Alemanha – A proteção do meio ambiente e do clima faz parte dos desafios globais do século XXI e tem um grande significado para a política, a mídia e a sociedade civil alemã. O país europeu é considerado internacionalmente uma das nações pioneiras na proteção do clima e na ampliação do uso de fontes alternativas de energia. Em 2011, a Alemanha foi o primeiro país industrializado a decidir abandonar de vez a energia nuclear.

Há muitos anos, a Alemanha adotou uma posição que conjuga a proteção do clima e do meio ambiente ao desenvolvimento da economia. Para tanto, faz-se necessário uma estratégia dupla que alie o aumento da eficiência da energia e dos recursos ao incremento do uso de energia e matérias-primas naturais renováveis. Isso incentiva o desenvolvimento de tecnologias energéticas novas tanto por parte da oferta, ou seja, usinas e energias renováveis, como por parte da demanda, isto é, onde há consumo de energia, por exemplo, em aparelhos eletrodomésticos, automóveis e edifícios.
A participação das fontes renováveis no consumo total de energia na Alemanha é de mais de 10%. Com a capacidade instalada de geração de 17.300 MW de energia fotovoltaica, a Alemanha ocupou em 2010 o primeiro lugar seguido da Espanha e do Japão. O projeto Desertec, financiado substancialmente por empresas alemãs, é um exemplo de um grande investimento europeu em tecnologia de energia renovável. A energia obtida pela Desertec nas usinas termossolares no norte da África deve cobrir 15% da demanda europeia até 2050.
O governo federal tenciona, até 2020, reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 40% em relação a 1990. Para isso lançou a campanha virada energética em que as tarifas chegaram a ficar 47% mais caras para poder financiar o projeto.
“Nós acreditamos que o período para a construção de usinas alternativas é muito curto. Para isso, portanto, acreditamos que vai haver um custo muito alto para que seja construído a tempo”, diz Nídia Batista, consultora empresarial e morada de Dortmund, cidade alemã.
A lei assegura uma tarifa três vezes maior que a das distribuidoras. Quem banca é o consumidor, que está pagando mais caro, mas é isso que atrai e faz a Alemanha ter hoje quatro milhões de produtores individuais de energia e um mercado que já emprega 380 mil trabalhadores. Todo esse esforço tem um objetivo: chegar em 2050 com 80% de energia limpa e renovável.
“Temos 274 metros quadrados onde os painéis solares poderiam ser instalados. Eu acho a ideia excelente porque eu acho que essa virada energética não deve vir somente do Estado. O consumidor tem que fazer a parte dele”, explica Caroline D’Essen, analista de campanha.
Em 2000, foi criada a Agência Alemã de Energia (dena) que apoia um programa chamado “Telhados Solares dena” cujo o objetivo é transformar telhados comuns em telhados com instalações solares, e isso tem um grande efeito de divulgação da Agência.
Outro projeto alemão é a “Casa Alemã ou casa ecoeficiente” que é um protótipo de casa sustentável sob o ponto de vista energético, resultado de projeto desenvolvido pela Universidade Técnica de Darmstadt (Alemanha), e vencedor do Concurso “Solar Decathlon”. A casa utiliza tecnologias inovadoras para a construção de residências e é abastecida com energia resultante do aproveitamento da energia solar. Além da eficiência energética, a Casa Alemã demonstra que a estética e o conforto convivem harmoniosamente com a utilização de energias renováveis.
Além desses projetos, 90 escolas participam de um projeto no qual eles procuram desperdícios de energia nos prédios, visando economizar ou aproveitar energia com mais eficiência. Os alunos além de serem os consumidores de energia do futuro, transportam esse tema para casa, para que os pais também aprendam. Esse e outros projetos e concursos são realizados na Alemanha visando sempre à eficiência energética.