Setor industrial só fica com 2,7% do investimento em eficiência energética

Fonte: Brasil Energia

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O setor industrial, que responde por cerca de 40% do consumo nacional de energia elétrica, somou apenas 46 projetos cadastrados pelo programa de eficiência energética da Aneel, entre 2008 e 2014. O volume de investimento nos projetos voltados para as indústrias chegou a R$ 107,3 milhões, o que representou apenas 2,7% dos R$ 4,045 bilhões aplicados no período.

O desenvolvimento desses projetos no setor industrial enviados à Aneel até dezembro do ano passado representou uma economia de 140,88 GWh/ano, com uma demanda retirada de ponta de somente 9,32 MW. Num momento de escassez energética, os números mostram que o foco do programa precisa mudar.

“A concentração dos recursos nos segmento de baixa renda e do poder público distorce um programa positivo para a eficiência energética”, comenta Rodrigo Aguiar, presidente da Abesco, defendendo um foco maior nos segmentos industrial e comercial.

Pelas regras atuais, 60% dos investimentos – que totalizam 0,5% da receita operacional líquida das distribuidoras – são direcionados para ações para o segmento de baixa renda, que responde por somente 5% do consumo do país.

Entre 2008 e 2014, a Aneel somou 391 projetos para baixa renda que receberam um investimento total de R$ 2,43 bilhões; ou seja, 60,2% dos recursos totais, pouco acima até do que estabelece a legislação. Resultado: um economia de 2.153,36 GWh/ano, com 802,77 MW de demanda retirada da ponta.

Na distribuição dos recursos do programa de eficiência energética, o setor industrial também perdeu de longe para outros segmentos. Entre eles o poder público, com 383 projetos, que ficou com 12,5% do volume investido; o residencial, com 9,7%, e 85 projetos; o educacional, com 3,5%, e 65 projetos; e o de serviços públicos, com 3,3%, e 129 projetos.

“O programa tem hoje um viés político muito pesado”, destaca Aguiar, acrescentando que o setor industrial tem um grande potencial para o desenvolvimento de projetos de eficiência energética. Alguns caminhos têm sido buscados para tentar distribuir melhor os recursos.

Uma regulamentação da Aneel de julho de 2013 tornou obrigatória a destinação de 50%, no mínimo, dos recursos não vinculados por lei para os setores industrial e comercial, os dois de maior consumo. Por ser ainda muito recente, a medida vai levar um pouco mais de tempo para mostrar seus reflexos.

Costurada já há algum tempo pelo setor industrial e de grandes consumidores, outra solução busca enquadrar os investimentos em eficiência energética na rubrica operação. A ideia, capitaneada pela CNI e Abrace, está na fase de modelação do negócio.

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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