Paraná avança em projeto que torna obrigatória a inspeção anual de elevadores e escadas rolantes

Por: Elevador Brasil

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A revista Elevador Brasil publicou recentemente o avanço do Estado do Paraná em relação a tornar obrigatória a inspeção anual de elevadores e escadas rolantes, a exemplo do que já fazem outros estados e/ou municípios como Rio de Janeiro e São Paulo.

Fonte: IA

Sem qualquer sombra de dúvida, este será um passo importante envolvendo contratantes e prestadores de serviço de manutenção em equipamentos de transporte vertical no que diz respeito a contratação de empresa responsável e a prestação periódica de contas, ou seja, com a entrega de um relatório anual de inspeção (RIA) e da anotação de responsabilidade técnica (ART) do profissional envolvido.

No entanto, longe de querer polemizar, o histórico de auditorias realizadas por consultores externos e independentes em localidades já “abraçadas” por legislação similar tem demonstrado a constante deficiência em trabalhos de manutenção, incluindo o apontamento de riscos operacionais, ou melhor, com a potencial interrupção de serviço do equipamento auditado, assim como o apontamento de riscos de acidentes, quando as falhas identificadas se originam em componentes relacionados a segurança.

E a grande questão é….., onde está a falha e como será possível mitigá-la?

Apesar de se tratar de um sistema específico e que requer a atuação de especialistas, a atividade de manutenção não deveria se diferenciar do conceito e conjunto de diretrizes definidas pela WCM (World Class Maintenance), incluindo:

  • A identificação da anatomia ou arquitetura do sistema e a classificação de ativos e componentes
  • A definição de planos de trabalho e estratégias de manutenção a serem aplicadas
  • A inclusão dos testes periódicos já previstos em normas como a ABNT NBR 16.858 e a ABNT NBR 16.083
  • O registro de evidências quanto ao cumprimento destas atividades
  • A emissão de relatórios ao cliente e contratante, demonstrando o cumprimento do trabalho de manutenção CONTRATADO e expondo os resultados que atestem a performance de seu trabalho (disponibilidade dos equipamentos, parâmetros operacionais ajustados, etc.)

Notem ainda que esta estruturação e organização quanto ao planejamento da manutenção também integra o corpo da norma técnica ABNT NBR 5674 – Manutenção de Edificações – Requisitos para a gestão da manutenção predial.

Ainda assim, a condição observada no mercado de manutenção em equipamentos de transporte vertical apresenta como resultados:

  • A falta de transparência perante o contratante e responsável pelo empreendimento, envolvendo:
    • O não detalhamento dos planos ou programas de manutenção praticados (ausência de um padrão)
    • O não detalhamento de testes periódicos, a frequência de sua realização e a compatibilização destas atividades em relação as normas técnicas específicas
    • A não entrega de relatórios DE MANUTENÇÃO, condição esta normalmente limitada a entrega de relatórios de chamados ou ocorrências, geralmente sem nenhuma análise técnica de engenharia de manutenção sobre a volumetria registrada
    • O não envolvimento do cliente na entrega de serviços prestados
  • A limitação de resposta ao que determina a legislação local, quando existente:
    • Entrega de um suscinto RIA, muitas vezes não acompanhado da ART do engenheiro responsável

Como resultado prático, tem-se um índice cada vez maior de reclamantes em relação a falhas ou panes RECORRENTES em seus equipamentos, atrapalhando a operação e aumentando a insatisfação de seus usuários.

Independentemente da obrigatoriedade expressa em nossas leis, a deficiência existente em contratos firmados no que diz respeito a ausência de escopos detalhados, seus entregáveis e indicadores de performance do equipamento e sua manutenção, assim como a deficiência quanto ao cumprimento dos padrões de manutenção estabelecidos e quanto a análise crítica (e a documentação) de resultados se traduz em uma “cortina de fumaça” adiante dos tomadores de serviço, impossibilitando a sua visão real sobre o processo e eventuais riscos.

Adiciona-se aqui um outro ofensor importante que é a ausência de fiscalização quanto ao cumprimento de leis em nosso pais, ainda que a ABNT esteja cumprindo um importantíssimo papel para tornar o nosso conjunto de normas técnicas cadas vez mais aderente às melhores práticas em vigor no mercado europeu e norte-americano.

Embora a contratação de auditorias externas seja uma importantíssima “ferramenta” para mitigar riscos e para impor ajustes de percurso nos trabalhos de manutenção praticados por empresas especialistas, entende-se como necessário a mudança desta cultura ou prática de mercado acima descrita, sob o forte risco de continuarmos a “esgotar a água em nossas canoas com o uso de canecas…”.

Por fim, não deixem de prestigiar o artigo da Revista Elevador Brasil no link acima ou clicando aqui.

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About Alexandre Lara

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira de "Operação e Manutenção Predial sob a ótica de Inspeção Predial para Peritos de Engenharia" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo MACKENZIE, professor das cadairas de Engenharia de Manutenção Hospitalar dentro dos cursos de Pós-graduação em Engenharia e Manutenção Hospitalar e Arquitetura Hospitalar pela Universidade Albert Einstein, professor da cadeira de "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNIP / INBEC), tendo também atuado como professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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