Construções Sustentáveis – Estamos preparados à operá-las e mantê-las?

A minha resposta seria “sim” e “não”, ao mesmo tempo…

Sim“, no que se refere ao potencial de nosso segmento, ao conhecimento e experiência adquiridos, quando se geri o processo de O&M de forma adequada.

Não“, no que se refere à repetição sistemática de algumas falhas que muitas vezes se iniciam ainda na fase de contratação de serviços, sendo que algumas destas preocupações encontram-se relacionadas a seguir:

  1. A falta de envolvimento / o distanciamento do proprietário de muitos empreendimentos: Existe um ditado antigo que diz que “O olhar do dono é que engorda o porco…“; há aqueles que atribuem esta “postura necessária de dono” aos tipos de negócio onde se lide diretamente com o cliente, seja uma padaria ou restaurante. No entanto, costumo dizer em meus cursos e aulas que a “transferência” das expectativas do proprietário quanto a Operação e Manutenção de sua propriedade para os responsáveis diretos será de extrema importância para que metas sejam traçadas, indicadores sejam elaborados e resultados sejam projetados e perseguidos. Da mesma forma, agora no sentido inverso, a ausência ou o afastamento do proprietário (ou de seu representante direto) poderá provocar a perda ou a paralisação do processo de “transferência” citado, fazendo com que a operação e a manutenção assumam expectativas e metas próprias (“autodidatas” e sem uma padronização em processos), imaginando que estejam corretas e alinhadas. Como exemplo, isto pode ser facilmente observado em operações que englobem sites distantes.
  2. A falta de um planejamento prévio (metas e expectativas) e a falha na especificação de serviços: Quem é que já não cometeu erros na aquisição de produtos ou serviços solicitados por esposas, maridos ou chefes, “acusando” o processo de comunicação como grande responsável…? Se não colocarmos no papel as nossas expectativas, as nossas metas, os nossos riscos e medos (embasados em históricos, na criticidade de nossas operações e em nossas experiências), as condições disponíveis para a execução de serviços, entre outras, como será possível cercarmos as questões acima na forma de um edital, ou mesmo de um contrato?
  3. A falha em processos de contratação: Existem claramente duas situações que potencializam riscos na aquisição de serviços – a falha na definição de participantes no processo de concorrência, que possuam uma condição de equilíbrio (estrutural, de suporte, técnica, financeira, etc) e a falha (ou falta…) de um processo de equalização técnica das propostas, o qual deveria ser discutido e esclarecido ao máximo antes de avançar na questão custo. Existem alguns colegas que justificam tal falha com a falta de tempo para que processos de aquisição como este sejam conduzidos de forma adequada, mas será que o fator tempo também não é de responsabilidade do setor contratante?
  4. A falta de um acompanhamento adequado sobre o contrato e processo de operação e manutenção, representado aqui por um novo afastamento do “olhar do dono”, pela falta de controles adequados (gestão) e, muitas vezes, pela falta de um “feedback” em tempo certo ao colaborador ou colaboradores. Jamais se esqueçam de uma outra frase que diz que “quem não monitora, não gerencia…“.
  5. A falta de um processo definido para a Gestão de Conhecimento nas empresas também é considerada uma questão de alto risco para a operação e manutenção, colocando-a muitas vezes na dependência de profissionais que detenham este conhecimento ou, até mesmo, na possibilidade de perda iminente de “conhecimentos adquiridos” ao longo dos anos. Não é por acaso que encontramos diversas operações “autoditatas”, alterando o “modus operandi” com a justificativa de que assim atenderão à um melhor rendimento do sistema, ainda que sem algum embasamento técnico.
  6. A não utilização do retrocomissionamento em sistemas como ferramenta de operação e manutenção, fazendo com que estas operações convivam com a falta de desempenho durante longos períodos.

Enfim, estas são algumas das questões comumente encontradas em nosso mercado de Operação e Manutenção e que potencializam a resposta “não” dada acima.

Afinal, quem já não se deparou com os problemas acima?

Será que podemos realmente assegurar uma operação sustentável destas novas construções sem o monitoramento e a correção das questões acima…?

Ou será que este “blogueiro” está apenas vendo “fantasmas”?

Um Feliz 2013 à todos!

Sobre Alexandre Lara

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira de "Operação e Manutenção Predial sob a ótica de Inspeção Predial para Peritos de Engenharia" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo MACKENZIE, professor das cadairas de Engenharia de Manutenção Hospitalar dentro dos cursos de Pós-graduação em Engenharia e Manutenção Hospitalar e Arquitetura Hospitalar pela Universidade Albert Einstein, professor da cadeira de "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNIP / INBEC), tendo também atuado como professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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