As certificações no Brasil são ou não são levadas a sério?

Apesar de uma pequena queda no número de processos de certificação de edificações sustentáveis, queda esta observada entre 2013 e 2014, os processos de certificação sustentável ainda ocupam espaços na mídia e em diversos eventos realizados em nosso pais.

Isto certamente demonstra o interesse de diversos profissionais em diversas modalidades e áreas de atuação em um tema do momento e, principalmente, do futuro.

Entretanto, ouve-se cada vez mais um questionamento sobe o grau de seriedade e de efetividade sobe tais processos, citando-se principalmente o exemplo da ISO, que segundo estas manifestações de colegas, teria se banalizado, principalmente pelo “afrouxamento” de algumas condições e exigências.

Especificamente sobre os processos de certificação sustentável, não tenho como negar que a ânsia e expectativa pela valorização de bens imóveis têm pressionado o mercado quanto ao processo de sua obtenção junto aos órgãos certificadoras. Em resumo, temos visto sim alguns casos onde edifícios ainda carentes de alguns cuidados têm recebido a certificação, o que certamente chamou a atenção daqueles que questionam o processo.

Mas de quem é a culpa? Dos consultores que atuam no processo? …… Dos clientes e investidores?…….Das construtoras e instaladoras?…….. Ou de todos os envolvidos?

Eu diria que encontrar supostos culpados talvez seja o que menos importa neste momento, quando uma possibilidade de banalização está se aproximando.

Acho que o processo tem falhas e que principalmente, dá margem à interpretações por parte de seus envolvidos, como ocorre no processo de comissionamento.

Mas acho também que, evidentemente com exceções, ainda não estamos totalmente preparados e aculturados para a condução de processos como estes, quando nos referimos à obtenção de resultados de longo e médio prazo.

Não podemos negar de que somos um povo imediatista e que normalmente vivemos o “hoje”, ou no máximo, o “depois de amanhã”.

Além disto, não medimos, acompanhamos e auferimos resultados e, desta forma, como poderemos confirmar bons investimentos ou mesmo construir os nossos próprios benchmarks sem a dependência de interpolações ou aproximações sobre dados de fora do Brasil?

Não temos poucos exemplos de edificações que nasceram sustentáveis e que hoje se tornaram quase que “insustentáveis” para os seus ocupantes.

Tudo isto certamente coloca em risco e em duvida os processos de certificação, sendo importante a percepção de todos os envolvidos.

Não bastará apenas com que os clientes sejam mais exigentes…..

Precisaremos que esta nova cultura se instale em todos os envolvidos….

. As consultorias para a certificação precisarão orientar melhor os seus clientes quanto ao processo, suas etapas e requisitos
. Os agentes de comissionamento precisam deixar de interpretar normas para a certificação, uma vez que o processo (de comissionamento) é único e precisará ser seguido
. Construtoras e instaladoras precisarão enxergar a sua importância no processo e nos resultados do projeto
. Os responsáveis pelas operações precisarão rever alguns de seus conceitos e estratégias, zelando não só pela continuidade dos negócios e pelo conforto, mas também pela medição e verificação de seus resultados

Enfim, temos muiiiiiiitooooo à evoluir; não temos?

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About Alexandre Lara

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira de "Operação e Manutenção Predial sob a ótica de Inspeção Predial para Peritos de Engenharia" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo MACKENZIE, professor das cadairas de Engenharia de Manutenção Hospitalar dentro dos cursos de Pós-graduação em Engenharia e Manutenção Hospitalar e Arquitetura Hospitalar pela Universidade Albert Einstein, professor da cadeira de "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNIP / INBEC), tendo também atuado como professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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