Cinco ideias para baixar os custos de energia na empresa

Fonte: Exame.com.br

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São Paulo – A tarifa de energia elétrica para empresas não para de subir no Brasil. Em 2014, o aumento médio foi de 5% em relação a 2013 — e vem mais por aí. Em 2015, o preço do megawatt-hora deve subir pelo menos 12%, segundo projeções da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco). Até 2020, o acréscimo deve ser de pelo menos 9% ao ano.

Um dos principais motivos é a falta de chuvas nas áreas próximas aos reservatórios de usinas hidrelétricas em regiões como Sudeste e Centro-Oeste. Por causa disso, as termelétricas — que fornecem energia até seis vezes mais cara do que as hidrelétricas — aumentaram a produção nos últimos dois anos.

“Num cenário assim, encontrar maneiras de consumir menos energia deveria estar entre as prioridades de um empreendedor”, diz Jayme Buarque de Hollanda, diretor do Instituto Nacional de Eficiência Energética. Há várias maneiras de economizar.

Algumas exigem investimentos parrudos, que demoram a se pagar — como uma reforma. Outras dependem de ações simples e de baixo custo, como reorganizar os turnos de trabalho. Exame PME ouviu quem pôs algumas dessas ideias em prática. A seguir, veja os resultados alcançados.

Empresa de cara nova

Uma característica de negócios em expansão é a constante necessidade de readequar o espaço físico para dar conta do aumento do fluxo de clientes e acomodar os novos funcionários. Mudanças desse tipo são oportunidades para que um empreendedor coloque em prática algumas ações que ajudam a economizar energia.

Foi o que fez a paulistana Vanessa Martins, de 39 anos, sócia da oficina mecânica Torigoe, que em 2014 deve faturar perto de 1 milhão de reais — 10% mais do que no ano anterior. Em 2013, a Torigoe foi transferida para um espaço maior no mesmo bairro de sua primeira sede, o Tatuapé, em São Paulo. “O número de clientes estava crescendo e precisávamos de mais espaço para atendê-los”, diz Vanessa.

Antes da mudança, Vanessa instalou na nova sede um telhado especial com aberturas que permitem a entrada de ar e de luz solar. Na fachada do galpão, ela montou um jardim vertical com dezenas de mudas plantadas em garrafas de plástico, o que ajuda a manter a temperatura interna amena.

Assim, a oficina não precisa de ar-condicionado. “O ambiente está sempre fresco e a abundância de iluminação natural faz com que a gente consiga trabalhar quase todo o expediente sem ligar as luzes”, afirma Vanessa.

Os gastos menores com luz e ar-condicionado ajudaram a reduzir 70% a conta de luz de 2013 a 2014. “Num momento em que a energia está ficando mais cara, não repassamos esse custo extra para os nossos clientes”, afirma ela.

Iluminação inteligente

Resultados como os conseguidos por Vanessa, da Torigoe, também podem ser alcançados por empreendedores que não estão pensando em fazer grandes reformas ou mudar de endereço. Especialistas ouvidos por Exame PME apontam que é possível reduzir a conta de energia com ações simples, que requerem mudanças pontuais no espaço físico.

Pintar o escritório com cores claras e diminuir o número de divisórias que dificultam a difusão da luz são exemplos de mudanças que surtem efeito imediato. Isso acontece porque, num escritório, a iluminação é responsável por cerca de 60% do consumo de energia.

Uma maneira de diminuir os gastos desnecessários é fazer um estudo para saber se as lâmpadas e as luminárias estão dispostas da melhor forma. Geralmente, esse trabalho pode ser designado a um arquiteto especializado em projetos de iluminação.

“Uma boa distribuição das lâmpadas funciona mais do que recriminar os funcionários que saem do ambiente e deixam a luz acesa”, diz André Ferreira, da paulistana Luminae, que faz projetos de eficiência energética.

De acordo com Ferreira, uma empresa de até 50 funcionários que troque 180 lâmpadas incandescentes por modelos de LED pode alcançar uma economia de 80% nos gastos com iluminação. Em pouco tempo, todas as empresas precisarão fazer essa troca.

É que em 2010 uma portaria emitida pelo Ministério de Minas e Energia definiu prazos para que as lâmpadas incandescentes deixem de ser fabricadas, importadas e vendidas. Os modelos com potência acima de 61 watts já são proibidos — e até 2017 as lâmpadas incandescentes de frequência mais baixa também devem sair do mercado.

