No rumo da verticalização sustentável

Em novembro último, a revista Lumière Electric divulgou uma interessante matéria sobre o crescimento da quantidade de construções verdes no Brasil, o que, “em tese”, demonstra a evolução de nossa cultura, em prol de um mundo mais sustentável.

Em seu artigo, o autor enaltece, entretanto, fatores importantes e limitadores deste crescimento, mais especificamente no que se refere ao desconhecimento de conceitos que podem e devem ser adotados para um projeto e construção sustentável, assim como a carência de mão de obra especializada / capacitada.

Particularmente, tendo convivido com parte deste crescimento nos últimos 11 anos, acrescentaria alguns outros fatores limitantes ao sucesso, sendo estes:

  • A desinformação de investidores e proprietários quanto aos reais benefícios de tais projetos, além de aspectos de comercialização
  • A falta de cultura no Brasil sobre o quesito comissionamento, o que apesar de bastante difundido durante este crescimento sobre o tema, tem sido confundido com o acompanhamento e a fiscalização de obras e instalações, sem o viés técnico e extremamente necessário sobre a análise de projetos, de expectativas e desempenhos, desencadeando todo um processo de especificação e cumprimento de um programa de comissionamento, conforme preconizado pela ASHRAE em seu Guideline 0
  • A falta de conhecimento e cultura quanto ao OPEX (custos operacionais) em nossas operações prediais e industriais, que hoje representam em média 75% dos custos ao longo de todo o ciclo de vida útil de um empreendimento, sendo possível se observar:
    • Falta de cuidados e de responsabilidades em relação a documentação técnica (e sua atualização), assim como no processo de implantação da operação e manutenção
    • Falhas em especificações para a contratação deste serviço, cujo fator decisivo ainda se baliza em custos finais, sem necessariamente se avaliar os benefícios técnicos (para a gestão de ativos) no médio e longo prazo
    • Falta de visibilidade sobre as operações e seus resultados (gestão míope), impossibilitando, muitas vezes, o endereçamento de novos investimentos na infraestrutura, fator este inerente ao processo de conservação dos bens ativos e do prolongamento de sua vida útil produtiva e desempenho
    • Falta de investimentos adequados
    • Falhas na gestão de serviços, entre outros…

Falta-nos ainda muito a caminhar….

Temos, de fato, o início ou a ponta do iceberg para evoluirmos de forma sustentável em nossos projetos e construções, ao mesmo tempo em que temos um enorme trabalho pela frente para preparar os nossos jovens profissionais, para que adiquiram naturalmente esta cultura e visão.

Vejam a segui a interessante matéria e boa leitura!

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Fonte: Revista Lumière Electric

Divulgação: PROCEL Info

Clique aqui para ler a reportagem em sua fonte.

São Paulo – A quantidade de construções verdes cresceu substancialmente nos últimos anos, e as expectativas para o setor são promissoras. Contudo, ainda persistem alguns entraves, como o desconhecimento sobre o tema e a falta de profissionais capacitados

Iluminação eficiente, utilização racional e inteligente de água e energia, preservação do meio ambiente e iniciativas sustentáveis empregadas desde a concepção da obra até a edificação construída são alguns dos fatores avaliados em um empreendimento para a concessão de uma certificação energética ou ambiental. O número de empreendimentos “verdes” cresceu exponencialmente nos últimos anos no Brasil, e mesmo com alguns problemas a serem resolvidos, como o desconhecimento sobre o tema e a falta de profissionais qualificados, segundo especialistas, o futuro desse mercado pode ser promissor.

Atualmente, o País ocupa a quarta posição no ranking com o maior número de projetos registrados e certificados em Leadership in Energy and Environmental Design (LEED). O LEED está presente em 167 países e é organizado pelo Green Building Council (GBC). As certificações identificam e classificam os empreendimentos com melhor desempenho energético e de sustentabilidade. motivando as construtoras a investirem em sistemas eficientes.

Iniciativas sustentáveis, como a economia de água e energia elétrica e preservação da fauna e da flora, são essenciais para garantir à população um futuro com melhor qualidade de vida e bem-estar. Nos grandes centros urbanos. essa preocupação tende a ser ainda maior, pois estima-se que até 2050, 68% da população mundial viverá nas metrópoles. Essa previsão ressalta a importância de uma urbanização inteligente e planejada, minimizando, assim, os impactos nocivos à natureza e ao ser humano.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), hoje as duas certificações ambientais mais adotadas na construção civil brasileira são o LEED e o Processo Aqua (alta qualidade ambiental) — certificação brasileira com base na francesa Haute Qualité Environnemetale (HQE) e implantada pela Fundação Vanzolini. Ambas as certificações levam em consideração aspectos fundamentais da construção sustentável, atribuindo pontos a cada item de sustentabilidade conquistado pelo empreendimento.

O mercado conta também com o Selo Procel Edificações e com a Etiqueta PBE Edifica. O Selo Procel é outorgado pela Eletrobras e identifica as edificações que apresentam as melhores classificações de eficiência energética em uma dada categoria. Já a etiquetagem de edifícios (PBE Edifica) possibilita o conhecimento do nível de eficiência energética dos edifícios, mostrando-se como um retrato do potencial de economia de energia na etapa de projeto ou da obra construída.

Clique no link abaixo e leia a reportagem na íntegra
Revista Lumière Electric- Novembro 2018.pdf

Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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