Energia feminina para o mercado de engenharia

Fonte: PROCEL INFO

Por: Carla Mendes

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O mercado de Engenharia, historicamente, sempre apresentou uma maioria masculina bastante significativa. Dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) mostram que, ainda hoje, dos 1.389.254 profissionais ativos na área, apenas 196.044 são mulheres: um total de 14%. O órgão conquistou, em 2015, o selo Pró-Equidade de Gênero e Raça, conferido a entidades públicas e privadas que se comprometem a promover a igualdade de gênero e de raça no mundo do trabalho formal.

Em agosto de 2017, o estado do Pará recebeu o Fórum de Equidade de Gênero e Raça, que reafirmou o compromisso das lideranças com a causa e divulgou a participação feminina no Sistema. Entre suas palestrantes, esteve a engenheira eletricista Ana Constantina Sarmento, primeira vice-presidente do Confea do sexo feminino.

No que se refere à ascensão de mulheres a posições de liderança dentro das companhias, em 2016, 62,2% dos cargos gerenciais (públicos ou privados) no Brasil eram ocupados por homens enquanto que apenas 37,8% pelas mulheres. Segundo levantamento feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), a presença feminina em cargos de gerência diminuiu nos últimos anos. Em 2011, elas respondiam por 39,5% destes cargos – uma queda de 1,7 pontos percentuais em cinco anos.

De acordo com a economista do IBGE, Cristiane Soares, em 2015, eram 4,7 milhões de profissionais em cargo de chefia, dentre os quais 63% eram homens. “A desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres nesta categoria é maior que no mercado de trabalho como um todo”. Na média, a mulher ganha 76% do salário dos homens. Nos cargos de gerência e direção, essa proporção vai para 68%.

Em meio a este cenário, trajetórias de sucesso de executivas que conquistaram sucesso através de muito trabalho, coragem e determinação inspiram jovens mulheres que escolhem a Engenharia como profissão.

Na Eletrobras a equidade de gênero ocorre de forma natural

A superintendente de Gestão, Participações em SPE e Programas de Governo da Eletrobras, Renata Falcão, é um exemplo de que garra e trabalho duro são combustíveis para se alcançar o sucesso na profissão. Natural de Pernambuco, ela começou sua carreira na Chesf, em 1984 e, desde 1992 está na Eletrobras, tendo começado como engenheira e conquistado seu primeiro cargo gerencial na companhia em 2001. Em 2012, tornou-se superintendente de Eficiência Energética.

Renata conta que a maior dificuldade por que passou na carreira foi ter que deixar a família e amigos em seu estado natal e se mudar para o Rio de Janeiro com o marido, carioca. Ela afirma que tem um tripé que norteia sua vida: família-amigos-trabalho. Na área profissional, a executiva atribui o sucesso que conquistou à sua motivação por desafios, gosto pelo trabalho que faz e à sua coragem. “Acredito que as coisas vão dar certo, com proatividade e muito trabalho. Só otimismo não adianta”, diz.

A executiva afirma que o fato de ser mulher não representou uma dificuldade em sua caminhada e que desde a época da faculdade se acostumou com a convivência com muitos homens e sempre se relacionou bem com eles. “Quando eu passei na escola de Engenharia [universidade], a minha turma era composta por 45 homens e cinco mulheres, então foi uma escola para mim”, afirma. Para ela existem trabalhadoras, trabalhadores e meritocracia. Não existem diferenças de gênero.

Ela conta que a Eletrobras aplica o conceito em suas práticas de gestão de forma natural. Segundo ela, todos são tratados da mesma forma independentemente de ser homem ou mulher e nunca percebeu qualquer obstáculo ou preconceito no decorrer de sua carreira. “Se determinada situação te desrespeita ou te faz mal, você tem que demonstrar que não gostou e não ficar no papel de vítima. Eu nunca fiquei em um papel de vítima. Sempre fui mais ativa do que passiva, então acho que por isso nunca me atrapalhou”, completa.