Blitz nas máquinas

O empreendedor Julio Cesar Marques, de 29 anos, passou boa parte do ano de 2013 buscando jeitos de fazer a empresa da qual é sócio, a Mercadão do Sorvete, mais produtiva. A Mercadão, que mantém uma fábrica de sorvetes em Sorocaba, no interior de São Paulo, está em ritmo de expansão — as vendas de 2013 aumentaram 30% em relação a 2012.

A preocupação de Marques era não permitir que o crescimento fizesse os custos explodir de uma hora para a outra. “Passei um pente-fino em toda a empresa em busca de ineficiências”, diz ele. O esforço começou com uma blitz na produção. “Nossas máquinas tinham quase 15 anos de uso e eu tinha a impressão de que gastavam energia demais”, afirma.

Marques resolveu, então, pesquisar novos modelos de equipamentos para saber se era o caso de comprar alguns novos ou substituir tudo de uma vez. Sua decisão foi pela troca total. “As máquinas mais modernas produzem mais e gastam menos energia do que as que tínhamos”, diz Marques.

Na ocasião, ele recorreu a um empréstimo para financiar 60% da compra de três máquinas de fazer sorvete e picolé, 200 freezers e um climatizador central. Passados alguns meses, a conta de energia caiu pela metade. “Pagamos boa parte da parcela do financiamento com o que deixamos de gastar com energia”, afirma Marques.

Com máquinas mais eficientes e a capacidade de produção incrementada, Marques decidiu colocar em prática um sonho antigo — inaugurar sorveterias para vender seu produto ao consumidor final. Em 2014, duas lojas da Mercadão do Sorvete foram inauguradas nas cidades de Jandira e de Barueri, em São Paulo. “Temos planos de abrir 40 lojas em 2015.”

Turnos reorganizados

Pequenas e médias empresas que fazem uso intensivo de máquinas podem diminuir seus custos ao interromper os trabalhos no chamado horário de ponta, em geral entre 17h30 e 20h30. Esse é o intervalo em que a demanda por energia atinge seu nível máximo — e é quando as concessionárias cobram a tarifa mais alta.

“O melhor a fazer é evitar trabalhar durante essas 3 horas”, diz Fernando Macedo, da ERA, consultoria especializada em redução de custos. De acordo com especialistas, uma fábrica com até 50 funcionários pode diminuir até 40% sua conta de luz caso interrompa as atividades nesse período. Para muitos empreendedores, parar tudo por 3 horas pode parecer uma alternativa um tanto irreal.

“Em situações como essas, é preciso fazer as contas para saber se é o caso de utilizar a energia de geradores nas 3 horas de pico”, diz Macedo.

Eletricidade pelo sol

Nos últimos anos, uma série de novidades tornou a produção de energia solar um pouco mais próxima da rea­lidade das pequenas e médias empresas brasileiras. Uma delas está relacionada a um movimento de mercado. Com o aumento do número de empresas que fornecem equipamentos para gerar energia da luz do sol, o custo dessa tecnologia caiu significativamen­te.

“Nos últimos cinco anos, o preço dos painéis solares caiu pela metade”, diz ­Raphael Pintão, sócio da paulistana Neosolar, que revende placas fotovoltaicas no Brasil.

A outra boa notícia foi a entrada em vigor, em 2012, de uma norma do governo que permite que a energia solar gerada e não usada por imóveis e empresas seja transformada em crédito. O valor pode ser abatido da conta de luz elétrica em até três anos.

Há pouco mais de sete meses, o engenheiro paulista Nelson Akimoto, de 51 anos, instalou 20 painéis fotovoltaicos no prédio on­de fica a sede de sua empresa, a catarinense Nord, de Chapecó, que faz projetos elétricos para grandes obras. Até agora, Akimoto investiu 23 000 reais em sua pequena usina particular.

“Desde então, percebi uma redução de 20% na conta de luz”, diz ele. O retorno sobre o investimento ainda deve acontecer só daqui a seis anos, mas Akimoto acredita que essa é uma boa maneira de se proteger contra as altas de preços nos próximos tempos.

“Quero tornar minha empresa autossuficiente em energia até 2016”, diz ele. “Acredito que quem produzir a própria energia terá um grande diferencial competitivo para mostrar a fornecedores e clientes no futuro.”

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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