Momento é favorável para investimentos em infraestrutura, avalia FMI

Fonte: Valor Online

Por: Sergio Lamucci (Valor)

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O momento é propício a um empurrão na infraestrutura, num quadro em que os custos de empréstimos são baixos e a demanda é fraca nos países desenvolvidos e há gargalos nessa área em muitas mercados emergentes, como o Brasil, e também em economias em desenvolvimento, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em relatório divulgado nesta terça-feira, o FMI afirma que projetos financiados por meio de dívidas podem ter grandes efeitos sobre a produção sem aumentar a relação dívida/ PIB, se necessidades claramente identificadas forem atendidas por meio de investimentos eficientes.

“Aumentar o investimento público em infraestrutura eleva a produção no curto e no longo prazo, especialmente durante períodos de ociosidade na economia, e a eficiência do investimento é alta”, diz o relatório. O FMI nota que, cinco anos depois da crise financeira global, a recuperação mundial continua fraca. “Em muitos países avançados, ainda há folga significativa de recursos na economia e a inflação segue muito baixa na zona do euro. “A retomada da demanda ainda não ocorreu, apesar do período prolongado de política monetária acomodativa. Há preocupações de que a demanda fique persistentemente fraca, uma possibilidade chamada de “estagnação secular”.

Nos países emergentes, as preocupações são de outra natureza, segundo o FMI. “Depois de uma forte recuperação depois da crise, as taxas de crescimento nos últimos anos caíram não apenas abaixo do pico do pós-crise de 2010 e 2011, mas também abaixo dos níveis observados na década antes da crise. “A natureza persistente da desaceleração sugere que fatores estruturais têm peso nesses acontecimentos”, diz o Fundo, observando que a série decepções com o crescimento levaram a uma revisão para baixo das projeções de expansão de médio prazo. “Embora vários fatores devam ter um papel nesse processo, uma preocupação frequentemente manifestada é a infraestrutura inadequada”, aponta o relatório.

“Em muitos países emergentes, incluindo Brasil, Índia, Rússia e África do Sul, gargalos de infraestrutura não são apenas uma preocupação de médio prazo, mas são apontados como uma restrição mesmo para o crescimento de curto prazo”, resume o FMI. “Em países de baixa renda, deficiências na disposição de infraestrutura permanecem notórias, sendo frequentemente citadas como um obstáculo para o desenvolvimento de longo prazo.”

Para economias com necessidades de infraestrutura claramente identificadas e com processo de investimento público eficiente, e onde há ociosidade e acomodação monetária, há fortes motivos para que o setor invista mais na área, diz o estudo. Nas últimas três décadas, houve uma queda significativa do capital público como fatia da produção em países avançados, emergentes e em desenvolvimento.

O FMI nota, contudo, que essas conclusões não podem ser tomadas como uma recomendação cega para investimento público financiado por meio de dívida em todas as economias. “Reações adversas do mercado u2013 que podem ocorrer em alguns países com relações dívida/PIB já elevadas ou onde os retornos de infraestrutura são incertos u2013 podem aumentar os custos de financiamento e elevar adicionalmente a pressão sobre o endividamento”, adverte o Fundo.

Nesse cenário, um ponto fundamental para reduzir o potencial “trade-off” entre maior produção e maior dívida pública é aumentar a eficiência do investimento, diz o relatório. Melhorar os processos de investimento do set or público deve ser uma prioridade.

O relatório é o capítulo 3 do Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês), a ser divulgado na íntegra na semana que vem, na reunião anual do FMI e do Banco Mundial, a ser realizada em Washington.

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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