Passando em “branco”…

Desde criança, ouvi a expressão “passando em branco” para situações nas quais um colega ou amigo não agregasse nada à um evento, ou mesmo para situações na qual um time de futebol nada fizesse durante o tempo de jogo.

Em resumo, o “passar em branco” significava a total falta de produção ou de produtividade.

Se olharmos este último ano e meio (desde um pouco antes da copa do mundo), esta é a impressão que me fica…, pois vivenciamos um período repleto de “e se (s)“, “talvez” e “vamos aguardar“.

Em um primeiro momento, o país “parou” para ver o que aconteceria no período durante e pós copa do mundo, observando as manifestações que se avolumavam nas ruas, promovidas algumas vezes por motivações políticas, apesar de se ter demonstrado a real indignação de nosso povo com um estarrecedor “escoamento de dinheiro mal gasto” para a realização de um evento (copa do mundo), para o qual, sinceramente, não fazíamos jus naquele momento, haja vista a situação em que nos encontrávamos… O mesmo pode-se dizer em relação aos jogos olímpicos, mas não discutiremos aqui estas questões.

Em um segundo momento, uma “tradicional” estagnação tomou conta deste país, desta vez em função do processo eleitoral, haja vista que observávamos uma disputa bastante polarizada, contando ainda com a participação de uma terceira pessoa / um terceiro candidato, que acabou interferindo de forma natural no resultado final da disputa. Pois bem, diferentemente da rotina em anos de eleição, a incerteza e insegurança não foram transformadas em “esperança” após a tempestade, dando início a um novo ano em ritmo de “thriller” e muito suspense.

Ainda na seqüência, tivemos o carnaval (terceiro e costumeiro momento), um “tradicional” divisor de águas em nossos anos de trabalho, pois como se diz por aí, “nada anda antes do carnaval“…

Pois bem, aí chegamos no pior momento do ano, reunindo uma combinação de escândalos e ações promovidas pela “outrora marolinha” que não nos afetaria… (lembram disto??)

Este momento, que por sinal, mais me parece uma cartola de um mágico, de onde não se vê cessar a retirada de um grande número de coelhos, que mais parecem “ogros” disfarçados (não tão simpáticos como o Schrek)…

Conforme uma expressão recentemente utilizada pela nossa presidenta durante um discurso na ONU, ou seja, “de lá prá cá” (daqui prá lá, etc), continuamos à imergir em uma crise econômica, evidentemente originada pelos efeitos da “marolinha“, mas claramente agravada pela instabilidade política e pela falta cada vez maior de credibilidade interna e externa em nosso governo e principalmente, em dois de seus “poderes”, hoje com “lastros” bastante comprometidos.

Vejam que esta situação atual serve inclusive como “venda em nossos olhos” para novos gastos absurdos e previsões de atraso na entrega de obras públicas relacionadas aos jogos olímpicos e mobilidade urbana…. Isto sem mencionar a questão da “má qualidade”, marca esta registrada na entrega de aeroportos, arenas e da própria infraestrutura urbana, para atender a “demanda” na copa do mundo (aeroportos ainda inacabados e operando em condições provisórias, obras públicas paralisadas e em ritmo de “tartaruga”, arenas inacabadas e já apresentando problemas, etc).

O fato é que estamos em meados de outubro, já observando enfeites de natal em lojas (que por sinal mantêm ainda esperanças de um natal não tão ruim como indicam as previsões), mas ainda assim vendo este ano de 2016 “passando em branco”, em todos os sentidos…

Embora as despesas com a Operação e Manutenção estejam em torno de 75% dos gastos totais durante o ciclo de vida em um empreendimento, não se verificam investimentos em processos de reengenharia, na análise de processos de operação e manutenção, assim como na capacitação de nossa mão de obra que já vem “colhendo” frutos nada bons, considerando a sua notória carência…

Como resultado, não poderíamos esperar outra coisa se não:

  • Cortes em orçamento sem uma análise crítica e técnica;
  • A adoção de medidas sem a visibilidade necessária no curto e no médio prazo;
  • A perda de dinheiro e o desgaste excessivo de profissionais e áreas inteiras de manutenção devido à operações mal executadas, altos índices de reincidência pela falta ou falha na manutenção, falta de controle, etc..

Aos admiradores da história mundial, temos inúmeras evidências de que as crises e fatos marcantes quase sempre promovem a auto-análise e o planejamento com vistas à retomada e ao crescimento. Na realidade, a falta desta visão por parte de nossos gestores, incorrerá no despreparo para a crise onde nos encontramos e, principalmente, para a retomada ao crescimento.

Pensem nisso e uma ótima semana!

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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