Gestor de projetos deve entender e se adequar à NBR 15575

Comentários do Bloggeiro:

O que precisa estar claro para os envolvidos em um processo de projeto e construção, assim como para os envolvidos na Operação & Manutenção de empreendimentos (comerciais ou residenciais) é que o desempenho em um projeto será uma consequencia de um bom trabalho desenvolvido.

Este “bom trabalho” pode ser definido pelos seguintes fatores:

  • A definição dos requisitos necessários ao projeto / empreendimento, obtidos junto ao dono ou empreendedores
  • O desenvolvimento da etapa de projetos em harmonia com o dono do negócio
  • O envolvimento de profissionais de Facility Management, Operação & Manutenção ainda na fase de projetos (o que não é a nossa cultura)
  • O envolvimento de profissionais de comissionamento no time de projeto (mais um item que não integra a nossa cultura)
  • A adoção de um processo de controle de qualidade efetivo durante todo o processo, abrangendo não só a fase de projetos, como também as fases de contratação dos parceiros, de construção e instalação, assim como de comissionamento
  • A real preocupação com o desempenho de instalações e sistemas, atendendo não somente aos requisitos e bases de projeto, como também e principalmente aos requisitos do proprietário
  • O cuidado na elaboração de toda documentação técnica
  • O planejamento do processo de transição entre a etapa de obras e a fase de ocupação, envolvendo os futuros responsáveis pela O&M no processo de entrega técnica do edifício e no processo de treinamento
  • A adoção de um período de operação assistida, já no início da ocupação e abraçando uma parte da etapa de pós-ocupação

Vejam que em qualquer lugar do mundo, as Normas Técnicas buscam por orientar o seu público, sendo de extrema importância o envolvimento de profissionais experientes, capacitados e habilitados para compreende-las e aplica-las.

No meu ponto de vista, olhando o período de evolução no qual ainda vivemos neste mercado de construção e instalações, não vejo como atender a norma de desempenho sem uma mudança de cultura.

Um outro ponto muito importante refere-se à “inserção” do dono do negócio no processo… Não basta ser o investidor ou incorporador, pois é preciso que a sua contribuição seja estendida ao time de projeto, assim como sugerido nos itens no qual me referi ao “bom trabalho”.

Lamentavelmente, caminhamos ainda firmes no conceito de menor custo e com um pobre processo de equalização técnica de nossas propostas, o que torna ainda mais difícil manter ou mesmo buscar, um processo de qualidade efetivo durante todas as etapas de construção.

Um exemplo disto é o comissionamento, ainda tão pouco observado em nossas construções e instalações, e muitas vezes confundido ou distorcido pelos próprios contratantes.

Vejam como exemplo o “comissionamento LEED” como é compreendido e praticado em grande parte das construções no Brasil, que buscam pelo selo norte americano. Como já discutimos neste blog, comissionamento será sempre “comissionamento”, não existindo um processo restrito à alguns itens de uma certificação, confusão esta causada pela interpretação “tupiniquin” sobre a norma americana.

A pressa e em alguns casos, o “jeitinho brasileiro”, precisam dar espaço ao crescimento, ao planejamento e à introdução de um verdadeiro processo de controle de qualidade, seja em nossas construções, seja em nossas operações (período de ocupação e pós-ocupação).

As Normas jamais assegurarão o resultado em um processo, sem que sejam bem aplicadas pelos envolvidos, assim como não garantem as Leis. Hoje, temos no Brasil algumas das Leis mais detalhadas do mundo em alguns segmentos, a exemplo de nossa complexa Lei Ambiental, sendo que nem por isso à seguimos ou cumprimos…não é verdade?…

A Amazônia e a Mata Atlântica que o digam….

Pensem nisso!

Segue abaixo a reportagem extraída da AECweb.

