Certificação é estratégica para a difusão das lâmpadas LED no Brasil

Fonte: Segs

Por: Rubens Rosado

Acesse aqui a matéria em sua fonte.

Com a retirada das lâmpadas incandescentes do mercado, o consumidor tem como opção as lâmpadas fluorescentes compactas ou as lâmpadas LED. As fluorescentes, já bem conhecidas da população, entraram no mercado com grande força na crise energética de 2001 e hoje contam com o selo de eficiência do Inmetro, que garante um produto de baixo consumo de energia, seguro e de baixo custo de aquisição.

Na mesma esteira vêm as lâmpadas LED, cujo programa de certificação, que dará as mesmas garantias ao consumidor, ainda está por vir. Contudo, as lâmpadas Led possuem uma tecnologia inteiramente diferente das demais e, por isto, o processo de certificação é um pouco mais complexo.

A Abilumi (Associação Brasileira dos Importadores de Produtos de Iluminação) tem insistido na necessidade de certificação para esses produtos, pois entende que é a única forma de tirar do mercado as lâmpadas importadas e contrabandeadas de baixa qualidade que, além de promoverem uma concorrência injusta no mercado, colocam em risco os usuários e suas instalações.

Fora estes aspectos, são produtos sem garantia e tecnicamente costumam não corresponder às características que vêm estampadas em suas embalagens, ou seja: ao comprar uma lâmpada LED de 9W, o consumidor pode estar levando para casa uma lâmpada de 5W ou uma lâmpada cujo consumo é bem superior ao divulgado, levando-o a uma maior despesa com energia elétrica.

Mas, para que haja um programa de certificação eficiente, é necessário um estudo aprofundado do produto, não só sob o aspecto técnico, como de mercado. Daí a importância da participação de todos os envolvidos no processo, desde o agente certificador, passando pelos importadores e fabricantes, até os laboratórios.

Outra necessidade é que o processo seja justo com aqueles que produzem em nosso País e com aqueles que importam, pois todos empregam brasileiros, engordam o PIB e fazem da concorrência uma porta de entrada para novas tecnologias.

Ao longo deste processo, sem sombra de dúvidas trabalhoso, devemos deixar de lado certos “vícios”: não adianta querermos que todos no Brasil tenham a melhor lâmpada do mundo, pois elas são muito, muito caras. Temos que compreender que existe uma fatia do mercado, bem inflada, constituída por brasileiros de baixa renda, que estão migrando da lâmpada incandescente, que até pouco tempo era comprada por menos de R$ 2,00.

Não podemos “elitizar” o mercado de lâmpadas LED. Temos que oferecer a todos os brasileiros uma lâmpada Led com relação custo-benefício boa, uma lâmpada eficiente, de baixo consumo de energia, que não coloque em risco o cidadão e suas instalações, que dure e ilumine exatamente o que está informado na embalagem.

O Brasil passa por um momento em que a energia elétrica é escassa e, portanto, cara. A certificação de uma lâmpada Led, que traz evidentes benefícios energéticos, para o cidadão e para o País, não pode ser uma barreira limitante do uso desta tecnologia por todos.

Infelizmente, no momento não há no Brasil instituições desenvolvendo trabalhos sobre o comportamento dos Leds, o que seria ideal. Resta-nos, então, absorver os conhecimentos adquiridos em outros países, não só em pesquisas, como em programas voltados a qualidade e uso eficiente de energia, tal como o Energy Star, nos Estados Unidos, reforçando a ideia de se ter um produto globalizado, pois isto significa maior escala de produção e, consequentemente, menor custo para o consumidor.

Se quisermos um produto com características próprias, que só o Brasil consome, o usuário vai ter de pagar caro por isto.

Fundamentado neste conceito, de ter um produto com qualidade global, é que a Abilumi vem insistindo junto ao Inmetro pela adoção de critérios para avaliação de lâmpadas LED seguindo os parâmetros do Energy Star. Estamos falando de um dos programas de qualificação de produto mais respeitados no mundo, pioneiro nesta área, rígido em suas regras, cujos critérios ali descritos foram produzidos pelos maiores centros de pesquisas, testados por laboratórios reconhecidos e aprovados pelo EPA (Enviromental Protect Agency).

Estamos nesta batalha há mais de dois anos. Nosso corpo técnico vem estudando detalhes destes documentos, ensaiando em laboratórios próprios e do fabricante, discutindo com técnicos do mundo inteiro. Tudo isto porque entendemos que se não garantirmos a qualidade de nossos produtos correremos o risco de nos tornarmos um país de lixo tecnológico, com esta enxurrada de produtos de má qualidade que a cada dia inunda nosso mercado.

Temos que observar que a tecnologia de LED está em rápido crescimento e que não somos detentores desta tecnologia. Qualquer atitude que se tome fora do contexto técnico mundial pode nos levar a um “engessamento tecnológico”, já visto em passado recente em outros produtos.

Não é desejável que um processo de certificação leve a um mercado lâmpadas LED desnecessariamente sofisticadas e consequentemente caras.

É importante que haja transparência nas ações e objetivos do processo de Certificação, não abrindo mão das discussões técnicas que deverão ser levadas à exaustão.

Se quisermos ter uma lâmpada LED no Brasil com qualidade, eficiência e com boa relação custo-benefício em um curto espaço de tempo não há como abrir mão do uso de metodologias de ensaios comprovadamente reconhecidas no meio técnico internacional.

A incorporação no processo de certificação de metodologias que ainda estão em estudo, que não foram testadas e, portanto, não são reconhecidas pelo meio técnico, juntamente com prazos extremamente curtos para realização dos ensaios, uso de laboratórios não acreditados e exigências de incorporações de componentes que não são utilizados em outros países podem colocar em risco um programa de certificação que todos desejamos. Além disso, pode acarretar, em um curto espaço de tempo, o desabastecimento do mercado com consequências indesejáveis, justo no momento em que o brasileiro tem pressa e necessidade de economizar energia.

* Rubens Rosado é formado em Engenharia Elétrica e especializado em Iluminação. Atualmente é assessor técnico da Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação (Abilumi) e atua nas áreas de consultoria empresarial e perícia técnica judicial.

Anúncios

Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
Esse post foi publicado em Brasil, Eficiência Energética, Sustentabilidade e marcado , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s