Síndrome da “Visão Míope”

É interessante e ao mesmo tempo intrigante imaginar como pode ser possível enfrentarmos uma verdadeira epidemia de “Miopia” em nossas Operações, em uma era onde muitos são “liberados” do uso de óculos, através de rápidas e quase sempre eficazes cirurgias…

Considerado um distúrbio visual que acarreta na focalização de uma imagem antes de que chegue à retina, a miopia faz com que uma pessoa consiga ver com nitidez objetos próximos, ao mesmo tempo em que à torna incapaz de enxergar claramente objetos mais distantes.

Em nossa realidade da Operação e Manutenção, temos situações onde gestores conseguem enxergar com certa nitidez o que ocorre de imediato ou no curtíssimo prazo, mas tornam-se incapazes de olhar mais a frente…

Um bom exemplo disto é a busca por economias em uma operação, onde decisões são muitas vezes tomadas sem uma devida ponderação ou a análise mais aprofundada sobre outras oportunidades, causas, efeitos, etc. Neste sentido, temos exemplos de equipes de O&M mal dimensionadas, da falta de estrutura e infraestrutura, etc.

Outro ótimo exemplo é quando nos deparamos com algumas justificativas quanto a desativação de sistemas / equipamentos ou mesmo a alteração de procedimentos operacionais, que são na realidade “injustificáveis“…

Vejam o caso da operação de uma CAG (Central de Água Gelada) em um grande edifício comercial, na qual o operador seleciona e parte cada equipamento em seu modo “manual”, apesar de toda a automação “embarcada”. Ao ser perguntado sobre o “por que” da opção pela operação em modo “manual” e não no modo “automático”, o gestor local limitou-se à afirmar que o sistema operaria de forma mais “otimizada” em função de sua equipe conhecer bem a demanda da edificação, além do próprio sistema. (!!!?????)

O fato é que esta “síndrome da visão míope” vem ocorrendo com grande freqüência em nossas operações, certamente provocada pelo imediatismo que paira sobre o momento em que vivemos, mas também agravado pela falta de preparo de gestores e supervisores.

Não há como gerir uma operação sem planejar cada passo, incluindo a análise de causas e efeitos, ou melhor, os riscos para cada tomada de decisão no curto, médio e longo prazo. Não há também como gerir uma operação sem monitorar claramente os seus resultados, apresentados através de seus principais indicadores, acompanhados de uma análise de tendências.

Diz-se que a “pressa é inimiga da perfeição”, mas também pode-se dizer que a falta de visibilidade ou a “síndrome da visão míope” poderá ser a responsável por retrabalhos, resultados inesperados, perdas financeiras, entre outros riscos….

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About Alexandre Lara

Alexandre Fontes é formado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela Faculdade de Engenharia Industrial FEI, além de pós-graduado em Refrigeração & Ar Condicionado pela mesma entidade. Desde 1987, atua na implantação, na gestão e na auditoria técnica de contratos e processos de manutenção. É professor da cadeira de "Operação e Manutenção Predial sob a ótica de Inspeção Predial para Peritos de Engenharia" no curso de Pós Graduação em Avaliação e Perícias de Engenharia pelo MACKENZIE, professor das cadairas de Engenharia de Manutenção Hospitalar dentro dos cursos de Pós-graduação em Engenharia e Manutenção Hospitalar e Arquitetura Hospitalar pela Universidade Albert Einstein, professor da cadeira de "Comissionamento, Medição & Verificação" no MBA - Construções Sustentáveis (UNIP / INBEC), tendo também atuado como professor na cadeira "Gestão da Operação & Manutenção" pela FDTE (USP) / CORENET. Desde 2001, atua como consultor em engenharia de operação e manutenção.
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