O legado que ficou no discurso

Por acaso isto é novidade para alguém?

Para aqueles que tiveram a oportunidade de assistir ao programa implantado em Londres quando da realização dos jogos olímpicos na capital Inglesa, durante o qual foram definidas as regiões carentes em aspectos e infra-estrutura, ajudando a definir as premissas que pautaram os projetos e a implantação de sedes que viriam à ser utilizadas com outros fins no futuro (ou seja, um legado!), o nosso jeito de realizar a Copa do Mundo e certamente as Olimpíadas não passará de uma “brincadeira para provar ao mundo quanto ao jargão norte americano……..WE CAN”…

La-men-tá-vel…..

Vejam a reportagem abaixo.

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Fonte: Correio Brasiliense

Acesse aqui a matéria em sua fonte.

O vistoso e caro Estádio Mané Garrincha ainda procura um dono privado para dar menos prejuízo ao GDF: R$ 10 milhões por ano só com manutenção (Ed Alves/CB/D.A Press)
O vistoso e caro Estádio Mané Garrincha ainda procura um dono privado para dar menos prejuízo ao GDF: R$ 10 milhões por ano só com manutenção
Débora e Ana Cecília gostam de Brasília, mas reclamam da falta de estrutura para o turista (Ed Alves/CB/D.A Press)
Débora e Ana Cecília gostam de Brasília, mas reclamam da falta de estrutura para o turista
A comerciante Sibele Lucchesi lembra que economistas falaram sobre a crise pós-Copa (Ed Alves/CB/D.A Press)
A comerciante Sibele Lucchesi lembra que economistas falaram sobre a crise pós-Copa

Durante um mês, Brasília se transformou. A ideia de ser uma cidade cosmopolita nunca foi tão verdadeira como na Copa do Mundo de 2014. A Esplanada dos Ministérios, a Torre de TV, o Pontão do Lago Sul e outros pontos turísticos foram tomados por colombianos, argentinos e franceses, entre outros. A capital acabou eleita uma das cidades sedes mais bonitas e limpas. Os turistas prometeram voltar. Mas, um ano depois do megaevento, a expectativa de diferentes setores, como o hoteleiro e o gastronômico, não foi atendida. A maior obra, o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, chama a atenção de quem passa, mas o governo diz que não tem condições financeiras de sustentá-lo.

Segundo a Secretaria de Turismo do DF, no período do Mundial, 632.646 turistas passaram por Brasília. Do total, 488.903 vieram de estados brasileiros e 143.743 tiveram origem internacional. Os números superaram a expectativa projetada pelo Ministério do Turismo, que era de 490.929 visitantes. Dados do Observatório de Turismo do DF revelam que o fluxo de entrada na capital aumentou desde 2012. Ao comparar as taxas de desembarques nacionais e internacionais no Aeroporto de Brasília em 2014 e de 2015, nota-se a diferença. No ano passado, somando voos nacionais e internacionais, o total foi de 279.992. Este ano, a marca chegou a 449.333. Segundo informações da Inframerica, concessionária responsável pelo terminal, o mês de janeiro de 2015 bateu recorde de movimento: 1,8 mil passageiros.

Apesar de o aeroporto registrar o crescimento, quem trabalha com turismo na capital, como hotéis, feirantes e restaurantes, não confirma as vantagens de a cidade ter sediado jogos da Copa do Mundo. De legado, tirando o estádio, que é visível, o restante a gente não vê. Houve um incremento na quantidade de número de quartos. A média de ocupação atingiu 65%, mas não foi de 100% como imaginado. Passado o evento, voltamos para a média normal, de 45%, explica o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar-DF), Jael Antônio da Silva.

Na avaliação dele, um dos principais problemas da cidade é o transporte. A técnica de enfermagem Débora Guimarães de Farias, 29 anos, veio de Goiânia para passar um dia na capital e concorda. Se não tivesse vindo de carro não teria conhecido metade do que conheci. Não tem referência de ponto de ônibus. A comunicação visual é falha. Tive que me informar com um primo antes, conta.

A falta de informações atinge outras áreas: dos sete Centros de Atendimento ao Turista (CAT) Setor Hoteleiro Norte, Setor Hoteleiro Sul, dois no Aeroporto, Rodoviária Interestadual, Torre de TV e Praça dos Três Poderes , atualmente, apenas dois funcionam. De acordo com a Secretaria de Turismo, o contrato dos recepcionistas encerrou e o governo aguarda recurso para nova licitação. Contudo, as placas feitas em dois idiomas para os pontos turísticos permanecem e são muito usadas pelos visitantes.

