A distância até o chamado primeiro mundo…

Aqueles que já tiveram a oportunidade de conhecer algumas das principais capitais do mundo, principalmente de países reconhecidos como “primeiro mundo”,  puderam perceber o quanto alguns itens básicos de infraestrutura urbana operam bem por lá… Falamos de transporte, de acessibilidade urbana, do cumprimento de garantias em um produto defeituoso, em escolas, em saúde, etc…, sem contar a tranquilidade que temos para circular nas ruas, diferente de nossa situação.

Mas não é somente em relação às cidades que me dirijo….

Na realidade, esta distância enorme existe em relação a cultura do próprio povo e em sua maneira de ver algumas atividades e obrigações de seu dia a dia.

Vejam como exemplo os processos de auditoria interna ou externa; enquanto existem preocupações por aqui para arrumar a casa às vésperas das visitas, para que o processo seja bem visto através dos auditores, nos deparamos lá fora com a visão de que processos de auditoria têm por objetivo ajudar na correção, no ajuste e na melhoria de processos.

Isto me remete à um e-mail que recebi há muito tempo, mostrando a visão de nós brasileiros (sem generalizar…) sobre os cuidados em relação a um processo de auditoria…

Auditoria no Brasil

Figura recebida por e-mail – autor desconhecido (trabalhada para a finalidade de um curso de operação e manutenção)

Mas isto não ocorre somente em relação ao processo de auditoria!

Falemos agora de processos de comissionamento e recebimento técnicos de obras e instalações….

Quantas vezes não ouvimos a expressão “obra não se entrega…se abandona…”…

Quantas vezes nos deparamos com obras e instalações onde não se verifica a especificação, a adequada contratação e execução de processos de comissionamento nas diversas áreas de infraestrutura?

Quantas vezes vcs já viram a contratação de uma equipe de comissionamento, de gestão / administração do empreendimento e de gestão da operação e manutenção juntamente com o nascimento do empreendimento, possibilitando assim com que diversas “futuras anomalias” sejam corrigidas no nascedouro, ou seja, na concepção do novo empreendimento…

Quantas vezes já não ouvimos expressões como “o mercado não paga este serviço…” e “o cliente não paga por isto…”

Vejam que trata-se de:

  • Uma necessidade de nos aculturarmos neste sentido
  • Uma importante necessidade de aculturarmos o nosso cliente que muitas vezes não possui uma formação técnica
  • Buscarmos pela execução do melhor, assegurando assim a qualidade

Mas é justamente nesta falta de visão de nossos “players do mercado”, ou melhor, de nossas instaladoras, construtoras, empresas de operação e manutenção, empresas de consultoria e tantas outras, que ainda perseguimos “de longe” os mais países mais avançados…

É como na questão “latente” da corrupção em nosso país…enquanto existirem empresas e profissionais que aceitem tais propostas e condições, ainda alimentaremos a máquina da corrupção.

Da mesma forma, enquanto tivermos fornecedores que aceitem processos inadequados e “inócuos” em relação à garantia da qualidade e enquanto tivermos fornecedores que prefiram simplesmente ganhar as suas concorrências à qualquer custo, sem orientar e ajudar os seus contratantes ou potenciais contratantes, continuaremos nas condições atuais…

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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