Preservar a saúde ou atender a legislação?

Por Alexandre M F Lara

O tema deste post é bastante realista se olharmos para o “jeitinho brasileiro” de ser….

Exatamente em 1998 comessávamos a trilhar uma possível mudança de rumo em nossa manutenção sobre os sistemas de climatização com a divulgação da Portaria 3.523 da ANVISA, a qual preconizava por colocar em vigor cuidados que, de certa forma, já estavam previstos na ABNT NBR 13.971 já em vigor.

É verdade também que a NBR 13/971 carecia por atualizações em seu conteúdo, conceitos e abrangência, ainda que fosse recente, de 1997 se não me falha a memória… Esta atualização veio em 2014 e buscou por melhorar o seu contexto não só em função das novas exigências, mas tentando também acompanhar alguns conceitos de manutenção que já eram discutidas.

O mercado se preocupou e prontamente surgiram não só oportunidades profissionais para engenheiros mecânicos, como cursos e algumas consultorias especializadas no tema, para auxiliar aqueles que buscavam por “atender as novas exigências legais”, bem típico de nossa cultura, não é verdade?

No entanto, novas normas ou revisões em textos existentes foram ocorrendo desde então, a exemplo da norma de Gestão da Qualidade do Ar Interior (NBR 17.037), da revisão da 16401 principalmente no que tangia as partes 2 e 3 (Conforto Térmico e Qualidade do Ar Interior), embora outras determinações importantes tenham também direcionado ações necessárias para fabricantes e instaladoras do setor.

Mas voltando ao tema manutenção, notamos a “criação de um protocolo” entre as empresas, buscando por salvaguadar os seus clientes no item documentação comprobatória, condição esta que tem, de certa forma, atendido ao quesito fiscalização ao que parece…

A grande questão volta a ser a garantia da qualidade do ar interior, do conforto térmico, da saúde e da produtividade dos usuários destas instalações em edificações presentes nos mais diversos setores de nossa indústria e mercado.

Como estamos neste sentido?

As inspeções ou auditorias técnicas de manutenção têm trazido como resposta uma enorme deficiência em atividades praticadas, ou mesmo no conhecimento e domínio de conceitos de manutenção e itens obrigatórios a serem seguidos entre as etapas de Planejamento e Controle da Manutenção em HVAC-R ou AVAC-R.

São facilmente observadas condições recorrentes em instalações e operações, tais como:

  • Em relação ao planejamento:
    • A não aplicação do conceito de preservação da função de ativos
    • A ausência da visão sistêmica ao planejar
    • A recorrente utilização da função “copy & paste” em planos
    • A não customização de planos de trabalho
  • Em relação ao controle:
    • Inexistência de indicadore alinhados com os objetivos da organização
    • Ausência de um protocolo regular para a avaliação da performance
    • Prejudicada a atuação da supervisão no processo
    • O não envolvimento pleno das equipes de O&M
  • Em relação a manutenção:
    • Falhas na execução das atividades
    • Falhas recorrentes da supervisão e sobre o recebimento de trabalhos
    • Falha na capacitação e na reciclagem de colaboradores

Como resultado das falhas acima, nos deparamos com frequência em serviços não executados (parcial ou totalmente) embora registrados / lançados, equipamentos com deficiência na limpeza e manutenção interna, função de vedações totalmente ignoradas quando da manutenção em gabinetes, utilização de produtos inadequados para a higienização, entre tantos outros.

Observe-se ainda que a situação ainda é bastante agravada quando olhamos para sistemas menores de climatização ….

Por fim, e retomando a pergunta tema deste post, o que é mais importante? Preservar o bem estar e a saúde de nossos usuários ou pura e simplesmente atender requisitos administrativos da lei em vigor?

Para a análise e resposta de vocês…

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About Alexandre Lara

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira de "Operação e Manutenção Predial sob a ótica de Inspeção Predial para Peritos de Engenharia" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo MACKENZIE, professor das cadairas de Engenharia de Manutenção Hospitalar dentro dos cursos de Pós-graduação em Engenharia e Manutenção Hospitalar e Arquitetura Hospitalar pela Universidade Albert Einstein, professor da cadeira de "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNIP / INBEC), tendo também atuado como professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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