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Fonte: AECweb / e-Construmarket

 

Gestor de projetos deve entender e se adequar à NBR 15575

Com parâmetros de qualidade bem definidos, a norma de desempenho ABNT NBR 15575 gerou uma mudança de paradigma. Mais do que nunca, o projetista precisa se preocupar com o seu projeto, verificando a tão famosa compatibilização

Gestão de projetos - NBR 15575

A ABNT NBR 15 575:2013 – Edificações Habitacionais – Desempenho, trouxe uma grande revolução no segmento da construção habitacional, por ser a primeira normativa brasileira que explicita critérios de desempenho específicos para os sistemas construtivos. “É importante destacar que o nível de exigências de desempenho está associado à vida útil e à durabilidade do empreendimento. Como a edificação precisa ter um nível de desempenho e qualidade não somente no ato da entrega do empreendimento, como também ao longo do tempo, a responsabilidade do gestor de projetos ficou melhor definida. Isso fica claro na parte 1 do documento, ao explicitar a responsabilidade de cada parte envolvida no projeto: desde o incorporador que deve se preocupar, por exemplo, com as questões ambientais no momento de escolher o terreno, passando pelo construtor que precisa garantir a qualidade da construção, até o usuário final do empreendimento, para que possa utilizá-lo de maneira adequada prolongando a vida útil do produto”, explica Sergio Botassi, consultor e coordenador de cursos de pós-graduação lato-sensu na PUC-Goiás.

Segundo Botassi, anteriormente ao documento, o que existiam eram as chamadas normas prescritivas que, de uma maneira geral, estabeleciam parâmetros e qualidade do produto, mas não deixavam claro o quanto de desempenho o produto deveria propiciar. “Isso quer dizer que ao construir um edifício com uma alvenaria de bloco cerâmico e acabamento de argamassa cimentícia, a norma especificava aspectos para esses elementos, mas não o quanto eles proporcionariam de qualidade durante o uso”.

Com a vigência da norma ficou explícito que, independente da solução construtiva adotada, o importante é atender aos parâmetros de qualidade de uso como o conforto térmico e acústico. “A partir daí, o empreendedor e o gestor de projetos passaram a ter uma preocupação mais contundente em tentar garantir que uma edificação tenha a qualidade adequada de conforto, para que o usuário tenha a satisfação atendida. Além de traçar estratégias mais focadas e que serão respeitadas. Como a própria filosofia do PMI – Project Management Institute – deixa claro, é preciso conhecer muito bem as entradas e saídas de cada processo. E a saída principal do final de toda a cadeia é a satisfação do consumidor, quem irá usufruir o bem”, comenta o consultor.

De acordo com o coordenador, os projetistas precisam repensar a forma de projetar. “Atualmente, esses profissionais estão pensando de maneira muito isolada. Por exemplo, um projetista estrutural, muitas vezes, concebe seu projeto a partir do arquitetônico, considerando que a estrutura deve atender a uma vida útil mínima – como a norma de desempenho e outras já estabeleciam. Porém, mais do que isso, a normativa procura exigir do profissional que ele tenha uma visão sistêmica do produto que é o projeto. Ou seja: será que o projeto está alinhado à solução construtiva que foi estabelecida para aquela edificação? Vamos supor que o projetista estrutural conceba um prédio todo em estrutura metálica – pilares e vigas. É preciso verificar a sua exequibilidade, ou seja, será que essa é a melhor solução construtiva para aquele empreendimento? Qual será o tipo de vedação que estará associada àquela estrutura metálica? Supondo que seja escolhida a vedação em placa cimentícia ao invés da convencional – em bloco cerâmico –, é fundamental saber que esse tipo de estrutura requer uma fixação diferenciada. Portanto, o projetista precisa se preocupar com o seu projeto, não de uma maneira isolada, mas verificando a tão famosa compatibilização, muito discutida quando o assunto é projeto”.

O professor considera que fomentar essa visão integrada é papel do gestor de projetos que deve, cada vez mais, aproximar os projetistas do empreendedor e incorporador. Fazer com que ele conheça melhor a realidade da construtora, para que possa, de fato, preparar um projeto coerente com as características da obra, da incorporadora. “Esse é o calcanhar de Aquiles da norma de desempenho NBR 15 575, porque ela diz, mas não de maneira muito explícita, que o projetista precisa trabalhar de maneira mais integrada com o empreendedor. O que ainda não é visível com facilidade no mercado”, diz ele.

