Especialistas analisam tendências de tarifas de energia elétrica nos próximos anos

Fonte: SEGS

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O mercado livre e o cativo e as projeções das oscilações tarifárias para os próximo cinco anos foram tema da palestra de abertura da 16º edição do Energy Summit, que segue até o dia 17 de setembro, no Hotel Pullman Vila Olímpia, em São Paulo. Considerado um dos principais pontos de encontro do setor de energia elétrica no país, o evento coloca em pauta os principais assuntos do setor, abordados por especialistas, autoridades e empresários.

Na palestra de abertura, Andrew Frank Stofer, presidente da America Energia, alertou para o desequilíbrio das contas das empresas que operam no setor brasileiro. “O rombo do setor de distribuição de energia hoje é de R$ 160 bilhões sendo que o EBITDA total em 2013 era R$ 9,3 bilhões”, disse.

Carlos Alberto Schoeps, sócio-gerente da Replace Projetos e Consultoria, avaliou os principais custos que afetarão as tarifas. Segundo ele, empréstimos para pagamento de geração térmica em 2014, as bandeiras tarifárias, os encargos setoriais, entre eles a CDE (conta de desenvolvimento energético), o repasse dos riscos hidrológicos e a energia das usinas que tiveram sua concessão renovada, devem influenciar a composição dos custos.

“Os riscos para as tarifas do mercado regulado estão relacionados ao repasse de custos dos gargalos hidráulicos; aos repasses de despesas com o pagamento de CDE e outros encargos decorrentes de decisões judiciais, ao repasse do risco hidrológico de Itaipu e das usinas que renovaram concessão; aos custos associados às novas regras para renovação das concessões das usinas hidroelétricas e aos atrasos na implementação de novos projetos de geração em decorrência da variação cambial”, disse Schoeps. Na avaliação do especialista, as tarifas da energia no mercado livre tendem a cair. “O que vai determinar é a fluência. A oferta de energia está crescendo em ritmo superior a do consumo. As novas regras para renovação das concessões aumentarão a oferta no mercado livre”.

Do lado dos grandes consumidores, José Carlos Velasco Mendieta, da gerência de orçamento operação centralizada da OI, revelou que a empresa tende a migrar para o mercado livre de contratação de energia elétrica. “Os reajustes de tarifas em 2015 em relação a 2014 tiveram um impacto médio de 45%. Percebemos que há uma tendência de redução do custo de contratação de energia no mercado livre em relação ao cativo e estudamos uma migração. Podemos economizar por volta de 20% a 30%. Outro ponto positivo do mercado livre é a disponibilização das medições o que é muito importante para ter um gerenciamento completo e para ter previsibilidade orçamentária. Hoje o mercado livre é mais previsível do que o cativo”, disse.

Cases

Empresas do porte da GM e da Nestlé participaram do Energy Summit mostrando como as estratégias de eficiência energética se confirmam exitosas no combate ao desperdício da energia elétrica. Glaucia Roveri dos Santos, Gerente de Energia & Utilidades para América do Sul da General Motors, contou que a estratégia empregada na planta de Joiville (SC) considerou o desligamento dos equipamentos, eliminação de perdas e paradas, conversão de eficiência de equipamentos, especialmente na utilização de ar comprimido, grandes vilões da produção automotiva de projetos de eficiência energética e dos processos.

Entre as soluções adotadas pela montadora estão o uso de telhas translúcidas, de luminárias de alta eficiência, de tecnologia fluorescente, com sensores de presença e de luminosidade, de coletores e acumuladores de aquecimento solar, de equipamentos de geração fotovoltaica entre outras intervenções em busca da eficiência energética. “O resultado foi 13,8% de redução de consumo total da planta. Hoje fazemos cada veículo com menos da 40% da energia consumida antes das modificações feitas para aumentar a eficiência energética desde 2013 e utilizamos apenas 1/3 do que era consumido de água em 2013 na produção de um carro”.

Já a Nestlé faz uso da reutilização de lenha e de borra de café para fazer vapor, entre várias outras iniciativas para transformar a matriz energética da empresa em uma matriz limpa. Um dos focos de atenção da empresa é o contingente laboral. Gilberto Tonim, Gerente Corporativo de Energias e Serviços Industriais da empresa no Brasil, explica: “Temos 32 plantas e investimos mais em treinamento e capacitação de operadores do que em equipamentos. Se for feita uma gestão do gasto energético a economia nos custos pode chegar a 15%”.

