Publicado por / Fonte: Valor Econômico (06/05/2014)
As despesas com novas tecnologias de segurança e contratação de vigilantes qualificados representam hoje cerca de 30% do condomínio de um shopping center, tornando-se a segunda fonte de gastos de um empreendimento, atrás apenas dos custos com energia elétrica. A estimativa é da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), entidade que congrega 866 estabelecimentos (números de dezembro de 2013) no país.
O tema segurança sempre foi foco de preocupação do setor, mas ganhou força na mídia no Verão passado com os “rolezinhos” (encontros de jov ens mobilizados por redes sociais) que obrigaram até o fechamento das
portas no caso de alguns estabelecimentos, como o Shopping Itaquera, na Zona Leste de São Paulo. Segundo a assessoria de imprensa do shopping, as despesas ex traordinárias resultantes dos cinco “rolezinhos” realizados entre janeiro e fev ereiro ficaram em cerca de R$ 500 mil, com gastos em contratação de reforço terceirizado de equipe de segurança, treinamento dos funcionários e medidas judiciais, como “interdito proibitório”, instrumento legal que impedia a realização dos encontros sem aviso prévio.
“O maior prejuízo patrimonial para um shopping não é com relação a bens materiais, mas sim quando a sua imagem fica abalada”, afirma Luis Augusto Ildefonso, diretor institucional da Alshop (Associação Brasileira
de Lojistas de Shopping). Segundo ele, os gastos médios anuais em segurança de um shopping em uma grande metrópole ficam em torno de R$ 2 milhões. “O inv estimento em tecnologia é permanente. Há também
a capacitação das equipes de v igilantes, que inclui treinamentos customizados para integração do funcionário ao empreendimento”, afirma.
Mas, em ocasiões especiais, nem mesmo todo o aparato é suficiente para garantir o sossego dos administradores, lojistas e frequentadores. Para ev itar problemas com ev entuais manifestações no período da Copa do Mundo, a Alshop e a Abrasce irão ingressar com liminares na Justiça estadual, nas cidades-sede dos jogos, pedindo reforço policial nas imediações dos shoppings. O efetiv o de segurança própria também
dev erá ser reforçado em até 30%. “Já estamos preparados. Garanto que não hav erá atos de v iolência da nossa parte. Em casos ex tremos, fechar as portas será a saída mais inteligente para assegurar a integridade de todos”, afirma Luiz Fernando Veiga, presidente da Abrasce.
O monitoramento de um sistema de segurança de um shopping não é uma tarefa que se limita às 1 2 horas diárias de atendimento ao público. “É um gerenciamento ininterrupto durante os 365 dias do ano”, afirma Alex andre Judkiewicz, gerente de segurança do Shopping Iguatemi (SP) e membro dos comitês de segurança da Alshop e da Abrasce. Trata-se de um complex o que env olv e dezenas de câmeras digitais de TV espalhadas nos corredores, depósitos e estacionamento, monitores, alarmes de intrusão, sensores de alta sensibilidade contra fumaça e incêndios, controles de escadas rolantes e elev adores e dispositiv os em áreas de acesso restrito. Todo o controle é feito a partir da central de operações, onde dois ou três funcionários, durante 24 horas, monitoram cerca de 1 0 telas de TV e entram em contato via rádio com a equipe assim que for detectado algo que fuja dos padrões de segurança.
O custo é alto. Para montar um sistema de ponta, um shopping com 40 mil metros de Área Bruta Locável, equivalente a cerca de 200 pontos de v enda, irá gastar R$ 1 ,5 milhão incluído o treinamento com funcionários. “Seriam cerca de 1 50 câmeras”, diz Judkiewicz. Em linhas gerais, as câmeras internas ficam dispostas em pontos com maior risco, como perto de joalherias, bancos, lojas de alto padrão e nas áreas de alimentação, onde são comuns furtos de bolsas.
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