aeroportos para passar a impressão de que o país está entregando a Copa com excelência. É quando entra em cena a máxima que prega “dos males o menor” em associação com “tudo vai dar certo, pois Deus é brasileiro”.

A cem dias da Copa, é preciso, no entanto, trazer à tona aquelas boas lembranças para tirarmos lições em nome da continuidade de um sonho. Nas 12 cidades-sede existe hoje uma prevalência de projetos de mobilidade urbana que favorecem o transporte coletivo, embora muito acanhados em relação a 2007. A partir de agosto, a luta é para que se acelerem novos investimentos, em especial nos metrôs e trens metropolitanos, capazes de transferir pessoas dos seus veículos para o transporte de massa. Considerando o alto nível de urbanização do Brasil, em que cerca de 85% da população vivem em áreas urbanas, o favorecimento aos carros e motos é um grande obstáculo para a qualidade de vida nas cidades. Se a população brasileira cresceu 11% na última década, o registro de veículos aumentou 122%, sem que houvesse uma contrapartida do mesmo nível na oferta de transporte público. Este será um grande desafio, quando os torcedores voltarem a ser cidadãos no cotidiano urbano.

Uma segunda lição: a oferta de corredores de transportes deve levar em consideração o propósito e a dinâmica dos deslocamentos. Se hoje os projetos de mobilidade urbana para a Copa se restringem a prover um deslocamento eficiente, seguro e confortável para os turistas que sairão dos hotéis em direção aos estádios, os brasileiros no seu dia-a-dia também merecem esse benefício. Os gestores públicos precisam entender que as regiões metropolitanas são compostas de cidades-dormitório e centros de atração de viagens, formando uma rede dinâmica cujos fluxos ultrapassam os limites da cidade. Ou seja, mobilidade urbana não tem a ver somente com transporte, mas com uma eficiência de movimentos pautada pelos benefícios do equilíbrio entre fluidez e acesso. Outro grande desafio é a substituição da gestão da mobilidade urbana municipal pela metropolitana, com planejamento integrado para corredores intermunicipais.

Wesley Santos/Folhapress / Wesley Santos/Folhapress

 

Finalmente, chega-se aos aeroportos – exemplos de descaso com a infraestrutura nacional. Quando o turista desembarcar para acompanhar os jogos, encontrará painéis atraentes, com paisagens brasileiras de tirar o fôlego, mas que esconderão obras inacabadas ou cenas de Terceiro Mundo. Como os aeroportos são ambientes isolados e menos sujeitos à influência de variáveis incontroláveis, operações temporárias darão conta de cuidar bem do turista. Porém, dos 12 projetos aeroportuários nas cidades-sede, apenas três ou quatro estarão concluídos.

Nesse contexto, conhecendo a ineficiência do poder público em executar o prometido, optou-se pela concessão dos aeroportos à iniciativa privada. E talvez esta seja a grande lição: a incompetência do passado garantiu a melhoria futura, caracterizando um legado acidental.

Aqueles que limitaram o futuro do Brasil a julho de 2014 não estarão aqui quando as novas gerações cobrarem o respeito que por todos é merecido. Jogar o jogo da lamentação devido ao desastroso processo de tomadas de decisão que imperou de 2007 até agora é colocar lenha em uma fogueira que só aquecerá os oportunistas e os que pregam a máxima “dos males o maior”. A 100 dias da Copa, a grande lição está em aprender, mais uma vez, com os erros do presente, para que seja formada uma compreensão definitiva de que o país que construímos possui vida a ser respeitada após a Copa e que os grandes atores de hoje não passarão de sombras de um passado que lutaremos para esquecer.

Paulo Resende é professor e coordenador do Núcleo CCR de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral.

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ASBRAV realiza hoje em Porto Alegre a palestra “Mulher em todos os sentidos”

ASBRAV Palestra Mulher

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O princípio do gargalo – Folha de SP

Fonte: Folha de São Paulo – 05/03/2014

Por:  Alexandre Schwartsman

“Foi um ano de PIB mais fraco, abaixo das nossas expectativas. Mas com trajetória positiva de aceleração e que vai continuar”, disse o ministro da Fazenda. Segundo Guido Mantega, a expectativa do governo para o crescimento do PIB em 2013 é de 3% a 4%.