Sobre a microgeração distribuída, Daniel dal Poggetto Barbosa, líder de manutenção da Dupont do Brasil, disse que “o importante é não se limitar a uma única solução de eficiência energética. Equipamentos e tecnologias mais modernas, como a geração fotovoltaica, negociações em diferentes mercados, metas de sustentabilidade, são várias soluções que juntas geram resultados mais expressivos”.

A solução de cogeração adotada pela confecção da De Millus foi detalhada por Ricardo Paschoal, Gerente de Manutenção da empresa. Com duas plantas no Rio de Janeiro e uma no Nordeste, a empresa produz 44 milhões de peças por ano, sendo uma empresa bastante verticalizada, fabricando quase 95% do que precisa para produzir as coleções que oferece.

“Temos várias soluções voltadas para a eficiência energética, como a estação de tratamento de efluentes, que recupera 60% da água utilizada e que é reinjetada no processo de manufatura, e o sistema de cogeração de energia, investimento aproximado de R$ 2 milhões, com duas caldeiras de recuperação, duas máquinas de absorção de água quente, montada em uma das plantas da empresa”. Segundo Paschoal, o investimento foi recuperado pela empresa em 2,2 anos. “Estamos em vias de exportar o nosso excedente de energia preferencialmente tomando como crédito para as outras fábricas do grupo”.

Novas tecnologias impõe mudança no modelo de negócios

Nas palestras sobre Excelência Técnica e Operacional em Empresas de Energia, que aconteceram nesta terça durante o evento, a tecnologia foi o principal pano de fundo nos debates sobre inovação, P&D e GTD do futuro, e como serão os novos modelos de negócios digitais em energia.

Para o diretor de Inovação EDP Energias do Brasil, João Martins, o momento é propício para investimentos em automação, gestão de equipes e melhora nos serviços e uso das telecomunicações, fatores que somados trarão eficiência e maior distribuição energética. “Estados Unidos e Europa ditarão a velocidade e a tendência das mudanças no modelo de negócios de energia. Distribuição inteligente e barata é o nosso grande desafio”.

Já Roberto Falco, gerente Sênior da ACCENTURE, destacou a importância da tecnologia como fator de mudança que permite criar tal modelo de negócios totalmente novo. “Principalmente, trazendo resultados em curto prazo”, disse. Ainda segundo Falco, para estes novos formatos de negócios digitais, desafios precisam ser superados: “Melhoria da eficiência operacional e novas receitas serão necessárias. Como será a cadeia de valor do futuro para o mercado de energia? O preço da energia também influenciará as mudanças no modelo”.

Gislaine Washizu, gerente do Centro Inteligente de Medição da CPFL Energia, detentora de 13% mercado de distribuição da região sudeste, reforçou que a tecnologia e o uso de redes inteligentes com integração de sistemas é uma realidade na companhia. “Há três meses quem diria que usaríamos drones em nossas inspeções?”.

A relação da empresa com o público final também mudou com a inserção da comunicação via site e aplicativos, contou Gislaine. Ela apresentou também a recente experiência da companhia com a implantação da Rede Mesh CPFL, baseada em comunicação por radiofrequência e destacou que, para implementar novos projetos e tecnologias é preciso criar centros de capacitação com simuladores de redes inteligentes para formar equipes. Gislaine defendeu ainda a necessidade do governo ajustar a regulação do setor de forma clara e que justifique altos investimentos.

Entre outros temas debatidos no primeiro dia de evento, a palestra da gerente de Auditoria da CPFL Renováveis, Daniela Moreno, mostrou aos seminaristas como implantar um programa integrado em conformidade com a Lei Brasileira Anticorrupção. Outro representante da distribuidora, Thiago Freire Guth, diretor de Distribuições da CPFL Energia, encerrou o programa do seminário de Excelência apresentando estratégias e táticas aplicadas pela empresa e que poderiam inspirar outras companhias sobre como reduzir custos otimizando a qualidade dos serviços. Segundo Guth, os quatro pilares de eficiência da CPFL são gestão de tempo real, produtividade, gestão dos processos e redução da demanda. Este último, para ele, o item mais importante para ter ganhos de eficiência. “Maior custo na distribuição é gente. Então, redução de demandas técnicas é uma das prioridades da empresa”, ressaltou.

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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