Um ano depois, legado da Copa no Brasil foi negativo para a economia

Fonte: Jornal da Globo

Por: Thiago Guedes / Eunice Ramos / Alessandro Torres / Bernardo Bortolotto / Fernanda Graell

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Para que serviu a Copa do Mundo, que começou há exatamente um ano? Do ponto de vista econômico, serviu para pouco. Do ponto de vista político, também.

As conclusões negativas estão em um estudo de duas respeitadas instituições, a Fundação Dom Cabral e a Universidade Griffth, na Austrália, que se juntaram para avaliar o legado da Copa no Brasil.

Para a economia, o legado foi negativo, segundo esse estudo. O dinheiro gasto poderia ter sido melhor empregado em outros setores. Muitos recursos poderiam ter sido aplicados em outros tipos de benefícios à população.

A maior crítica foi dirigida aos estádios, nos quais foi constatado estouro dos orçamentos e arenas deficitárias. Um grande número de obras sequer foram completadas um ano depois. São os casos de Cuiabá e Porto Alegre, por exemplo.

Confira alguns desses problemas em cinco capitais.

MANAUS

A luta na cidade é para tirar a Arena da Amazônia do marasmo. O estádio custou cerca de R$ 670  milhões e, de todos os 12 da Copa, foi o que menos recebeu jogos depois do evento. Foram apenas nove em um ano.

O campeonato estadual passou longe dali. Só a decisão, que acontecerá nos próximos dois sábados (13 e 20), será no estádio construído para a Copa. Os clubes não têm interesse e reclamam do alto custo.

manutenção mensal passa dos R$ 500 mil, que ficam por conta do Governo do Estado. Mesmo somando tudo o que foi arrecadado com futebol e shows, a Arena da Amazônia deu um prejuízo de quase R$ 4 milhões desde que foi inaugurada em março do ano passado.

CUIABÁ

A Arena Pantanal tem recebido alguns jogos, mas eles não cobrem o custo mensal de manutenção, que chega a R$ 1 milhão. É mais um estádio da Copa que acumula prejuízos. No caso das obras atrasadas, a mais problemática é a do veículo leve sobre trilhos, que cortaria a cidade de norte a sul e do leste ao centro. Os vagões chegaram, mas os trilhos não avançaram. Das 32 estações, apenas uma ficou pronta. A entrega do VLT já foi adiada sete vezes e a promessa agora é que ele comece a circular só daqui a três anos.

FORTALEZA

obra do VLT que deveria percorrer 12 quilômetros por Fortaleza na Copa do Mundo ficou pela metade. Agora, parte dos trilhos é ocupada por famílias de pessoas que não têm onde morar. No ano passado, por causa do atraso, o Governo do Estado rompeu o contrato com o consórcio que iniciou a obra.

Uma nova licitação foi aberta há dois meses, mas ainda não tem prazo para ser concluída. A situação é semelhante no Aeroporto Internacional de Fortaleza. A obra de ampliação do terminal de passageiros que começou em 2012 não ficou pronta a tempo da Copa do Mundo e o contrato com o consórcio foi rompido com apenas 15% da obra concluída.

PORTO ALEGRE

Só as melhorias ao redor do estádio Beira Rio foram entregues na época do mundial. Várias obras estão atrasadas. Das 14 previstas para a Copa, 10 ainda não estão prontas.

É o caso da duplicação de uma importante avenida da cidade, que não tem prazo para acabar. Falta transferir mais de 500 famílias que vivem ali para um conjunto habitacional que nem sequer saiu do papel.

RIO DE JANEIRO

Há muito tempo quem passa pelo aeroporto internacional do Rio encontra tapumes por toda parte. A RIOgaleão, concessionária responsável pelo aeroporto desde agosto do ano passado, diz que está negociando com a Infraero, antiga administradora, para que todas as obras pendentes terminem o quanto antes.

A reforma no aeroporto começou em 2008 e a data inicial de entrega seria abril de 2014, antes da Copa. Depois, passou para maio, para dezembro e atualmente não há mais previsão. É bom lembrar que em agosto do ano que vem o Rio vai ser sede dos Jogos Olímpicos.

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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