A visão sistêmica no planejamento da manutenção

Por Alexandre M F Lara

Recentemente, tratamos aqui neste blog sobre a necessidade de se ajustar “FOCO” e o “OBJETIVO” dentro da atividade de PPCM, com vistas a preservar a função do ativo durante toda a vida útil projetada para o equipamento ou sistema. Como já dissemos, o foco deve considerar a FUNÇÃO do ativo ou sistema dentro da operação ou edificação, e o objetivo da manutenção em PRESERVAR A FUNÇÃO prevista em projeto.

Isto requererá com que o planejador conheça o “papel a ser desempenhado” e os “entregáveis” relativos ao sistema, assim como todos os demais equipamentos e componentes que o compõe, considerando-os como corresponsáveis por tal cumprimento da função. Portanto, tornar-se-á igualmente importante e necessário que o planejador da manutenção conheça o sistema para o qual desenvolverá o plano de trabalho (arquitetura do sistema e seus “personagens”, rol de entregáveis previstos em projeto e modos definidos para a sua operação) dentro do que se considera como uma VISÃO SISTÊMICA ao se planejar.

Vamos aqui ilustrar tal preocupação com dois exemplos a serem trabalhados pelo planejador de manutenção:

1_ Sistema central de água quente destinado a suprir uma planta industrial com a vazão necessária ao processo, dentro de uma condição determinada de temperatura (faixa aceitável):

    Ilustração esquemática de um sistema

    No caso acima, o desempenho do aquecimento exigirá com que o planejamento de manutenção monitore e atue sobre os ativos principais (bombas de água quente), assim como sobre outros equipamentos e componentes na instalação, incluindo:

    • O CCM – Centro de Comando de Motores e a distribuição elétrica
    • Sistema de abastecimento e reposição de água
    • Acumuladores de água quente
    • Conjuntos moto-bomba de água quente
    • Redes de circulação e distribuição, incluindo o seu isolamento térmico
    • Equipamentos de bloqueio e controle de vazão na instalação (válvulas manuais e automáticas)
    • Sensores de pressão, temperatura e vazão instalados, assim como os meios de sua integração e comunicação de dados (wireless, cabeado)
    • Sistema de monitoramento e concentração de dados

    2_ Sistema de pressurização de uma escada de emergência em uma edificação:

    Neste segundo exemplo, a efetiva proteção da rota vertical de fuga demandará não somente pelos cuidados sobre o quadro elétrico e sobre os ventiladores pressuriradores, como também sobre a lógica ou sequência funcional previstas, os níveis de integração com os demais sistemas prediais, a tomada de ar para a pressurização, os dutos e isolamentos térmicos, os sistemas de controle, a estanqueidade e proteção da casa de máquinas (sala técnica), as caixas de escadas em seu quesito integridade e vazamentos, esta última incluindo as portas corta-fogo como importantes componentes no sistema (nível de “vazamento” previsto em projeto).

    Para ambos os exemplos, a análise ou a medição periódica da performance também será necessária para que se consiga aferir os entregáveis e, consequentemente, o cumprimento da função destes sistemas.

    Uma vez compreendido o sistema objeto do planejamento dentro desta VISÃO SISTÊMICA, o planejador iniciará o seu trabalho de classificação do ativo e de sua criticidade funcional, de atribuição de estratégias de manutenção a serem adotadas, de elaboração dos planos de trabalho e meios de apuração dos resultados, embora este seja um tema para um outro post.

    O fato é que muitos sistemas prediais deixam de atender ao cumprimento de sua função por esta falha inicial de planejamento, relacionada a não adoção de uma visão sistêmica por parte do planejador. Como consequência desta falha, constata-se com uma certa frequência a atuação de sistemas limitada ao cumprimento de lógicas funcionais e de integração, sem que estes produzam necessariamente os resultados esperados.

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    About Alexandre Lara

    Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira de "Operação e Manutenção Predial sob a ótica de Inspeção Predial para Peritos de Engenharia" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo MACKENZIE, professor das cadairas de Engenharia de Manutenção Hospitalar dentro dos cursos de Pós-graduação em Engenharia e Manutenção Hospitalar e Arquitetura Hospitalar pela Universidade Albert Einstein, professor da cadeira de "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNIP / INBEC), tendo também atuado como professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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