Acabou

A Copa do Mundo trouxe visibilidade para Brasília. Mas, depois de um ano, alguns projetos não funcionam como o previsto e outros não saíram do papel. A Copa foi muito boa. Atraiu muita gente para a feira (Feira da Torre de TV), mas acabou. Não tem incentivo do governo, não tem publicidade nem infraestrutura para receber turista, afirma Sibele Lucchesi, 53 anos, proprietária de uma barraca há 45 anos. Ela reclama também da falta de fiscalização e de segurança, e acredita que se a cidade promovesse mais eventos no Centro de Convenções, por exemplo, o movimento seria melhor. Estamos vivendo a crise pós-Copa que os economistas falavam. Tive um aumento de 100% das vendas na época e agora tem seis meses que não produzo nada novo porque não tem saída.

Na percepção da presidente do Sindicato dos Permissionários de Táxis e Motoristas Auxiliares do DF, Maria do Bonfim Pereira de Santana, além da baixa no movimento pós-Copa, o ano não foi fácil por conta da crise econômica nacional. A inflação voltou, o desemprego e as taxas de juros subiram e o poder aquisitivo vem diminuindo. Tem também a questão da violência. Não tem polícia, iluminação, as pistas estão sem manutenção. No Mundial foi melhor. No setor gastronômico, a situação não é diferente. Os custos aumentaram e os empresários se dividem entre pagar as contas e aumentar o valor dos produtos. A gente esperava mais da Copa. Não tenho dúvidas de que deixou um legado, principalmente, de qualificação dos profissionais. Mas, se nada for feito,  isso não vai perdurar, comenta Rodrigo Freire, presidente da Abrasel-DF.

632.646
Quantidade de turistas que passaram por Brasília durante a Copa do Mundo de 2014

O que ficou
Confira o que existe do programado para o Mundial, o que falta fazer e quais são os planos futuros

» Setor hoteleiro: o Sindhobar-DF busca parceria com a Secretaria de Turismo, com a Secretaria de Cultura e com a Inframerica para encontrar uma maneira para que o turista que vem pela manhã e volta à noite fique na cidade pelo menos uma pernoite. Além disso, quer trazer o turismo cívico e atrair estudantes de outras cidades para conhecer a capital do país.

» Segurança Pública: o Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR) funciona regularmente para monitorar grandes eventos. Este ano, por exemplo, foi acionado para acompanhar os protestos na Esplanada dos Ministérios. A previsão era de que 835 câmeras fossem instaladas. A pasta informou que, como os pagamentos deixaram de ser feitos no governo passado, a empresa contratada para instalar os equipamentos pediu a suspensão do contrato. A secretaria criou um grupo de trabalho para avaliar o projeto e readequá-lo às estratégias de segurança pública do atual governo.

» Mané Garrincha: em 2015, foram realizados no Mané Garrincha 20 eventos culturais e institucionais e seis jogos oficiais de futebol, com o público de mais 200 mil pessoas. Até o fim do ano, a arena tem propostas para a realização de mais, além de servir de base para algumas secretarias do governo. O programa de visitação ao estádio turistas e moradores do DF para conhecer a arena durante visitas guiadas. Cerca de 30 mil pessoas já foram conhecer o local.

» Obras e urbanização: a construção da via de ligação entre a W4 Norte e a W5 Sul, de dois túneis para passagem de pedestres um entre o Parque da Cidade e o Clube do Choro e outro entre o Centro de Convenções e o estádio e da urbanização das saídas dos túneis e melhorias no Complexo Esportivo Ayrton Senna possuem projeto executivo e aguardam recursos. O paisagismo entre a via W3 e a Rodoviária do Plano Piloto estava paralisado, mas a Novacap conseguiu liberação de verba e as obras foram reiniciadas na semana passada. As calçadas do Eixo Monumental e dos setores hoteleiros tiveram a licitação revogada porque havia interferências nos locais que inviabilizaram a execução do projeto. Um novo estudo foi elaborado e aguarda recursos.

» VLT: o transporte movido a energia elétrica ainda não saiu do papel. A ideia é instalar o sistema em quatro eixos, com início das obras previsto para o segundo semestre de 2016 e término no fim de 2018. O primeiro englobará Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Taguatinga e Ceilândia com um trecho específico para o Sol Nascente. O segundo envolverá a antiga Rodoferroviária e a Esplanada dos Ministérios com braço para o câmpus da UnB. O terceiro passará por Cruzeiro, Sudoeste e Guará. O último cobrirá as W3 Sul e Norte. Não há mais previsão para o VLT que iria da W3 Sul até o Aeroportoporque a linha era destinada para a Copa do Mundo. O Metrô já tem recursos assegurados do PAC Mobilidade para estudos e projetos de linhas do VLT e da compra de 10 trens de VLT, mas ainda não há data definida para a abertura dos editais de licitação.

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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