Projetos de eficiência energética são fundamentais para reduzir desperdício de água

Fonte: Procel Info

Por: Fernanda Viviani

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São Paulo – Economia de água também pode ser feita através de eficiência energética

São Paulo – O relatório anual das Nações Unidas faz terríveis projeções para o futuro da humanidade: a água será o recurso mais escasso do mundo no século XXI. A ONU prevê que em 2050 mais de 45% da população mundial não poderá contar com a porção mínima individual de água para a sobrevivência. Segundo dados estatísticos existem hoje 1,1 bilhão de pessoas praticamente sem acesso à água doce. Estas mesmas estatísticas projetam o caos em pouco mais de 40 anos, quando a população atingir a cifra de 10 bilhões de indivíduos.

Segundo o SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), o Brasil perde 40% da água distribuída pelos prestadores de serviço em relação a água produzida. Dentro deste contexto, o Brasil possui 13,8% de toda a água doce do planeta. Mesmo com essa situação privilegiada é necessário saber preservar e economizar. O caso do Sistema Cantareira é uma prova disso. O reservatório utiliza “volume morto” desde o mês de maio.

O governador do Estado de São Paulo assumiu a necessidade de haver racionamento no abastecimento de água após o Sistema Cantareira alcançar 12% da capacidade no mês de abril. A situação é alarmante porque ele é responsável por fornecer água tratada a cerca de 8,8 milhões de pessoas.

De acordo com a moradora de São Paulo, Ana Cristina Wald, a cidade se mobilizou para a economia de água e mesmo assim é possível ver o desperdício, como água jorrando em canos furados e pessoas lavando carro na rua.

O problema da água envolve também o fornecimento de energia elétrica. As usinas hidrelétricas são responsáveis por cerca de 75% de toda eletricidade produzida no país. Com a falta de chuvas por um período prolongado, como aconteceu no início de 2014, a produção e fornecimento foram ameaçados pela baixa do nível de água dos reservatórios.

Eficiência energética e economia de água são dois objetivos a serem perseguidos, tanto individualmente como coletivamente, para que consigamos reduzir os impactos de estiagens prolongadas. As casas, empresas e espaços públicos devem incorporar conceitos de construção sustentável. Podem ser citadas três alternativas que agem diretamente nesta questão: aproveitamento de água de chuva, aquecedores solares e energia fotovoltaica. Disseminar e promover a eficiência energética proporciona o melhor consumo de energia e água.

Investimentos em eficiência energética se tornam fundamentais. Projetos bem estruturados em indústrias, comércios, usuários domésticos e até mesmo nas próprias estações de tratamento de água conseguem reduzir o desperdício em até 30%”, explica Alexandre Moana, diretor da Associação Brasileira das Empresas de Serviços e Conservação de Energia (Abesco).

Outra forma também de reduzir o desperdício de água, é conter a demanda por meio de técnicas de conservação, substituindo tecnologias que utilizam a água, como: máquinas, motores, sistemas de refrigeração, por aparelhos mais modernos, com maior eficiência energética e menos custo financeiro. Vale ressaltar, que as empresas de saneamento hoje, possuem um de seus maiores gastos operacionais com energia elétrica, atrás somente das despesas com pessoal.

De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene. No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia.Gastar mais de 110 litros de água por dia é jogar dinheiro fora e desperdiçar nossos recursos naturais.

A Abesco ressalta que a utilização racional dos recursos hídricos é fundamental, uma vez que enquanto a energia elétrica pode ser gerada por diferentes fontes, para a água não há substitutos ou alternativas. Por isso, solicitou ao consultor Raymundo Aragão que fizesse uma análise desse mercado. “Com frequência, encontramos instalações com potenciais de redução dos custos superiores a 50% com atratividade financeira, a despeito do valor do investimento“.

Ainda de acordo com Aragão, de uma forma geral, o valor investido na redução de consumo, com ferramentas como limitadores de vazão, medidores setoriais e torneiras e registros com fechamento automático, retorna em economia para o consumidor em menos de dois anos. “Vale ressaltar que qualquer iniciativa deve ser acompanhada de mudança de hábitos e educação dos usuários para que o uso consciente dos recursos faça parte do dia a dia”.

Cabe lembrar ainda que muitas companhias de água efetuam a cobrança em faixas de consumo. Geralmente a companhia adota várias categorias de consumo, com a finalidade principal de subsidiar a tarifa paga pelos clientes com menor poder aquisitivo e de incentivar o consumo consciente, evitando assim o desperdício da água tratada, numa demonstração de preocupação com o meio ambiente. Mudar de faixa de consumo pode significar uma boa economia financeira também. Atualmente as companhias trabalham com as seguintes faixas de consumo: Residencial Social, Residencial Popular, Residencial Normal, Comercial Popular, Comercial, Industrial, Pública e Entidades Filantrópicas.

O primeiro e maior problema do consumo de água no setor residencial é a inadimplência. Alguns moradores ainda insistem em não pagar a sua quota-parte do consumo. Também existe o costume de desperdiçar água, sem nenhuma responsabilidade. E principalmente, a injustiça de um apartamento com apenas um casal pagar o mesmo valor de um que tem mais pessoas. O que ocorre com a medição individual de água é a distribuição do consumo. Cada um vai pagar pelo que consumiu e a conta geral do condomínio tende a baixar. São medidas como esta que mostram a importância do uso consciente e economia da água.

Sobre Alexandre Fontes

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNICID / INBEC), professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET e professor da cadeira "Operação & Manutenção Predial" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IBAPE / MACKENZIE. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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