Renata Falcão afirma que não se considera exatamente uma inspiração para outras mulheres, mas sim um exemplo de que com trabalho sério e consistente e muita coragem para enfrentar os desafios, é possível ter sucesso profissional. “Eu prezo por ser justa, transparente, responder a todos com rapidez”, diz a executiva. Ela complementa dizendo que se puder dar um conselho para outras mulheres que entram no mercado de Engenharia, diria para trabalhar muito, com qualidade e ter bom-humor no dia a dia. “Isso faz a diferença”, finaliza.

Para a Schneider Electric, homens e mulheres são iguais

A presidente da Schneider Electric para América do Sul, Tânia Cosentino, é outro exemplo de mulher que, com determinação e muito trabalho, alcançou sucesso em sua companhia, que divulgou, no dia 1º de março, que irá promover, até o fim de 2018, a equidade salarial entre homens e mulheres em cargos semelhantes nas unidades da América do Sul. A executiva se orgulha em dizer que, inspirada e apoiada pelo CEO global, Jean-Pascal Tricoire, lidera essa grande transformação, que ainda está em curso.

“Para a Schneider Electric, homens e mulheres são iguais – têm as mesmas oportunidades, os mesmos direitos e os mesmos deveres. Pretendemos zerar, até o fim deste ano, a diferença salarial entre eles e elas em cargos semelhantes na América do Sul”, afirma Tânia. Em sua região de atuação, as mulheres respondem por 33,5% do quadro de colaboradores e ocupam 24% dos cargos de liderança. Ela destaca que, em 2017, a empresa alcançou a meta global de 42% de mulheres nas novas contratações e de 85% de colaboradores atuando em países cobertos por processo de equidade salarial. Globalmente, a meta é que a diferença salarial seja reduzida a zero em 2020.

A companhia deu início, em 2012, à sua estratégia global pela diversidade e inclusão, através de um curso online que já foi feito por quase 2 mil pessoas desde então. Em 2015, foi implantado um treinamento de viés inconsciente. Por atividades interativas e simulações, a empresa ajuda as pessoas a identificar preconceitos ocultos e, ainda, a detectar situações em que o viés influencia a tomada de decisão. Até o momento, cerca de 100 altos executivos atuantes na América do Sul passaram por essa experiência. Entre 2018 e 2019, todos os colaboradores serão treinados presencialmente, além de terem a versão digital disponível.

Particularmente, Tânia diz nunca ter considerado o fato de ser mulher uma barreira. “Simplesmente ignorava piadinhas e entregava meu trabalho. A área de exatas sempre foi minha preferida. Ainda criança, participava de Olimpíadas de Matemática e, no colegial, optei por uma escola técnica, em elétrica. A sala tinha 35 homens e 5 mulheres. Mais tarde, fiz faculdade de Engenharia Elétrica. Na formatura, eram 300 homens e 5 ou 7 mulheres. Vivi e vivo num mundo masculino, mas sempre fui respeitada e apoiada pelos meus colegas. Se houve barreiras e preconceitos, não dei importância e segui em busca do meu objetivo”, relata.

A executiva considera a palavra “inspiração” muito forte, mas concorda que faltam modelos de mulheres bem-sucedidas em diferentes segmentos. “Quanto mais mulheres bem-sucedidas tivermos, mais fácil ficará para as garotas se convencerem de que sim, é possível; sim, vale a pena sonhar; sim, é importante ter ambição. Fico muito feliz de poder ser essa pessoa que mostra que é possível. Eu cheguei lá, assim como outras mulheres. O grande objetivo da minha ação como embaixadora ou ativista da equidade de gêneros é ajudar as meninas mais jovens a perceber que são capazes de atingir o sucesso profissional e que, para isso, não é necessário abrir mão de outros sonhos”, completa.

Clique aqui para ser direcionado ao site do PROCEL e assistir o album de fotos que acompanha a reportagem.

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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