2013?! Não, não é um erro de digitação, mas, sim, a entrevista de Mantega há um ano, comentando os resultados do “pibinho” de 2012 e, para não perder a viagem, prevendo –errado como sempre– um desempenho muito melhor no ano que passou.

Agora sabemos que o crescimento em 2013 atingiu modestos 2,3%, sem dúvida melhor do que o 1% registrado em 2012, mas igualmente distante dos 3,5% (a média entre 3% e 4%) prometidos à época.

Aparentemente imune a qualquer experiência de aprendizado, contudo, o ministro repete a mesma ladainha, apelando inclusive para o mesmo argumento: o comportamento do último trimestre do ano, tanto agora como então algo superior ao esperado pelo mercado.

A verdade, porém, é que o desempenho medíocre de 2013 revela mais das fraquezas do nosso modelo de crescimento do que o ministro e sua trupe têm condições de entender. Não há como manter um ritmo decente de desenvolvimento baseado no consumo crescente, seja das famílias, seja do governo.

Apesar da expansão mais vigorosa do investimento, o principal motor da demanda no ano passado foi o consumo, cuja contribuição explica praticamente dois terços do aumento do PIB de 2013.

Em consequência, a poupança do país encolheu ainda mais, de 14,6% para 13,9% do PIB, insuficiente para financiar até o modesto nível de investimento (18,4% do PIB) registrado no período.

A contrapartida do baixo investimento é o aumento não menos medíocre da produtividade. Tomada a valor de face, ela teria crescido 1,5% no ano passado, já que o produto aumentou 2,3%, e o emprego, 0,7%. Ocorre que, se crermos nisso, também seríamos obrigados a acreditar que em 2012 (quando o produto aumentou 1%, e o emprego, 2,2%) a produtividade teria caído 1,1%, o que me parece um absurdo.

“Limpando”, porém, essas flutuações, estimo que o produto por trabalhador tenha crescido a uma velocidade média de 0,7% a 0,8% ao ano no período mais recente, desempenho para lá de insatisfatório.

Assim, se tomarmos a média do crescimento dos últimos três anos (2,1% ao ano), a contribuição do aumento da produtividade é minúscula, apenas 0,4% ao ano, vindo o restante (1,7% ao ano) da expansão do emprego. Trata-se, pois, de crescimento baseado na “força bruta”, cujos limites se tornam visíveis à medida que se esgota o estoque de trabalhadores desempregados.

As perspectivas, portanto, não são particularmente animadoras. O consenso de mercado aponta para uma expansão da ordem de 1,7% em 2014. Mesmo notando que nos últimos dois anos o crescimento foi menor que o esperado pelos analistas, parece ser uma projeção bastante razoável.

Já a previsão (sempre mais otimista) do ministro –a saber, uma taxa de crescimento maior em 2014 que em 2013– requer uma aceleração que parece além da capacidade do país, fundamentalmente por causa dos gargalos de mão de obra, infraestrutura e produtividade.

Já passou o momento de mudarmos nosso modelo de crescimento. Este funcionou bem enquanto a economia dispunha de folga considerável de recursos, isto é, desemprego e capacidade ociosa elevados, que podiam ser mobilizados rapidamente pelo estímulo à demanda.

Sem essas condições, porém, o crescimento requer mais do que isto. São necessários reformas que destravem o crescimento da produtividade, um clima de negócios que incentive o investimento (e não a busca de favores governamentais) e o aumento da poupança, pela redução do gasto público.

O principal gargalo nesse contexto é a falta de capacidade intelectual e gerencial no governo que permita essa imprescindível correção de curso; é isto, mais que qualquer outro fator, que nos condena a uma triste sequência de “pibinhos”.

aschwartsman@gmail.com

@alexschwartsman

ALEXANDRE SCHWARTSMAN, 51, é doutor em economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil, sócio-diretor da Schwartsman & Associados Consultoria Econômica e professor do Insper. Escreve às quartas nesta coluna.

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