Cresce participação em energia

Fonte: Valor Online

Por: Roberto Rockmann

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As oportunidades de crescimento dos mercados brasileiros de energia elétrica, com destaque para a área de geração e transmissão, e de gás natural estão atraindo o interesse de empresas chinesas, que deverão elevar sua já participação relevante na área. Em 2010, o Brasil foi escolhido pela State Grid, uma das maiores empresas de energia do mundo, para o primeiro grande investimento do conglomerado chinês fora da Ásia. Hoje a empresa detém operações em outros países, como Austrália, Portugal, Itália e Filipinas, mas são participações acionárias em empresas dessas nações, ao contrário do Brasil, onde a empresa detém 100% das operações.

No setor de transmissão, a State Grid já é a terceira maior empresa do segmento, tendo sido vencedora dos dois leilões das linhas de transmissão da usina hidrelétrica de Belo Monte. No primeiro leilão, realizado em fevereiro do ano passado, a empresa venceu o certame em um consórcio em que é majoritária (51%), com Furnas (24,5%) e Eletronorte (24,5%). Em julho desse ano, a empresa arrematou o leilão de construção do segundo bipolo de Belo Monte, com 100% de participação na Sociedade Propósito Específica (SPE) montada para o certame. Os chineses estão buscando parceiros para tocar o empreendimento. “Estamos em negociação para 49% de participação no consórcio”, diz Ramon Haddad, vice-presidente de manutenção e operação da State Grid Brazil. O crescimento não irá parar por aí. Além da expansão orgânica, as fusões e aquisições não são descartadas, e a empresa mira oportunidades além da transmissão.

Em distribuição, a eventual venda das distribuidoras federalizadas que atuam em seis Estados do Norte e Nordeste do país, que estão hoje sob o guarda-chuva da Eletrobrás, é analisada pela State Grid. O governo federal, controlador da estatal, ainda não se decidiu pela venda, mas a privatização é uma ideia bem vista pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. A State Grid ainda está de olho em oportunidades em geração de energia elétrica. Nessa área, algumas oportunidades estão sendo estudadas. Uma delas é participar do leilão da usina de São Luiz dos Tapajós, que deverá ser realizado em 2016 pelo governo federal.

Maior usina hidrelétrica a ser construída no Brasil nos próximos anos, com 8.040 MW de potência e investimentos previstos em R$ 26 bilhões, o projeto desperta a atenção. “Está em análise”, afirma Haddad. Outra opção em estudo é a participação no leilão de usinas hidrelétricas cujas concessões expiraram entre 2013 e 2015 e não foram renovadas.

Em 30 de outubro, deverão ser licitados cinco lotes compostos das concessões de usinas nos Estados de Goiás, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, que totalizam cerca de 6 gigawatts (GW) de capacidade. Portaria publicada em 11 de setembro de 2015 pelo Ministério de Minas e Energia alterou as diretrizes dos editais dos leilões, para permitir a participação de usinas estrangeiras no certame, suprimindo a exigência de a empresa participante apresentar comprovação de atuação no país, inserindo um requisito mais genérico, que é a necessidade de comprovar ter operado ao menos uma usina hidrelétrica compatível com o objeto da licitação fora do país. “Isso realmente deve atrair empresas estrangeiras, e os chineses são candidatos”, diz Rodrigo Barata, do Madrona Advogados.

Outra empresa ativa no mercado brasileiro é a China Three Gorges, maior acionista da Energias de Portugal, que no Brasil controla a Energias do Brasil, que em geração detém mais de 2,5 mil MW de potência instalada e atende a mais de três milhões de clientes no setor de distribuição, com concessionárias em São Paulo e no Espírito Santo. Recentemente, a China Three Gorges Brasil, presente desde 2013 no país, adquiriu as usinas hidrelétricas de Salto (GO) e Garibaldi (SC) por R$ 1,75 bilhão. Com participação em três usinas hidrelétricas e 11 parques eólicos, com uma capacidade instalada própria de 687 MW, a aquisição fará a capacidade de a empresa no Brasil crescer para cerca de 1.000 MW quando a transação for concluída e aprovada pelos órgãos reguladores.

Na área de gás, também há interesse. No plano de desinvestimento da Petrobras, um dos ativos à venda é a participação de 49% em seus negócios de distribuição de gás. Duas empresas apresentaram propostas para a oferta final: a chinesa Beijing Gas, que faria sua estreia no país, e a japonesa Mitsui. A entrega de propostas foi feita no fim de agosto, mas a Mitsui está na reta final da negociação, que pode ser anunciada em breve.

“Os chineses estão interessados em participar do mercado de gás, que deve ter um forte crescimento com a exploração do pré-sal, onde eles integram o consórcio vencedor do campo de Libra, ofertado em 2013”, diz um executivo da área. Em outubro de 2013, o governo realizou a primeira rodada de licitação do pré-sal, com poços do mega campo de Libra, na Bacia de Santos. As estatais chinesas CNPC e CNOOC, a Shell e a francesa Total foram vencedoras da licitação com a Petrobras, que detém 40% do consórcio.

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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