Por Alexandre M F Lara
Publicamos em abril deste ano um post tratando sobre o tema “cadastramento de ativos e sua importância“, no qual reforçamos a necessidade de “ajuste na visão do planejador” no que se refere a conhecer a função a ser desempenhada pelos ativos e a adoção de uma visão sistêmica para o cadastramento e planejamento das atividades de manutenção. Convido novamente a todos para que visitem o post através do link acima.
A adequada definição e condução de um processo de cadastramento permitirá com que se conheça, de forma tecnicamente válida e completa, o conjunto de ativos e componentes que integram os sistemas e que demandarão por cuidados de manutenção, assegurando o cumprimento de sua função ao longo da vida útil esperada para o ativo.

Porém, uma das maiores e mais recorrentes dificuldades encontradas nas organizações refere-se a decisão quanto a onde investir primeiro os seus recursos de manutenção…Embora aparentemente óbvia esta pergunta, observa-se no mercado, e de uma forma generalizada, a aplicação de recursos de forma igualitária, ou seja, sem qualquer distinção com base no que se denomina de Criticidade Funcional de um Ativo.
Na realidade, pode-se dezir que a Criticidade Funcional de Ativos nada mais é do que uma medida do impacto provocado pela perda ou degradação da função de um ativo sobre requisitos de extrema importância, entre eles:
- A segurança para mantenedores e usuários do edifício ou área considerada
- A segurança em relação a edificação e patrimônio
- A eventual agressão ao meio ambiente
- A descontinuidade da operação, prejudicada pela indisponibilidade do ativo ou de um prejuízo ao desempenho de sua função
- A qualidade do serviço ou produto gerado pelo ativo
- Aos custos da organização
- Potencial prejuízo a imagem da organização
Trata-se, portanto, de uma análise conjunta, ou seja, dentro do conceito de confiabilidade, do prejuízo à estas condições acima, com a aplicação de um modelo estruturado feita por um facilitador treinado e experiente. Notem que, paralelamente a definição da criticidade funcional do ativo, a área de Engenharia de Manutenção deverá definir claramente as Estratégias de Manutenção a serem consideradas para cada nível de criticidade apurado.

Infiográfico gerado com o auxílio do Chat GPT
De forma prática, o PPCM atribuirá a melhor estratégia de manutenção previamente definida para atender o ativo dentro de sua classificação de criticidade funcional, tendo como meta a preservação de sua função durante a sua vida útil projetada.
Entretanto, deve-se lembrar que as nossas edificações, instalações e respectivas operações podem ser consideradas como “elementos vivos”, ou seja, tendo objetivos e funções alteradas / ajustadas no decorrer de sua ocupação e uso, além de estarem sujeiras ao envelhecimento e degradação de parte de suas características ou funções, o que sempre requererá uma revisão e eventual ajuste quanto a sua criticidade funcional e, evidentemente, quanto a aplicação da melhor estratégia.
Esta análise e sua atulização contínua permitirá com que recursos de OPEX e CAPEX sejam adequadamente endereçados, contribuindo para o principal objetivo de manter ou preservar a função de seus ativos.
Um bom trabalho!