Projeto de impermeabilização: conheça cuidados técnicos e erros comuns

Este artigo foi recentemente divulgado pela AEC Web e trata de uma das questões mais importantes em uma edificação, ou seja, em seu “envelope”, tanto no que se refere aos cuidados necessários para a elaboração do projeto, quanto a necessidade de se conhecer a área e suas características antes da proposição de uma das soluções de mercado.

No entanto, gostaria de também destacar aqui alguns outros pontos ainda relacionados ao tema, no que tange as fases de uso, garantia e manutenção…

Sobre a vida útil de projeto para os sistemas:

Trecho da Tabela C.6 extraída da ABNT NBR 15.575-1

Segundo o estabeleceido pela ABNT NBR 15.575 em sua parte 1, a vida útil de projeto para o sistema de impermeabilização em áreas externas será de 4 à 12 anos, dependendo do tipo de sistema e também do cumprimento das manutenções preventivas periódicas e extremamente necessárias.

Mesmo quando se trata de impermeabilização em áreas internas, a Norma também define um período de VUP entre 20 e 30 anos, também dependendo dos cuidados de manutenção exercidos pelo usuário ou responsável da edificação.

Importante frisar a dependência de tais cuidados de manutenção, pois como costumo dizer aos alunos em cursos de pós-graduação, a manutenção civil é erradamente considerada em planos ou programas de manutenção, deixada no “modo de manutenção corretiva” (ou por demanda) na grande maioria das edificações.

Neste caso, é evidente que não se deve esperar o mesmo desempenho de um sistema, se nãoo cuidamos de juntas ou rejuntamentos (limpeza periódica e susbstitituição de material das juntas quando necessário), ou mesmo de outras características construtivas consideradas em projeto (uso inadequado do espaço).

Enfim, quero destacar aqui com estes comentários acima:

  • A necessidade de também considerarmos a manutenção civil dentro de nossos planejamentos
  • A influência da fase de uso e ocupação de um edifício sobre o desempenho de sistemas

Segue o artigo, e uma boa leitura!


Fonte: Portal AECweb/e-Construmarket

Acesse aqui o artigo em sua fonte.

Projetista tem que atender às determinações de normas técnicas para elaborar o estudo preliminar e os projetos básico e executivo do sistema de impermeabilização

A execução da impermeabilização deve ser realizada por profissional especializado (Foto: bogdanhoda/Shutterstock)

A definição das soluções de impermeabilização que serão aplicadas na edificação é dividida em três fases principais: estudo preliminarprojeto básico e projeto executivo. Cada uma das etapas tem diretrizes estabelecidas por norma técnica e essas informações devem ser de conhecimento do responsável pelo projeto. Para esse trabalho de especificação, também é fundamental profissional especializado e qualificado em impermeabilização.

ESTUDO PRELIMINAR

De acordo com o arquiteto Jacques Monet Junior, titular da Imperconsultores (Consultoria em Projetos de Impermeabilização), o estudo preliminar consiste no conjunto de detalhes que permite caracterizar as soluções de impermeabilização. “Precisa ser elaborado simultaneamente ao projeto arquitetônico. Assim, podem ser devidamente analisadas as restrições e possibilidades para atender as exigências de desempenho em relação à estanqueidade”, afirma.

O estudo preliminar tem que ser embasado em relatório com a qualificação das áreas que serão atendidas e uma planilha com os tipos de impermeabilização aplicáveisJosé Miguel Morgado

“O estudo preliminar tem que ser embasado em relatório com a qualificação das áreas que serão atendidas e uma planilha com os tipos de impermeabilização aplicáveis”, diz o engenheiro José Miguel Morgado, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI Brasil), que destaca a importância de o projeto não ser um simples “copiar e colar”, mas sim específico para cada situação.

PROJETO BÁSICO E EXECUTIVO

A ABNT NBR 9575 — Impermeabilização — Seleção e projeto — está em revisão e, na nova versão, o projeto básico passa a ser tratado como pré-executivo. “Nele, constam as informações gráficas e descritivas que definem as características de todos os sistemas de impermeabilização a partir do estudo preliminar”, explica Monet, lembrando que esse projeto não traz detalhes suficientes para ser adotado na execução.

Segundo Morgado, no projeto básico são estabelecidas as áreas impermeabilizadas, além do equacionamento de possíveis interferências. “Todas as soluções precisam estar definidas com uma planilha de levantamento quantitativo, estudo de desempenho e estimativas de custo”, detalha o diretor do IBI.

Já o projeto executivo é aquele que traz os dados necessários para a correta aplicação dos materiais. “Seu conteúdo técnico apresenta as soluções detalhadas para cada área, com informações sobre as camadas que irão compor o sistema e a identificação de todos os componentes”, comenta Monet. No documento há, ainda, os procedimentos que têm que ser adotados para garantir que a vida útil planejada seja, de fato, alcançada.

