Tecnologia Li-Fi…., o que significa?

Os novos projetos de infraestrutura e projetos de edifícios sustentáveis têm se utilizado de novos recursos e tecnologias em automação para sistemas de iluminação interna e também externa.

O artigo abaixo publicado pelo Procel Info esclarece sobre uma destas tecnologias, o Li-Fi.


Fonte: Procel Info

Por: Tiago Reis

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Uma tecnologia que pode revolucionar o setor de iluminação e comunicação. Essa tecnologia é o Li-Fi, que utiliza a luz para transmitir dados em alta velocidade. Diferente da Wi-fi, que usa ondas de rádio, o Li-Fi usa lâmpadas de LED para transmitir as informações, numa velocidade 100 vezes mais rápida do que estamos acostumados atualmente. O grande diferencial dessa tecnologia é que, a partir de lâmpadas de LED, o usuário será capaz de se conectar à internet com altíssima velocidade e realizar várias funções, como enviar dados, assistir vídeos ou ouvir músicas ou podcasts.

Em entrevista concedia ao Portal Procel Info , durante o III Workshop de Iluminação a LED realizado em outubro no Cepel (Centro de Pesquisas de Energia Elétrica), Isac Roizenblatt (foto), Diretor Técnico da Abilux (Associação Brasileira da Indústria de Iluminação), avaliou a chegada ao mercado dessa nova tecnologia. Para ele, com a evolução constante, é provável que já no início da próxima década essa tecnologia ganhe espaço no cotidiano das pessoas.

Na entrevista, Isac Roizenblatt, também comenta sobre as vantagens e desvantagens do Li-fi, como o mercado de iluminação está se preparando para a consolidação dessa nova tecnologia e quais podem ser os impactos no setor elétrico e de conservação de energia.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

Procel Info: O que é o Li-Fi e quais as suas vantagens em comparação com o Wi-Fi?

Isac Roizenblatt: O problema básico é que o Wi-Fi está quase saturado. Não vai haver espaço mais para você mandar mensagens, informações, vídeos. Não vai haver mais espaço. Então, você vai ter que aproveitar uma tecnologia nova que permita fazer isso. Então, o Li-Fi é o que vai abrir espaço, já que ele é muito mais potente, muito mais veloz e pode carregar um número enorme de informações. Então, ele vai entrar do mesmo jeito que estão os LEDs, ele vai entrar em tudo quanto é lugar. O LED, por ser digital, permite que você tenha essa comunicação para o Li-Fi. Então, ele só tem uma desvantagem: como ele é luz, ele não passa pelas paredes. Ele não consegue atravessar barreiras físicas, porque ele é luz. Então, o que você vai ter que fazer, quando precisar se comunicar com ambiente externo? Você terá que ter um interlocutor entre o ambiente interno e externo, uma espécie de roteador. E depois pode continuar usando o Li-Fi de novo. Por outro lado, como ele não sai pelas paredes, ele tem uma grande vantagem de segurança. O que está naquele local não sai daquele lugar. A outra vantagem é que como a iluminação está em todo lugar, o Li-Fi pode funcionar em todo lugar e isso é uma grande vantagem. Ele é muito mais rápido, porque ele é luz. Os dados trafegam na velocidade da luz, que é muito mais rápida que o Wi-Fi.

Procel Info: Hoje o Li-fi não teria nenhuma comparação com as tecnologias já existentes?

Isac Roizenblatt: Não. Porque todas as outras tecnologias que se usam de Wi-Fi funcionam em ondas de radiofrequência. E esse Li-Fi é luz. Então é uma nova tecnologia que funciona na velocidade da luz. Sobre as dificuldades, todo começo é difícil. O pessoal tem que aprender como funciona, tem que aprender como se faz, tem que desenvolver equipamentos. Vai ter que desenvolver receptores para notebooks e celulares e outros dispositivos móveis. Nas luminárias, vão ter os transmissores. Então, é algo que ainda vai entrar. Por enquanto, o que você tem são aparelhinhos que você conecta a luminária para jogar o sinal para baixo. E você tem aparelhinhos que você conecta ao notebook para jogar o sinal para cima. Então, podemos dizer que ainda estamos em fase de transição.

Procel Info: Como essa tecnologia pode impactar o setor de iluminação e o setor de energia?

Isac Roizenblatt: No setor de iluminação o Li-Fi vai impactar completamente, já que essa tecnologia estará presente em quase todos os lugares, tanto na iluminação interna quanto na externa. Por exemplo, na iluminação pública, uma luminária enxerga a outra, fora as pequenas exceções. Nos ambientes internos, aí não tem problema nenhum, porque realmente está tudo dentro. E tem também a questão da conservação de energia, já que o LED sempre se traduz em eficiência. Mas na conservação de energia, como é algo muito recente, ainda não sei te responder quais seriam os impactos mais significativos. Mas, sem dúvidas, haverá impactos.

Procel Info: É tão revolucionário que fica difícil mensurar os benefícios…

Isac Roizenblatt: Sim. Provavelmente deve ter grandes benefícios, com as cidades inteligentes, a internet das coisas e a digitalização. Como ele vai conectar com a internet das coisas, com a nuvem, com satélites, o Li-Fi vai conectar com tudo. Voltando à conservação de energia, o que eu acho é o seguinte: assim como você pode usar o LI-fi na iluminação pública, diminuindo a luz da via pública depois da meia noite, por exemplo, e algumas ruas. Isso gera eficiência tanto na área de energia, quanto na gestão do serviço de iluminação.

Procel Info: Sobre a implementação em grande escala dessa tecnologia, o senhor acredita que será algo rápido?

Isac Roizenblatt: Olha, o que eu li é que a próxima geração de celulares e notebooks já vai ter o sensor de recepção de Li-Fi. Então, esse vai ser o primeiro passo. Nas luminárias é fácil colocar um driver (sensor) que mande sinal através do LED. Então, eu acho que daqui a uns dois ou três anos isso aqui começa a crescer. A velocidade de evolução é muito rápida. Hoje em dia uma coisa atropela a outra rapidamente. Então, o que eu acho, que nós devemos fazer aqui no Brasil é começar a ter as primeiras instalações para aprender como funciona. Porque aí todos nós aprendemos e, quando realmente tivermos volume, a tecnologia estiver mais desenvolvida, a gente já vai saber como é que se fazem as coisas.

Procel Info: E ter uma tecnologia adaptada para a nossa realidade.

Isac Roizenblatt: Isso mesmo. Então eu acho que a gente deve começar a fazer já. Deve ter alguns experimentos, como, por exemplo, o Cepel, poderia fazer na sua área interior um teste já usando o Li-Fi. Outros casos seriam as distribuidoras de energia. Conversando com o pessoal da Cemig, falei que, por exemplo, poderiam pegar uma avenida em Belo Horizonte e fazer esse teste na iluminação pública da capital mineira. Então, é por aí. Tem que começar a fazer.

Procel Info: Quais são os países mais avançados na utilização dessa tecnologia?

Isac Roizenblatt: No momento, quem está mais avançado nessa tecnologia são os países da Europa e os Estados Unidos. Os melhores exemplos que tenho são de companhias das Europa e dos Estados Unidos. Na Ásia e demais continentes, essa tecnologia ainda possui pouca relevância.

Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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