APLICAÇÃO

Conhecer a normativa e fazer com que ela seja cumprida é o principal desafio dos profissionais da área. “Como é uma norma nova e extensa e, de certa forma, até revolucionária, os profissionais estão em um estágio de aprendizado, aprendendo como adequá-la à realidade da construção civil”, comenta. É o caso da escolha do terreno: o documento deixa bem claro que, se for uma área próxima a uma via de grande circulação, é preciso cuidar da questão dos ruídos na fachada. Assim, ao conceber o empreendimento, é necessário já prever de que maneira lidar com a questão do conforto acústico. Todas essas preocupações nunca ficaram muito claras nas boas práticas da engenharia e, com o advento da norma, ficou mais evidente que a preocupação com o desempenho deve existir desde o nascedouro do empreendimento. É uma mudança de paradigma”, destaca.

Botassi recomenda que é fundamental, neste momento, que os atores da construção civil se informem sobre a norma, através de artigos e palestras e comecem a discuti-la, principalmente, na questão da exequibilidade. “Como posso na minha edificação convencional atender aos requisitos mínimos de desempenho exigidos pela norma? Essas discussões ainda estão sendo desenvolvidas e absorvidas pelo meio técnico. Há algumas iniciativas como fazer ensaios de desempenho com soluções construtivas convencionais para detectar se atendem aos requisitos. O estágio é de amadurecimento. É preciso sensibilizar a cadeia produtiva da construção civil. Muitos ainda não perceberam o quanto a norma é revolucionária”, observa.

Enquanto novos sistemas construtivos são implementados rapidamente no mercado, os desempenhos dos mais complexos de serem alcançados pelas construtoras são os de conforto térmico e acústico. “Um exemplo disso são as edificações construídas em placas de concreto. Há dez anos não se imaginava que poderia ser aplicado na realidade brasileira. Porém, essas novas soluções visam o ganho de produtividade e esquecem, muitas vezes, da qualidade que deve ter o empreendimento ao longo do tempo. Paralelamente, ainda há problemas que precisam ser resolvidos e dúvidas técnicas sobre como alcançar o nível de qualidade de conforto acústico e térmico para atender a normativa. A laje convencional de concreto atende o conforto acústico ao impacto? Quantas pessoas não escutam o vizinho chegando em casa, devido ao barulho dos sapatos? É preciso evoluir tecnicamente para se chegar a soluções adequadas e com um custo-benefício aceitável”, diz.

DICAS

Para Botassi, um dos primeiros passos que o gestor de projetos deve dar é conhecer profundamente a norma. “É importante entendê-la bem, dissecá-la. Para isso, o ideal é participar de debates e encontros que tratam do tema. Atualmente, está muito claro no meio técnico que a norma precisa ser melhor entendida para, dentro da nossa realidade, se adequar a ela”. O segundo passo é buscar a conformidade à norma dentro do escopo de cada projeto e do porte da empresa. “É comum os profissionais usarem uma solução muito arrojada, mas que poderia ser substituída por outra menos complexa e mais barata. E o contrário também é verdadeiro. Assim, é preciso verificar junto à empresa se os processos que eles possuem, desde o estudo de viabilidade do empreendimento até os procedimentos operacionais de construção, atendem aos requisitos”, afirma o consultor.

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Sobre Alexandre Lara

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira de "Operação e Manutenção Predial sob a ótica de Inspeção Predial para Peritos de Engenharia" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo MACKENZIE, professor das cadairas de Engenharia de Manutenção Hospitalar dentro dos cursos de Pós-graduação em Engenharia e Manutenção Hospitalar e Arquitetura Hospitalar pela Universidade Albert Einstein, professor da cadeira de "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNIP / INBEC), tendo também atuado como professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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