Vale a pena conferir este artigo do Facility Managers de Marcos Maran

Quem conhece um bom pajé?

Data da Notícia: 18/02/14

Procura-se urgentemente um pajé que saiba provocar chuvas.  Mas ele tem que ser competente. Deve conseguir provocar chuvas de grande intensidade e no lugar certo!

Não acredita em pajés? Então, por que não rezar a São Judas, o santo das causas impossíveis?

Seja pajé, seja São Judas, parece que nossa sorte depende mesmo de uma fé imensa de que algo vai acontecer e resolver a falta de água para consumo humano e energia elétrica, uma vez que todo o conhecimento e ciência não foram capazes de antever e tomar ações de mitigação das consequências.

Se dentro de alguns dias, a mãe, ou melhor, a madrasta Natureza insistir em continuar caprichosa e não provocar o aparecimento de nuvens carregadas, que descarreguem volumoso caudal, todos nós estaremos sujeitos a racionamentos de água e de energia. Aliás, mais de 140 cidades já estão!

E ainda por cima esse calorão! Dá-lhe ar condicionado…

Mas como isso ocorreu em tão pouco tempo? Em dezembro passado, nada se ouvia sobre o baixo nível dos reservatórios. Essa é a situação em que ficamos quando as autoridades responsáveis insistem em contar com a sorte e ajuda divina para fazer a gestão de insumos essenciais para o ser humano. Esse cenário precário, que hoje vemos e ouvimos a todo instante, poderia ter sido previsto com relativa facilidade e as providências necessárias para mitigar as dificuldades tomadas com maior antecedência.

No atual estágio do conhecimento e gestão operacional de reservatórios, é perfeitamente possível antecipar medidas, no mínimo de precaução, contra possíveis incertezas da Natureza. Mas não acredito em incompetência por parte dos técnicos responsáveis pela gestão dos recursos, creio que o que houve mesmo foi interferência política daqueles que não gostam de dar notícias que exigem sacrifícios das pessoas, principalmente num ano de eleições. Que azar danado!!! Daí, ouvirmos a mesma cantilena de sempre: que as chuvas não aconteceram da forma prevista ou ocorreram nos locais inadequados, pouco volume… Só falta dizer que Deus não ajuda. Ah, esse Deus brasileiro…

Bom, a intenção deste artigo não é fazer digressões sobre a incompetência dos responsáveis pela coisa pública que, afinal, todos temos acompanhado nos últimos tempos. A motivação é comentar sobre a importância da gestão de facilities em situações como esta. Nós não podemos proceder como nossos administradores públicos, nem ficar jogando a culpa sobre eles. A hora é de ação concreta, pé no chão. Nossos clientes, os ocupantes do edifício, seus usuários, visitantes, dependem de nós para conseguirem um ambiente de convivência e trabalho adequados. Estão dispostos até em colaborar. Temos que tomar providências para que nossos prédios e indústrias sofram o mínimo possível, na possibilidade de um cenário de racionamento.

O momento agora é de retirarmos da gaveta nossos planos de contingência.

Qual é nossa capacidade de reservação de água? Com o perfil de consumo atual, quanto tempo o edifício consegue atender à demanda? Se o tempo é pequeno frente ao tempo de racionamento, onde podemos buscar água? Qual a quantidade? Quanto isso vai custar? O local onde o prédio está permite a circulação e estacionamento de caminhões-pipa? Como assegurar a qualidade dessa água? Que medidas de redução de consumo podemos tomar? Vamos diminuir a pressão das linhas de abastecimento? Quais registros podemos fechar, por exemplo, fontes decorativas? Vamos fazer campanhas de esclarecimento ao público usuário? E os nossos controles e metas de consumo, estão definidos? É hora de colocar aquelas torneiras e vasos sanitários economizadores? E quanto a furar aquele poço e respectiva estação de tratamento tão falados?

E quanto à energia elétrica? Se faltar água nos reservatórios das usinas hidrelétricas, bye, bye… Os apagões já estão acontecendo devido à alta demanda dos sistemas de ar-condicionado.

No caso de um racionamento de energia elétrica, creio que a história de 2001 se repetirá. O racionamento se daria por limites (ou metas) máximos de consumo. Neste caso, temos que responder às seguintes perguntas:

Temos geradores? Eles funcionam em paralelo com a rede? Eles suportam as cargas escolhidas? Somente as essenciais? E o ar-condicionado? Elevadores? Nosso tanque de combustível tem capacidade para quantas horas ou dias de funcionamento? O gerador pode funcionar ininterruptamente quantas horas antes de exigir a parada para troca do óleo lubrificante e filtros? Temos óleo em estoque? Temos contrato de fornecimento de combustível? O local de estacionamento do caminhão-tanque está desimpedido? A manutenção do gerador está em dia? Temos peças essenciais para pleno funcionamento do sistema de geração, difíceis de obter a pronta entrega, em nosso estoque? No estoque de nosso mantenedor? Que peças são essas? Todo o sistema está adequadamente mantido (painéis elétricos, disjuntores, cabos, conexões, relés etc.)? Importante: o pessoal sabe operar o sistema com destreza, agilidade, competência? Sabe resolver pequenas falhas rapidamente? Como vamos tratar o descontentamento dos vizinhos devido ao ruído e poluição provocados pelos geradores?

Como veem, são inúmeras as ações que devem ser tomadas. Lembramos apenas algumas, não esgotamos o rol de atividades que um plano de contingência pode conter. No mínimo, podemos aproveitar o calor do momento (e que calor!!) para atualizar o mesmo, rever  procedimentos, treinar pessoal.

Ainda sobre consumo de energia elétrica, mesmo que não aconteça qualquer racionamento, o excepcional calor dos últimos tempos leva ao maior consumo de energia nos sistemas de ar-condicionado. Esta situação, com certeza, vai levar a maiores gastos com esse insumo. Deste modo, qualquer ação com o intuito de diminuir o consumo de energia elétrica, tais como desligamento de iluminação desnecessária, racionalização de uso de água (menos água, menos bombeamento), é bem-vinda. Para aqueles que possuem contrato de energia no mercado livre, especial atenção deve ser dada no controle da energia consumida versus a contratada. A ultrapassagem do valor contratado obriga o consumidor a adquirir a energia excedente no mercado spot, de curto prazo, cujos preços estão pela hora da morte devido ao cenário de baixo nível dos reservatórios. Na última semana, seu valor atingiu a casa dos R$ 822,00 contra cerca de R$ 350,00 de períodos anteriores. Qualquer ultrapassagem vai provocar um rombo orçamentário!

Ufa… Por essas e outras, alguém aí conhece um pajé?

Marcos Maran

Presidente da ABRAFAC

Sobre Alexandre Lara

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira de "Operação e Manutenção Predial sob a ótica de Inspeção Predial para Peritos de Engenharia" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo MACKENZIE, professor das cadairas de Engenharia de Manutenção Hospitalar dentro dos cursos de Pós-graduação em Engenharia e Manutenção Hospitalar e Arquitetura Hospitalar pela Universidade Albert Einstein, professor da cadeira de "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNIP / INBEC), tendo também atuado como professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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