2019 – Ano da eficiência energética!?

Li há pouco um pequeno artigo através de um sistema de mensagens regulares no qual estou inscrito, que este ano de 2019 será o ano da eficiência energética…..; será?

Esta minha pergunta não deve ser encarada como seticismo de minha parte, mas sim, como um pequeno toque de bom senso, ou mesmo de “provocação”, apesar de odiar esta palavra…

Quando falamos em eficiência energética em um equipamento, sistema, ou até mesmo em uma edificação, estamos nos referindo, na realidade, a um CONJUNTO de FATORES que condizirão (ou não…) ao resultado esperado.

Veja por exemplo um sistema central de ar condicionado por expansão indireta (sistema de água gelada), no qual teremos em nossa central os seguintes equipamentos / principais componentes:

  • Resfriadores de líquido (ou chillers como são majoritariamente conhecidos)
  • Bombas de água gelada
  • Bombas de água de condensação (quando se tratar de um sistema com condensação a água)
  • Torres de resfriamento ou arrefecimento (quando também se tratar de um sistema com condensação a água)
  • Redes hidráulicas e todos os seus componentes
  • Controles para a automação do sistema (local ou de forma centralizada)
  • Sistemas de potência para a alimentação e distribuição, incluindo o CCM (Central de Comando de Motores) e painéis elétricos
  • Infraestrutura seca para a alimentação (elétrica e automação)
  • Infraestrutura civil que abrigará o sistema e permitirá a sua proteção, o adequado acesso, etc…

Ao se falar em desempenho e, consequentemente, em eficiência energética, deve-se entender que:

  1. Ainda que o chiller tenha sido adequadamente projetado para o consumo de 0,6 Kw/Tonelada de Refrigeração ou TR, ele será inserido em uma instalação envolvendo tubulações, sistemas de bombeamento (vazão de água em seus trocadores), etc, que influirão DIRETAMENTE em seu desempenho e consumo
  2. Bombas centrífugas também projetadas para uma vazão de 150 m3/h (por exemplo), dependerão não só do projeto para a sua instalação, como também da montagem e respeito ao próprio projeto, para que disponibilizem, DE FATO, os 150 m3/h previstos
  3. A lógica funcional definida pelo projetista seja implantada com o sistema, assegurando, por exemplo, o escalonamento de estágios para a entrada ou saída (carregamento ou descarregamento) de estágios e resfriadores, assim como para a operação de bombas
  4. Os parâmetros ajustados para a operação do sistema sejam INTEGRALMENTE RESPEITADOS pelas equipes de operação, evitando o “efeito autoditada” sem referências ou embasamentos técnicos
  5. Que o sistema de controle seja PARTE INTEGRANTE EM PROGRAMAS DE MANUTENÇÃO E CALIBRAÇÃO / aferição
  6. A MANUTENÇÃO SEJA ADEQUADAMENTE executada, assim como recomendam os fabricantes
  7. Deverá coexistir uma ENGENHARIA DE MANUTENÇÃO atuante, monitorando e atuando sobre resultados, segundo o tradicional conceito do PDCA e demais ferramentas de gestão e confiabilidade

Estes poucos exemplos assima dão a referência destes fatores altamente influenciadores no desempenho técnico e energético de sistemas, o que também demandará por:

  • Uma melhor e maior qualidade em projetos, que devem contar com a participação de profissionais da operação e manutenção em seu time de discussão e desenvolvimento, assim como devem ser incluídos no processo de COMISSIONAMENTO
  • Um processo de COMISSIONAMENTO TÉCNICO adequado e abrangente (incluindo projeto, recebimento de equipamentos, instalação e montagem, realização de testes funcionais, de desempenho ou performance e integrados)
  • Uma adequada documentação final de obra e instalações
  • Um adequado processo de transferência de conhecimentos entre as equipes de instalação / obra e manutenção e operação (condição esta também aplicável quando da transição entre empresas de manutenção em um contrato)
  • O treinamento CONTÍNUO de equipes de operação e manutenção, as quais DEVERÃO conhecer detalhes do projeto
  • Muitas vezes, a contratação de empresas especialistas e autorizadas para a execução de trabalhos em equipamentos
  • A adequada DOCUMENTAÇÃO (geração do histórico de O&M) ao longo da vida útil dos ativos e sistemas
  • Uma gestão adequada desta operação e manutenção, com foco na GESTÃO DE ATIVOS

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Ou seja, podemos concluir de que o resultado e a performance de equipamentos e sistemas demandam não só por um investimento eficaz no início de um ciclo de vida (CAPEX), como um investimento ao longo de todo o ciclo de vida de um equipamento, sistema ou empreendimento (OPEX).

Com isto, retorno agora a minha pergunta no primeiro parágrafo….

Será que, de fato, aprendemos até este ano de 2019 que as nossas operações demandam por todo este cuidado?

Aprendemos que o investimento deve ser contínuo?

Aprendemos que a compra ou a contratação de serviços não é tão simples como se comprar alguns produtos, através de especificações mais facilmente comparáveis?

Aprendemos que gerir uma operação requer inteligência, estratégia e controle?

Será que temos todas estas convicções em 2019?

Enfim, termino este post deixando a resposta para os leitores…

 

Por Alexandre M F Lara

 

 

Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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