Devem constar no projeto executivo:

• as características construtivas das soluções adotadas no projeto de arquitetura;
• memorial descritivo de materiais;
• memorial descritivo de procedimento de execução;
• a planilha quantitativa de materiais e serviços.

Complementando esse projeto, poderão ser definidas a metodologia para controle e inspeção dos serviços; a metodologia para controle dos ensaios tecnológicos; e diretrizes para elaboração de manual de uso, operação e manutenção.

De acordo com Morgado e Monet, alguns construtores adquirem apenas o projeto básico, entendendo que atenderam de uma vez as exigências da obra quanto à necessidade de um projeto de impermeabilização. Entretanto, para o correto desempenho de norma, com a adequada execução, tanto o construtor junto com a fiscalização quanto a empresa aplicadora têm que ter em mãos o projeto e executá-lo.

ERROS COMUNS

A certificação de que a execução seguirá tudo aquilo previsto em projeto é um dos principais problemas enfrentado atualmente. “Alguns construtores compram o projeto e, muitas vezes, o colocam na gaveta”, conta Morgado. É importante, durante a obra, aferir se os produtos, consumos, tempo de secagem, prazo de validade, entre outros, estão em conformidade com o que foi planejado.

Monet ressalta que no Brasil é cultural os projetos não serem lidos e aplicados no setor de obras. “Mas, já temos nos edifícios de alto padrão mestres e engenheiros de produção abrindo as plantas na laje e adequando os detalhes de execução. Como acontece em nossos projetos”, conta.

Devemos reforçar a cultura de fiscalizar e responsabilizar a execução dos projetos nos seus detalhes construtivos, fazendo os devidos checklists, necessários para a finalização do desempenhoJacques Monet Junior

“Devemos reforçar a cultura de fiscalizar e responsabilizar a execução dos projetos nos seus detalhes construtivos, fazendo os devidos checklists, necessários para a finalização do desempenho”, avalia Monet, lembrando que outro erro comum é optar por profissionais sem a devida qualificação para elaborar o projeto de impermeabilização.

A IMPORTÂNCIA DO PROJETO

Desprezar o projeto de impermeabilização pode resultar em diversos impactos negativos para a edificação, que vão desde problemas de saúde para os ocupantes até graves riscos estruturais. Um vazamento que seria evitado com a vedação adequada pode tornar o ambiente inabitável — graças à proliferação de microrganismos — ou causar a corrosão das armaduras nas estruturas, situação que envolve altos custos para ser solucionada.

Em um projeto habitacional, os pontos mais críticos em relação à impermeabilização são a laje de cobertura e térrea, juntas de dilatação e subsolos. A garantia de torná-los totalmente estanques, assim como as demais estruturas do empreendimento, passa pela escolha da mão de obra e materiais adequados, qualidade da construção, preservação dos sistemas aplicados, assertividade do projeto, entre outros cuidados.

NORMAS TÉCNICAS

As principais normas técnicas a serem observadas no projeto e execução da impermeabilização são ABNT NBR 9575 — Impermeabilização — Seleção e projeto; ABNT NBR 9574 — Execução de impermeabilização; e ABNT NBR 15575 — Edificações habitacionais — Desempenho. “Sendo que as duas primeiras atualmente passam por revisão”, informa Monet.

Após a publicação da nova versão, a ABNT NBR 9575 terá cinco partes e passará a englobar a ABNT NBR 9574, que será cancelada. “Elas serão: Parte I – Nomenclatura; Parte II – Projeto de Impermeabilização; Parte III – Execução da Impermeabilização (que irá substituir e cancelar a ABNT NBR 9574); Parte IV – Fiscalização; e Parte V – Uso e manutenção da impermeabilização”, enumera Morgado, indicando que as duas últimas partes começarão a ser analisadas após o envio das três primeiras para consulta nacional.

O projetista também deve estar atento às normas relativas aos produtos que estão sendo especificados durante seu trabalho. “Empresas ou profissionais não devem realizar uma obra, qualquer que seja ela, sem o mínimo de conhecimento das normas técnicas. O IBI possui diversas Câmaras e, no caso em questão, temos a Câmara dos Projetistas do IBI com mais de uma dúzia de projetistas associados que estão à disposição da classe construtora para apoiá-la na execução de seus projetos”, conclui Morgado.

Sobre Alexandre Lara

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira de "Operação e Manutenção Predial sob a ótica de Inspeção Predial para Peritos de Engenharia" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo MACKENZIE, professor das cadairas de Engenharia de Manutenção Hospitalar dentro dos cursos de Pós-graduação em Engenharia e Manutenção Hospitalar e Arquitetura Hospitalar pela Universidade Albert Einstein, professor da cadeira de "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNIP / INBEC), tendo também atuado como professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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