A energia solar entra na matriz energética do País

Fonte: O Estado de São Paulo

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Mais de mil empreendimentos estão cadastrados para o leilão de energia de reserva marcado para o fim do mês e do qual participarão usinas movidas a biomassa, eólicas e fotovoltaicas – ou seja, energia solar. Se os resultados forem favoráveis, a energia solar entrará na matriz energética brasileira, como mostrou reportagem do Estado (29/9). Será um fato notável.

O País dispõe de condições favoráveis à energia solar, em especial nas Regiões Norte e Nordeste. Nelas estão a maioria dos 400 empreendimentos de energia solar cadastrados. Só na Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí estão 80% dos empreendimentos, com capacidade de geração de 8,5 mil MW. Para viabilizar a participação das fotovoltaicas, o governo prometeu fazer um leilão não competitivo, em que os preços serão diferentes para cada modalidade de energia. O teto, na energia solar, será de R$ 280 o MWh, considerado adequado pelas empresas.

Hoje, os números relativos à oferta dessa fonte de energia no Brasil são modestos. Poucas empresas instalaram painéis fotovoltaicos. Milhares de residências utilizam essa energia, que se destina a atender a demandas familiares de água aquecida por períodos limitados.

Em países desenvolvidos, a energia solar ganhou espaço, como na Alemanha, que tem políticas de incentivo à produção de energia renovável: a geração solar de 25 mil MW é subsidiada e os investimentos superam as expectativas. Até 2025, a meta é de que 40% da energia gerada na Alemanha provenha do conjunto de fontes renováveis. No Brasil, a meta é gerar 3,5 mil MW de energia solar até 2023, menos de 2% da capacidade instalada de fontes elétricas.

A dependência do sistema atual ao regime das chuvas desperta o interesse por energia solar e por fontes alternativas de eletricidade, tal o custo que decorreria da escassez ou de colapso no abastecimento.

Entre os raros exemplos de investimento na energia fotovoltaica está o feito por um grupo estrangeiro em Tubarão (SC), mostrando que é possível, em fases de escassez de chuvas como a atual, vender energia solar no mercado livre a um preço superior ao do custo.

Os empreendedores ainda tratam como embrionários os projetos fotovoltaicos. Investimentos expressivos são feitos por empresas de alta tecnologia para atender à demanda de equipamentos, mas o setor levará anos para ter voo próprio e depende de políticas públicas adequadas para se desenvolver.

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Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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