Competitividade entre concessionárias aumenta desafio da gestão de ativos

Embora seja realmente incrível abordarmos sobre esta “evolução na gestão de ativos ” em antigas estatais, vários anos após a sua privatização, fico realmente feliz para que tenham enxergado a influência de uma adequada gestão de seus ativos sobre os resultados da empresa e sobre as possibilidades de ajustes em patamares de preços cobrados.

Durante décadas de estatização, a exemplo do que ainda ocorre atualmente em nossa gestão pública, pouco se olhou para o desempenho de setores ou para a eficiência em suas atividades desenvolvidas, haja vista a existência de meios “autocráticos” mais fáceis, com a determinação de preços a serem praticados para o mercado.

Também não se viu e ainda não se vê a adequada aplicação de recursos originalmente destinados a manutenção de sistemas e instalações, como facilmente observamos em nossa infraestrutura urbana (iluminação, viadutos, etc).

Este “asco impregnado” há décadas e décadas precisa ser eliminado, com a modernização não só de sistemas, mas de seus modelos de gestão e de mentes que comandam tais sistemas…

Esperemos para 2019 que o Brasilse liberte destes conceitos antiquados que promovem “reservas” e que se adeque ao que de melhor se faz no mundo.

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Fonte: Canal Energia – 17.10.2018

Divulgação: Procel Info

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O protagonismo da gestão de ativos na estratégia empresarial esteve no cerne dos principais assuntos debatidos no 5º Encontro de Gestão de Ativos para Empresas do Setor Elétrico – Egaese, promovido pelo Instituto Brasileiro do Cobre (Procobre) em parceria com a AES Brasil, Eletropaulo, Cemig e ISA Cteep, na última semana de setembro, em São Paulo.

Desde a primeira edição do evento, os projetos multiplicaram-se e o desafio de gerenciar um grande número de ativos, executar muitas atividades de manutenção diariamente e obter indicadores de um volume crescente de dados, amadureceu. Tanto que hoje é possível saber de forma individualizada a criticidade e o retorno de cada negócio imobilizado no processo de geração, transmissão ou distribuição.

Para a engenheira eletricista Marisa Zampolli, organizadora do Egaese e consultora do Procobre, o setor elétrico passa por uma profunda transformação e ineficiências de gestão de capital, que comprometem as margens operacionais. “Implantar uma gestão de ativos e refiná-la, continuamente, é fundamental para gerar valor real para a organização. Um exemplo prático é a aquisição de equipamentos com alta eficiência energética, que ao longo da vida útil trazem melhor desempenho, com menos riscos e perdas”, comentou.

Já na visão do CEO da AES Brasil, Ítalo Freitas, a gestão de ativos se tornou um elemento-chave na estratégia das empresas e importante variável de decisão para fusões e aquisições. “Trata-se de um fator de oportunidade para investimentos”. O grupo gerador, que recentemente adquiriu o Complexo Eólico do Alto Sertão, de produção de energia eólica, em menos de um ano aumentou sua disponibilidade de geração de 93% para 97%, aplicando as boas práticas de gestão de ativos anteriormente implantadas na AES Tietê.

Carlos Macedo, engenheiro de confiabilidade à frente do projeto no Complexo Alto Sertão, ressaltou que foram identificados 14 componentes das turbinas aerogeradoras que justificavam 49% do número de atividades corretivas, sendo que a metade sofria desgaste ou tinha tempo de vida útil previsível. “Passamos a substituir as baterias das turbinas, a controlar e redimensionar os estoques, além de incluir ensaios preditivos no escopo das manutenções preventivas, com o intuito de melhorar os índices de disponibilidade dos parques”, afirmou.

Na transmissão, um projeto de padronização, com redução de 402 tipos de equipamentos para 29 especificações diferentes e com melhor eficiência energética, vem ajudando a ISA Cteep a determinar a quantidade ótima de estoque de transformadores de tensão e transformadores de corrente.

A iniciativa contribuiu para a empresa poupar R$ 3 milhões em compras desnecessárias de sobressalentes. Outra proposta prevê o cadastro de períodos diferentes para indisponibilidade da linha, transformador, barra, o que altera os programas de manobra e reduz o período de indisponibilidade da rede, evitando descontos regulatórios da parcela variável.

Nas distribuidoras do Grupo Neoenergia, o percentual de investimentos não reconhecido e remunerado pelo órgão regulador chegou a superar os 25%. Como meio de reduzir a glosa, a gestão de ativos físicos foi integrada à contábil, com codificação da atividade de serviço (investimento, custeio, desativação), padronização dos serviços de terceiros, controle de documentação de obra, entre outras 78 atividades padronizadas.

A Eletropaulo, recém adquirida pelo grupo italiano Enel, conseguiu em 2018 a recertificação da ISO 55001, que a coloca no patamar de 1ª empresa a fazer parte do 2º ciclo da norma. A Cemig, por sua vez, obteve o melhor índice de revisão tarifária desde 2013, com repasse de 4% da tarifa em relação à gestão operacional e ao incremento de custos operacionais.

1º Prêmio Nacional de Gestão de Ativos Engenheiro Amauri Reigado

Os projetos de gestão de ativos conduzidos pelas concessionárias e permissionárias de energia, este ano, concorreram ao 1º Prêmio Nacional de Gestão de Ativos, em reconhecimento às melhores práticas aplicáveis no setor elétrico nacional. O Prêmio leva o nome do engenheiro Amauri Reigado, da Cemig (MG), em homenagem póstuma a um dos precursores da gestão de ativos no setor elétrico no país.

Dos 50 projetos inscritos, 12 foram selecionados para compor a mesa de trabalhos do Egaese. A comissão julgadora classificou os três primeiros lugares de acordo com quatro categorias. Na categoria de Impactos Regulatórios da Gestão de Ativos, ganhou o trabalho “Redução dos descontos da parcela variável por indisponibilidade”, de Felippe Bacega, da ISA Cteep.

Representando a AES Tietê, Carlos Alberto Macedo levou o prêmio no quesito Atividades do Ciclo de Vida dos Ativos, com o projeto “Análise de falhas: a base para uma manutenção inteligente”. Já o trabalho “Excelência em controle e gestão de ativos traz resultado financeiro para empresas do setor elétrico”, dos autores Jorge Luís Facury Ribeiro / Leandro Mota – da Coelba e Celpe, respectivamente, venceu na categoria Tecnologia e Inovação em Gestão de Ativos.

Por fim, o projeto de Rafael S. V. de Barros, da AES Tietê, “Sistema de Gestão de Ativos – plataforma para melhoria contínua e geração de valor”, conquistou a premiação na divisão de Gestão Estratégica.

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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