Países sul-americanos querem ampliar papel de energias renováveis

Fonte: Brasil 247

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Peru – Em painel de debate organizado pela Agência Internacional de Energia (IEA) no âmbito da Conferência das Partes em Lima, a COP20, representantes de Peru, Colômbia e Brasil ressaltaram que a incorporação gradativa de energias renováveis à matriz energética destes países é uma prioridade da região.

Para o Ministro de Energia e Minas do Peru, Eleodoro Mayorga Alba, “o país está comprometido em alcançar um compromisso de longo termo nas negociações multilaterais. Parte da equação é como distribuir responsabilidades relacionadas às mudanças climáticas, bem como, discutir seu fator financeiro.”

O dilema entre o compromisso com o crescimento econômico atrelado à proteção ambiental denota a dificuldade dos negociadores e especialistas reunidos em Lima. Para Phillipe Benoit, chefe da divisão de Eficiência Energética e Ambiente – IEA, na França, “temos de reconhecer que todos os países querem continuar a crescer. Historicamente, no entanto, o crescimento econômico está atrelado ao aumento da demanda de energia e, consequentemente, ao aumento das emissões de CO2.”

“Vejo que aprimorar a eficiência energética é portanto fundamental para melhorar este cenário, atacando o problema da demanda a partir da redução das perdas técnicas ocorridas durante a geração e fornecimento da energia. Vemos que a produtividade da energia permitirá países desenvolvidos e emergentes assegurarem as receitas do PIB com cada unidade de energia gerada”, declarou Benoit.

Fundamentalmente, o que se busca incentivar a partir das discussões envolvendo o aquecimento global, e que afetam diretamente setores produtivos como os de energia, transportes, entre outros; é racionalizar a crescente demanda global sem incrementar o uso de combustíveis fósseis ou a construção de projetos que degradem o meio ambiente. Soma-se a isso, definir a ajuda técnica e financeira para ampliar o acesso dos emergentes às tecnologias limpas.

Entre as grandes nações que negociam os compromissos nacionais de redução das emissões de gases de efeito estufa, o Brasil segue cacifado por ter sua matriz energética entre as mais limpas do mundo, majoritariamente hidroelétrica. Atualmente, 47% do suprimento brasileiro de energia advém de fontes limpas como a água, sendo que 75% da eletricidade distribuída têm origem renovável.

“O setor de energia é responsável por boa parte das emissões de CO2 no mundo, mas vejo os planos do Brasil em convergência com os compromissos que devem ser assumidos pelos negociadores do acordo climático”, afirmou o presidente da Eletrobras, José Carvalho Neto.

A Eletrobras, empresa de economia mista sob o controle do Governo Federal, traçou seus planos de médio (2013-2023) e longo prazo (até 2030) considerando três pilares para nortear seus investimentos em infra-estrutura: acessibilidade, preço e sustentabilidade no fornecimento de energia aos consumidores finais.

Nos próximos 10 anos deverão ser incorporados 20GW adicionais à rede de eletricidade com a finalização das usinas na Amazônia: Belo Monte (11.3 GW), Jirau (3,5 GW) e Santo Antônio (3,5 GW) no Rio Madeira, e Teles Pires (1GW).

A opção estratégica por grandes intervenções hidrelétricas na região amazônica vem desde o período militar e ancoraram o modelo de desenvolvimento econômico no Brasil. Alguns países vizinhos são dependentes também da mineração e da exploração do gás como fontes energéticas. ¨Há muitos desafios ambientais e sociais para se produzir novos geradores de energia em grandes projetos, em todo o mundo, inclusive as renováveis, destacou Phillipe Benoit.

A constatação teve a aquiescência do representante colombiano no Conselho Mundial de Energia, José Vargas Leras, que ressaltou os obstáculos socioambientais para execução de grandes projetos de energia na América do Sul atualmente.

Nos últimos anos, as dificuldades de implantação de hidrelétricas de grande porte na região amazônica, somadas à escassez hídrica sazonal, levaram o Brasil a construir usinas termelétricas para atender a demanda por energia de setores produtivos em todo o país. Ao incorporar energia fóssil à sua matriz, o país contrariou a tendência de redução percentual do uso destas fontes de energia como aconteceu em parte significativa dos membros do G20 – grupo de países que representam 85% da economia global.

“Podemos pegar o exemplo do Brasil, que ao final do dia de hoje, não terá sido politicamente correto. Discuto o fato de construírem represas sem capacidade hídrica nos reservatórios, as quais perderão energia. Ao mesmo tempo, utilizam termelétricas com carvão no sul do país, contra as quais estamos lutando nesta COP20. Estas termelétricas não são para um ano de uso apenas, mas para décadas”, disse Phillipe Joubert , chefe executivo da Global Electricity Initiative (GEI).

Segundo Carvalho Neto, da Eletrobras, o Brasil produz hoje 80 gigawatts (GW) com a energia dos ventos, a partir de turbinas eólicas instaladas em solo. Um recente estudo encomendado pela empresa mostra um potencial de geração de energia de até 345 GW, excluído uso de plataformas off shore, no mar. Outros 5 gigawats seriam gerados a partir de empreendimentos à base de energia solar com painéis fotovoltaicos. Projetos de energia com biomassa foram adiados, devido à baixa de preços dos créditos de carbono em mercados globais.

“Não estou dizendo que foi uma boa ou má decisão do governo. Simplesmente digo que não foi tomada levando-se em conta critérios mais altos. ¨O que esperamos deste acordo é um plano de longo termo para os negócios, que não mude no decorrer de um fim de semana. A precificação mínima do crédito de carbono voltou à agenda de negociações com força total nestes últimos meses”, disse o especialista francês Joubert, da IEA.

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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