Uma análise sobre a relação entre cálculo de tráfego X produtividade dos elevadores

Fonte: Engenharia Compartilhada

Por: Luciano Grando

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A construção civil busca agregar novas tecnologias às edificações, melhorando o conforto, a utilidade e a habitabilidade. A viabilidade para o emprego destas inovações está vinculada a uma relação custo x benefício, ou seja, novas tecnologias somente serão viáveis se justificarem o investimento, quer seja pela valorização do empreendimento, redução de custos ou otimização das áreas comercializáveis.

Na indústria de elevadores não é diferente e avaliando as necessidades de mercado com relação a custo de terreno, verticalização crescente com prédios acima de 30 andares, entre outros fatores, sabemos que a viabilidade do emprego de novas tecnologias dependerá, em última análise, da otimização das áreas de uma edificação.

Em outras palavras, especificar um novo produto passa também pela redução das áreas requeridas para a instalação de elevadores na edificação, permitindo, desta forma, “compensar” o acréscimo de custos com a aquisição do equipamento com a redução das áreas necessárias para os elevadores.

As inovações, portanto, caminham no sentido de melhorar o tráfego vertical, utilizando uma menor área útil da edificação destinada à caixa de corrida dos elevadores e transportando uma maior quantidade de pessoas em um determinado intervalo de tempo, proporcionado conforto e melhoria do tráfego.

Investimentos em novos produtos por parte das principais fabricantes mundiais de elevadores já resultaram em soluções que permitem aumentar a quantidade de pessoas transportadas pelos elevadores, utilizando uma menor área útil da edificação. Estamos nos referindo às tecnologias que utilizam dois elevadores, operando numa mesma caixa de corrida, ampliando a produtividade do equipamento. São dois modelos: um permite que dois elevadores operem independentemente um do outro, utilizando a mesma caixa de corrida. O outro possui duas cabinas que operam de forma integrada, ou seja, quando uma se movimenta a outra também faz o mesmo movimento.

Já em operação em países da Europa e da Ásia há mais de 10 anos, essas tecnologias não podem ser aplicadas no Brasil. Isso porque, a norma técnica NBR 5665, modelo adotado no Brasil para o cálculo de tráfego do elevador, não considera a possibilidade de utilização de duas cabinas em uma mesma caixa de corrida, até porque a referida norma foi editada em 1985 e não contemplava estes avanços tecnológicos.

Na realidade, para calcular e especificar elevadores, de acordo com a NBR 5665 temos a possibilidade de definir somente as seguintes variáveis: quantidade de elevadores; capacidade de carga da cabina (pessoas); velocidade dos elevadores; largura das portas e tipo de abertura das portas (AC ou AL) e zoneamento ou agrupamento dos elevadores, sendo as demais variáveis “fixas” ou inerentes às características construtivas, como o percurso e número de andares atendidos.

Por exemplo, no cálculo de tráfego da norma NBR 5665 temos a determinação das “paradas prováveis do elevador” somente com base em sua capacidade e seu percurso, não considerando qualquer diferença entre os softwares de atendimento, ou mesmo um software de atendimento com chamadas antecipadas, de cada marca/modelo de elevador.

Ou seja, o modelo de cálculo de tráfego utilizado pela norma técnica NBR 5665, considera variáveis de desempenho “pré-determinadas” e “definidas em tabelas”. Desta forma, não leva em conta outras variáveis inerentes à tecnologia de cada marca/modelo de equipamento, tais como: diferença de velocidade das portas de cada marca/modelo de equipamento; aceleração e desaceleração da máquina de tração; diferença dos tempos de atendimento com base no software de atendimento das chamadas de cada marca/modelo de equipamento; existência de tecnologias, como antecipação de chamadas; existência de mais de uma cabina em cada caixa de corrida, e outras características técnicas inerentes a cada modelo/marca de elevador.

Portanto, se realizarmos uma simulação de cálculo de tráfego, considerando diversas relações de velocidade e capacidade de elevadores, os resultados obtidos serão os mesmos para qualquer marca ou modelo de elevador a ser instalado no Brasil. Isso acaba por nivelar em um mesmo patamar de desempenho todo e qualquer elevador, independente da tecnologia embarcada. No caso de empregarmos novas tecnologias, como o sistema de duas cabinas por caixa de corrida teremos, portanto, um superdimensionamento da quantidade e das características dos elevadores, acima da real necessidade da edificação, agregando custos ao empreendimento.

Para contribuir positivamente com este debate, apresentamos uma proposta de adaptação da metodologia do cálculo de tráfego com base na norma técnica NBR 5665, contemplando as novas tecnologias. Na metodologia também propomos o emprego de simuladores de tráfego vertical (software), que permitem aferir e comprovar o real desempenho dos elevadores na edificação, considerando as novas tecnologias disponíveis no mercado. Desta forma, consideramos o impacto das características do equipamento que possam influenciar na “produtividade” do elevador.

(Luciano Grando é Engenheiro Mecânico formado pela UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, consultor especializado em transporte vertical. Diretor Técnico da Grando Engenharia e Presidente da ABEMEC-RS – Associação Brasileira de Engenheiros Mecânicos. Foi Conselheiro do CREA-RS – Conselho Regional de Engenharia do RS entre os anos de 2007 a 2012 e, atualmente representa o CREA-RS na Comissão de Estudos de Elevadores Elétricos da ABNT.)

 

Sobre Alexandre Lara

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira de "Operação e Manutenção Predial sob a ótica de Inspeção Predial para Peritos de Engenharia" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo MACKENZIE, professor das cadairas de Engenharia de Manutenção Hospitalar dentro dos cursos de Pós-graduação em Engenharia e Manutenção Hospitalar e Arquitetura Hospitalar pela Universidade Albert Einstein, professor da cadeira de "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNIP / INBEC), tendo também atuado como professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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