Benchmarking: Desempenho Energético Operacional em Edificações

Fonte: PROCEL Info

Por: Lara Martinho

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Os benchmarks são indicadores que permitem comparar o desempenho energético de um edifício com a média do setor, e são essenciais para o desenvolvimento de instrumentos para redução de consumo de energia, como etiquetas prediais de eficiência energética. Ou seja, eles definem o nível de eficiência que representa um edifício típico do mercado. Para que isso ocorra, as contas de energia elétrica do prédio são comparadas com benchmarks para a mesma tipologia e assim tornar possível a avaliação.

Para as edificações existem três tipos de etiqueta de nível de eficiência: a etiqueta de projeto, a etiqueta de edifício construído e a etiqueta de consumo em uso. As duas primeiras já estão operacionais via PBE Edifica.

O processo de etiquetagem de consumo em uso consiste na composição de um indicador típico de mercado com base em dados reais de consumo e área das edificações para identificação do nível de eficiência do edifício de forma transparente por meio de uma etiqueta pública.

Em vários países do mundo o benchmark é uma estratégia chave em políticas de eficiência energética com grande potencial para direcionar programas de redução de consumo.

“Benchmarks e etiquetagem predial em operação já são aplicados em todos os edifícios grandes de Nova York, nos Estados Unidos, todos os edifícios públicos do Reino Unido e mais de 60% do mercado de imóveis comerciais na Austrália, entre outros exemplos que já existem em outros países”, comenta o professor e coordenador do Comitê Temático de Energia do CBCS(Conselho Brasileiro de Construção Sustentável), Roberto Lamberts.

No Brasil, um programa de etiquetagem de edificações em uso deverá atender uma necessidade para indicadores simples e confiáveis de desempenho e sustentabilidade no ambiente construído. O maior trabalho no Brasil envolve o desenvolvimento técnico de benchmarks e metodologias de auditoria, coleta de dados e garantia de qualidade.

Os benchmarks a serem implantados terão que ser resistentes, relevantes, evolutivos e flexíveis, permitindo adaptação futura. Ao mesmo tempo, haverá a capacitação e o credenciamento dos profissionais que irão formar a base necessária para a implementação adequada desta etiquetagem no país.

O CBCS começou a trabalhar com benchmarking em 2013 ao perceber a carência de informações no setor e a urgência na publicação de referências e indicadores. Roberto Lamberts revela, que a Eletrobras, por meio do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), tem desenvolvido bons trabalhos em parceria com a Embaixada Britânica, que dá apoio ao Brasil no setor de energia, compartilhando a experiência e o conhecimento que o Reino Unido já possui nesta área, permitindo uma ampla troca de experiência entre os países.

Segundo Lamberts, no Brasil os benchmarks já foram publicados para agências bancárias e escritórios corporativos. Em ambas as tipologias, alguns edifícios ou empresas já estão aplicando os benchmarks para controle interno de eficiência.

Porém, a aplicação dos benchmarks enfrenta uma certa dificuldade de coletar dados confiáveis, principalmente com relação à área útil da edificação e contas de energia, tanto nas edificações públicas como nas privadas. Para Lamberts, essa e a maior barreira para o crescimento dos benchmarks no país, já que essas informações são importantes para o estudo e precisam mostrar uma redução efetiva dos custos energéticos.

“No Brasil, existe uma certa resistência para a disponibilização de informações sobre a edificação. Seria mais simples a implementação de benchmarks se houvesse uma parceria com a aplicação de programas incentivadores da transparência para a divulgação de informações pertinentes ao consumo energético de edificações”.

A CBCS em parceria com a PNUD- Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento tem feito um trabalho voltado para o poder público que fornecerá benchmarks para edifícios públicos. O conselho acredita, que essa parceria ajudará bastante na redução do consumo de energia.

Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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