Os impactos ambientais em instalações de armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis

Fonte: TARGET

Por: Maurício Ferraz de Paiva

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O armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis em construção vertical merece um tratamento diferenciado, com uma proteção especial aos trabalhadores que nela trabalham, pois uma eventual explosão coloca em risco não apenas aqueles que se encontram dentro do recinto onde estão localizados os tanques de combustível, mas, também, os empregados de outros andares, dependendo do impacto do acidente na estrutura do prédio, que poderá não suportar e ruir. Normalmente, quando ocorrem incêndios nesses locais é gerado uma fumaça preta que pode afetar a qualidade do ar na região do incêndio.

Além disso, com relação à população que vive próxima a essas instalações, as pessoas, dependendo da periculosidade, podem precisar a ser deslocadas do local. Na verdade, a liberação de gases poluentes, resultado da queima de combustíveis como gasolina e etanol, pode causar efeitos imediatos no sistema respiratório. São substâncias que estão diariamente na atmosfera em função do próprio uso de veículos, por exemplo, mas que apresentam riscos maiores quando a exposição é em quantidades expressivas e por longos períodos.

No fundo, um acidente deste tipo tem consequências imprevisíveis, já que não se sabe quanto tempo a fumaça ficará no ar. Provavelmente, em longo prazo, haverá consequência principalmente para quem já tem alguma doença respiratória.

O contato com o dióxido de enxofre — substância resultante da queima de gasolina — pode causar, de imediato, tosse seca, irritação e ardência nos olhos, nariz e boca em quem está mais próximo ao foco do incêndio. Outro efeito seria a inflamação das vias aéreas e até mesmo falta de ar. Contudo, as consequências dependem diretamente da intensidade da exposição aos gases poluentes.

NBR 17505-7 de 03/2015 – Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis – Parte 7: Proteção contra incêndio para parques de armazenamento com tanques estacionários estabelece os requisitos mínimos para os projetos de sistemas de combate a incêndios com água e com espuma, destinados a instalações de armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis, contidos em tanques estacionários com capacidade superior a 230 L, à pressão igual ou inferior a 103,9 kPa, medida no topo dos tanques. Aplica-se a todas as demais partes da NBR 17505, com exceção da NBR17505-4.

Para as restrições ao emprego desta parte, ver NBR 17505-1:2013, 1.2, as disposições desta parte não se aplicam às edificações, equipamentos, estruturas ou instalações já existentes ou aprovadas para a construção ou instalação antes da datada publicação desta parte. Contudo, as reformas que alterem as características do projeto e/ou equipamentos, e as ampliações de instalações, iniciadas a partir da data da publicação desta parte devem atender às suas disposições.

Nestes casos, devem ser evidenciadas as normas vigentes na época do fato, para as edificações, equipamentos, estruturas ou instalações já existentes ou aprovadas. Para proteções típicas contra incêndio em cais e terminais marítimos, ver NBR 17505-5:2013, Tabela A.3.

Não é requerido um “sistema fixo de água e espuma” para instalações cujo somatório dos volumes dos tanques envolvidos no cálculo do maior risco predominante (ver Seção 5 e NBR 17505-1:2013, 3.69) seja igual ou inferior a 60 m³ de produtos armazenados, quando armazenando líquidos de classe I, ou para instalações cujo somatório dos volumes dos tanques envolvidos no cálculo do maior risco predominante seja igual ou inferior a 120 m³ de produtos armazenados, quando armazenando líquidos de classe II. Entretanto, na adoção de tanques que possuam diâmetro superior a 9 m ou altura superior a 6 m (incluindo a altura da base), é requerida a adoção de um “sistema fixo com câmara de espuma”, para as classes I e II, independentemente do volume da instalação.

Para o projeto dos sistemas de proteção contra incêndio por água e espuma, devem ser considerados dois conceitos fundamentais: dimensionamento pelo maior risco predominante quanto à demanda de água e à condição de maior demanda de espuma; não simultaneidade de eventos, isto é, o dimensionamento deve ser feito com base na ocorrência de apenas um evento.

A água utilizada no sistema de combate a incêndio pode ser doce ou salgada, sem tratamento, desde que isenta de óleo ou outras substâncias incompatíveis com a produção de espuma. Preferencialmente, a rede de hidrantes deve ficar pressurizada com água doce, a fim de evitar a rápida formação de incrustações e corrosão.

Quando não houver alternativa e a rede necessitar ficar permanentemente com água salgada, toda a tubulação deve ser especificada para esta condição. Quando a água contiver considerável quantidade de material sólido em suspensão que possa obstruir os aspersores ou outros equipamentos, devem ser previstos dispositivos para retenção de impurezas e limpeza das linhas, sem interrupção do sistema de combate a incêndio.

O suprimento de água deve ser baseado em uma fonte inesgotável (mar, rio, etc.), a qual deve ser capaz de atender à demanda de 100 % da vazão de projeto, em qualquer época do ano ou condição climática. Na inviabilidade desta solução, deve ser previsto um reservatório com capacidade para atender à demanda de 100 % da vazão de projeto, durante o período de tempo descrito na Tabela A.2. Para o cálculo do volume do reservatório de água, deve ser considerada a capacidade útil de armazenagem de produto(s) do maior risco predominante.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria – mauricio.paiva@target.com.br

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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